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Cartazes em alta nas ruas

Manifestantes abusam da criatividade para mandar o recado durante os protestos pelo país. Com irreverência, criticam principalmente a corrupção, a PEC 37, o voto secreto e os gastos com a Copa

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postado em 24/06/2013 12:46 / atualizado em 24/06/2013 12:49

A criatividade dos cartazes que os manifestantes levam às ruas por todo o país tem chamado a atenção durante os protestos e, principalmente, nas redes sociais. A irreverência é um dos pontos fortes das mensagens que têm os políticos como principais alvos. Além dos gritos de ordem que foram incorporados de cânticos das torcidas em arquibancadas de estádios de futebol, camisas e bandeiras também são utilizadas com frequência por ativistas nos atos que reúnem milhares de pessoas nas cidades espalhadas pelo país. Nem a Fifa, que também é bombardeada por críticas dos manifestantes, escapa. A proibição de intervenções políticas durante os jogos dentro das arenas da Copa das Confederações está sendo burlada por torcedores brasileiros: tudo registrado nas lentes de fotógrafos e câmeras de tevê.

Boa parte dos cartazes é feito pelos manifestantes de forma livre e espontânea ainda durante o período das concentrações das passeatas. Com papel e pincel na mão, eles se divertem criando as frases. Muitos fazem questão de posar para fotos entre os amigos e, dali mesmo, já postam na internet com a tecnologia e velocidade do celular. Outros preferem fazer o seu slogan em casa. Quando helicópteros passam por cima da multidão, muitos exibem as mensagens com o cartaz voltado ao céu, orgulhosamente.

São poucas as faixas que defendem apenas uma categoria específica, como em casos de passeatas organizadas por sindicatos, por exemplo. Mas, como os atos reúnem pessoas de diferentes setores, é possível ver pedidos setorizados. Na última quinta-feira, diante do Congresso, dois homens seguravam uma grande faixa pedindo a desmilitarização da polícia. Eles ficavam de um lado para o outro exibindo o recado, principalmente em frente aos policiais. Porém, a maioria das pessoas portava cartazes contra a PEC 37, o voto secreto, a corrupção e os gastos com a Copa.

“Esse movimento dos cartazes é novo aqui no Brasil. Isso é comum em protestos no mundo afora, principalmente nos Estados Unidos, desde a década de 1960. Aqui, isso criou uma espécie de frisson porque você não é apenas um número na multidão, mas sim uma pessoa que está mostrando a sua mensagem, captada por câmeras e espalhada nas redes sociais”, avalia o cientista político da Universidade de Brasília Leonardo Barreto. Segundo ele, as faixas contribuem para que os cidadãos exponham as suas próprias demandas, tornando o evento heterogêneo. “Nós vemos todo tipo de reivindicação e isso contribui para que seja um evento sem agenda”, conclui.

 

 (Antonio Cunha/Esp. CB/D.A Press - 22/6/13) 
 (Ed Alves/CB/D.A Press - 20/6/13) 
 
 (Juliana Colares/CB/D.A Press - 20/6/13) 
 (Iano Andrade/CB/D.A Press - 20/6/13) 
 (Paulo Whitaker/Reuters) 
 (Washington Alves/Reuters - 22/6/13) 
 (Alexandre C. Mota/Reuters - 22/6/13) 
Coletânea de cartazes exibidos em estádios ou nas passeatas: criatividade a mil por hora (Marcos Brindicci /Reuters - 21/6/13) 
Coletânea de cartazes exibidos em estádios ou nas passeatas: criatividade a mil por hora

 

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