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Casal em harmonia com a natureza

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postado em 24/06/2013 12:40 / atualizado em 24/06/2013 12:41

Zuleika de Souza
Casar-se ainda é considerado um dos símbolos da tão sonhada independência de quem entra na vida adulta. Ao selar votos de viver juntos, é esperado que o casal se tranque em sua alcova de amores e tenha uma vida no qual dois se tornam um, naquele ideal de amor romântico. Como os modelos preestabelecidos estão cada vez mais reconfigurados, os professores Ina Salles, 19 anos, e Guilherme Rocha, de 22, estão à procura de um outro casal que queira montar uma república em uma chácara, próxima a São Sebastião.

Os dois vivem em Águas Claras, em um apartamento no qual já dividem com uma amiga em comum. Ina, além de vegana, diz sofrer constantemente com o barulhos das construções no local. A chácara é de amigos músicos, que decidiram seguir com a carreira pelo Brasil. “Eles queriam alguém que pudesse cuidar da floresta que há lá. Por questões financeiras e também pela experiência bacana de aprender a viver com outras pessoas, disponibilizamos esse quarto a mais”, explica ela, que desde os 15 anos coleciona experiências de dividir a moradia.

Primeiro, viveu com uma amiga na sua cidade, Curitiba. Depois, passou um tempo em São Paulo, voltou a Curitiba e, desde que começou a namorar Guilherme, decidiu se mudar para Brasília. “Cheguei há um ano e fui morar com uma colega daqui. Depois, passei um tempo em Taguatinga, sempre passando muita dificuldade para alugar qualquer imóvel, mesmo tendo condições de pagar por ele.” Para os dois, a ideia de ser um casal e morar com outras pessoas em casa não é um problema. Guilherme diz que é preciso ter um maior cuidado na hora da seleção, para que a dinâmica possa ser entendida e não cause constrangimentos. “Você precisa escolher bem porque o casal tem sua própria forma de lidar com a casa.”

Eles pretendem montar a república em julho. As visitas estão para começar, mas já existem dois casais interessados. “Muitos se candidataram, mas a questão é que, para viver lá, é preciso ter carro, já que a chácara é muito distante do centro. Estou ansiosa de conviver com pessoas que pensam como eu, que entendem a necessidade de se cuidar da natureza e criar um ambiente mais sustentável.” Para Guilherme, a partir do momento em que o outro casal se dispõe a montar a república, já demonstra que tem uma cabeça mais aberta sobre a possibilidade de conviver em uma república diferente. “Quem decide ter esse tipo de experiência é sempre uma pessoa mais aberta. Ela sabe o que vai encontrar e escolhe essa forma de convivência”, completa.

Moradores: três pessoas
Regra maior: respeite o limite do outro
Tempo de existência: desde 2012

Oferta menor que a procura

Há muita gente querendo viver em repúblicas na capital do Brasil. Basta uma olhada rápida pela comunidade Brasília — Dividir Moradia, no Facebook, para ver quantos dos seus mais de 4 mil membros estão se oferecendo como prováveis moradores. Os anunciantes, quando surgem, são assolados por pessoas que precisam de um lugar para viver em uma cidade conhecida pelos altos preços dos aluguéis.

“A busca é assustadoramente maior que a oferta. A maioria das pessoas só quer alguém para pagar as contas. Você até deixa suas exigências expostas, como não gostar de cigarro, mas, geralmente, é muito canibal, porque o aluguel aqui é quase impraticável para quem quer morar sozinho. Então, quando elas acham alguém, não ficam esperando”, garante Evy Bernardes, criadora da comunidade. Ela, que sempre viveu em repúblicas desde que chegou de Goiânia, em 2009, sentiu na pele essa dificuldade em conseguir achar rapidamente uma moradia.

“O primeiro lugar que fiquei foi uma pensão de freiras. Mas era impossível viver lá. Depois de viver com um amiga, fui para uma república de oito pessoas em um apartamento de três quartos. Ninguém fumava, ninguém bebia, ninguém fazia nada. Porém, eles foram minha família temporária por um tempo.” Para ela, esse conceito de família temporária se aplica muito bem às repúblicas. Apesar de as relações se construírem da necessidade, é com os amigos que vivem junto de você que as dificuldades de sair de casa se amenizam.

“Mas a vida de quem depende de repúblicas é instável. Pelo que passei, de várias vezes ter prazos bem diferentes para sair de onde estava, é preciso aceitar morar de favor até onde der. E, ao achar uma nova, é obrigado a aceitar lugares que não gostaria porque tem de morar em algum canto”, garante. Assim, ela conta que o mais comum, naquelas formadas por estudantes, é que a dinâmica seja: você tem como pagar, você tem onde ficar. As regras vão sendo criadas com o tempo de convivência e isso já fez até ocorrer histórias de calotes. “Uma moça deixou de pagar em três repúblicas, em meses diferentes. Ela saía na madrugada, pintava o cabelo e ninguém a reconhecia”, lembra Evy. Mesmo assim, ela atesta: há sempre um lugar para viver para quem escolhe Brasília como lar.
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