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A NOVA CARA DO BRASIL

Um chamado para a política

Estudiosos tentam entender como ficará a representação do eleitor nessa nova fase da vida brasileira e quais práticas de participação popular vão surgir com a mobilização pela internet

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postado em 24/06/2013 12:11 / atualizado em 24/06/2013 12:13

Silvia Bessa

O ato da última quinta-feira na maioria das capitais brasileiras é um marco pela forma como se apresentou nas ruas. Não tinha carro de som, bandeira de partidos ou sindicatos tremulando, nem gritos de ordem únicos. Faltaram apitos, bandas na linha de frente, panfletos e botons. Sobraram pessoas com cartazes improvisados, pintados à mão em cartolina, e rostos pintados nas cores do Brasil. Foi tão inédito quanto a ausência de pauta de reivindicação e a convocatória virtual, que fez com que mais de 1 milhão de pessoas saíssem da frente da tela do computador para ocupar as ruas.

Como o protesto se mostrou, o que ele representa e onde deve desembocar foram os principais temas tratados nas redes sociais nos últimos dias, após a onda de manifestações que tomou conta de 438 cidades. Passada a euforia maior, as teorias e os desabafos de participantes e observadores se multiplicam, seguindo o fluxo dinâmico próprio da web. “Estou muito confuso, tenho que dizer. E querendo esfriar a cabeça ainda mais. O fato é que, ontem, tive a impressão de uma caminhada pela paz e não esperava por aquilo (cenas de saques e vandalismo).Mas também sei que o mundo está mudando e que as revoluções estão se dando de outra forma”, postou Fernando Lima, publicitário do Recife, em sua página no Facebook. Da Praça do Derby, na capital pernambucana, de onde saiu a marcha de quintafeira, até o fim da Avenida Conde da Boa Vista, notava-se uma predominância de pessoas vestidas de branco e com sorrisos estampados.

Em Pernambuco e em outros estados, na sala de estar ou nas páginas da internet, o momento é de reflexão. As várias opiniões, incluindo a de estudiosos, expõem a complexidade e a dificuldade de compreensão sobre o que está havendo no país. O sociólogo e cientista político Marco Aurélio Nogueira, autor de inúmeros livros sobre política e democracia, arrisca dizer que omovimento pode significar “a abertura de uma nova fase da vida brasileira”. E vai além: “O movimento pode se projetar como negociador do futuro das cidades”, acredita ele, que é usuário ativo das redes sociais.

Juventude
Um dos pioneiros da internet no Brasil, Demi Getschko defende que “a gente não deve estar preocupado com o efeito instantâneo” das manifestações. “Porque isso vai se depurar. O que se pode dizer hoje é que a conscientização que a manifestação gera é muito útil, porque traz um contigente de jovens para um processo interessante”, teoriza ele, que integra o Conselho Gestor da Internet no Brasil (CGI/SP), em entrevista ao Correio. “É um movimento despolitizado porque a juventude é despolitizada. Não quer dizer que será despolitizada daqui para frente”. Também pesquisador da internet, pernambucano r e c o n h e c i d o quando se trata de área de tecnologia da informação e dos impactos sociais, Sílvio Meira não classifica o movimento como despolitizado, mas “despartidarizado”. Para ele, a manifestação indica uma grande mudança no Brasil. “A mudança, até aqui, é um chamado à política tradicional, e avisa que muita gente não sente que tem canais de representação na feitura do país.” Sobre ofuturo, ele lembra que“movimentos amplos como este têm gatilhos de partida, mas são difíceis, quase impossíveis de prever
 aonde irão desaguar”.
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