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postado em 24/06/2013 12:31 / atualizado em 24/06/2013 12:35

Janine Moraes
Colômbia, Índia e Alemanha. Esses países têm muito em comum em um apartamento da Asa Norte de Brasília. Lá, quatro estrangeiros que vieram cursar pós-graduações na UnB dividem não só suas impressões com a cultura brasileira, mas as contas, as angústias, as saudades e as risadas. No apartamento, Olga Sanchez Santander, 23 anos, mestranda em sistemas mecatrônicos, Isabel Cristina Calle, 27, mestranda em engenharia de materiais, ambas colombianas, Tabea Behr, 23, alemã que estuda linguística aplicada, e o indiano Dileesh Prakasan, doutorando em ciências farmacêuticas, se consideram uma família como qualquer outra: cheia de contradições, mas com cuidados sempre a postos.

“Na Alemanha, é muito normal as pessoas dividirem apartamentos. Há muitas repúblicas por lá e vivi nelas desde que saí de casa, há cinco anos. Quando cheguei aqui, sempre pensei que poderia morar em uma”, garante Tabea. Além dessa configuração comum em seu país, ela garante que escolheu uma república pela possibilidade de ter pessoas por perto. “É bem melhor morar com mais gente porque eu não gosto de ficar sozinha. Estou acostumada a dividir, tendo sempre alguém em casa para conversar.” Olga, responsável pela escolha dos moradores — “Sou engenheira, então as entrevistas sempre envolviam raciocínio lógico”, brinca —, diz que as repúblicas também são comuns em seu país, até mesmo casas nas quais um quarto é alugado para um morador de fora.

Mas, até chegar ao Brasil, sempre havia morado com os pais. Ao desembarcar na capital, acabou convivendo muito com conterrâneos e isso estava dificultando sua fluência no português. “Queria morar com outras pessoas que não falassem só espanhol. Pus um anúncio na comunidade Brasília — Dividir Moradia e a república foi sendo montada.” Hoje, eles têm de se esforçar para aprender a língua. “A única coisa que a faz brigar é quando começamos a falar em espanhol”, revela Isabel, falando de Tabea. Para os moradores, viver entre outros estrangeiros é melhor que estar apenas entre brasileiros. Por conta das diferenças culturais, há mais facilidade em discutir as surpresas trazidas pelos costumes daqui entre eles, sem julgamentos.

“É melhor estar com pessoas de fora para nos ajudar na adaptação. Até porque os brasileiros não vão achar estranho o que consideramos fora do comum. Sempre falamos sobre o que acontece e isso nos ajuda”, garante Olga. E, enquanto estiverem no Brasil, todos pretendem continuar morando com amigos. “Deixamos uma vida no nosso país, com amigos, família. Aqui, você chega sozinha. Ficar sozinha torna isso bem mais difícil. Porque, nos momentos em que você sente muita saudade, precisa de alguém nem que seja para escutar um barulho”, completa Isabel.

Moradores: quatro pessoas
Regra maior: respeite meus costumes
Tempo de existência: desde 2012

 
 
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