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O preço da inspiração

Para manter os funcionários engajados, gestores contratam palestrantes de renome. O time de celebridades do mundo corporativo inclui de artistas a ex-presidentes da República

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postado em 01/07/2013 10:00 / atualizado em 01/07/2013 10:11

O que fazem mil empresários e gestores de Brasília trancados numa sala de conferências em plena segunda-feira depois do expediente? Buscam otimizar os lucros em suas empresas por meio da motivação da equipe — uma tarefa nada simples nem barata, mas que pode ser estratégica. É aí que entra o palestrante motivacional, uma espécie de guru que caiu no gosto do universo corporativo. Eles são tão requisitados que suas sessões de injeção de ânimo chegam a custar R$ 250 mil. Num circuito cada vez maior, há centenas de empresários, professores, escritores, publicitários, atletas, jornalistas, economistas e celebridades que, mais do que oferecer resultados ou qualquer expertise específica, vendem inspiração.

Nomes como o do técnico de vôlei Bernardinho e do executivo popstar Max Gehringer são alguns dos mais procurados pelos departamentos de Recursos Humanos das empresas. “As pessoas vão muitas vezes para ver a celebridade, mas acabam descobrindo o grande executivo, o empreendedor, o líder”, revela Afonso Nigro, agente do empresário e apresentador Roberto Justus. Para assistir à sua palestra em uma conferência com bilheteria, os interessados chegam a desembolsar até R$ 300 pelo ingresso. “O valor dos contratos para eventos fechados não pode ser revelado, mas é muito próximo do cachê pago a um músico, por exemplo”, compara Nigro. Da última vez que esteve em Brasília, Justus atraiu pelo menos 3 mil ouvintes.

“O que as empresas querem é mobilizar o maior número de funcionários para, em pouco tempo, conseguir atrelar gestão e estratégia”, avalia José Paulo Furtado, dono de uma produtora de eventos focados em educação corporativa em Brasília. Assuntos como liderança, espírito de equipe, proatividade, ética no trabalho, persuasão, superação e recapacitação profissional são alguns dos temas mais abordados nesses eventos. Na avaliação do empresário, as palestras podem ser mais eficientes do que uma capacitação formal de longo prazo. “Às vezes, tudo o que a equipe precisa é ter mais ânimo. Uma frase dita por alguém que vivenciou uma experiência de superação pode ser suficiente para uma empresa melhorar as vendas ou até mesmo resolver problemas entre funcionários”, considera.

Ed Alves

Estrelas do mercado
Outros palestrantes podem ser menos conhecidos do público geral, mas são tratados como verdadeiros astros do rock pelas empresas, que desejam ouvir e colocar seus conselhos em prática. Um dos gurus corporativos da moda é o ex-capitão do Batalhão de Operações Especiais (Bope) do Rio de Janeiro  Paulo Storani, que inspirou o personagem Capitão Nascimento nos filmes Tropa de Elite 1 e 2.

Outro exemplo é o filósofo e educador Mario Sérgio Cortella, atualmente o palestrante motivacional mais lembrado. A empresa que o agencia atende cerca de cinco convites diários de organizações de todo o país. Com uma média de 20 palestras por mês entre eventos particulares e abertos ao público, e mesmo trabalhando nos fins de semana, Cortella agora só tem disponibilidade para o fim do ano.

O professor paulista Nailor Marques Jr., 50 anos, conseguiu colocar o nome na calçada da fama do mundo corporativo depois de emplacar em palestras nas quais garante que, para a maioria das pessoas, talento não existe. “Eu mesmo não tenho nenhum específico, e nunca precisei disso para ser bem-sucedido. O que fiz foi desenvolver certas habilidades para conseguir chegar onde quis”, explica. Para ele, dons extraordinários são exclusivos dos grandes gênios. “Mas não é porque não sou um deles que não posso me destacar no mercado de trabalho.” Com tanto sucesso, Nailor abandonou há 18 anos a carreira de professor de português para se dedicar exclusivamente a inspirar profissionais dos mais variados setores.

Com conselhos sobre estratégia, recapacitação profissional, marketing pessoal, confiança e autoconhecimento, o palestrante já tem público cativo por todo o país e chega a cobrar R$ 20 mil por evento. Mesmo com o preço considerado elevado, sua agenda está completamente lotada para todo o ano de 2013 desde fevereiro. “As pessoas vêm até mim e dizem que eu as ajudei a mudar de vida. A palestra motivacional tem a função de pegar o ouvinte pelo lado emocional e ensinar de uma forma fácil o que parece ser muito difícil de ser aplicado no dia a dia.” Nailor acredita que, embora todos tenham algo a dizer de inspirador, nem todo mundo consegue ser um bom palestrante motivacional. “É preciso dar show, e ter uma boa história pessoal, ou muito conhecimento prático sobre um determinado assunto. Senão as pessoas não se interessam”, revela.

Estratégia empresarial
Já que para convidar um palestrante profissional o investimento não costuma ser barato, o desafio das organizações é fazer a mensagem disseminada no encontro se perpetuar o máximo possível. “O segredo é escolher o palestrante de forma estratégica e, depois, repensar os conhecimentos compartilhados por ele. O esforço é inútil se a empresa não conseguir adequar o que foi dito no palco para a realidade da organização”, sugere César Freire, diretor de uma das maiores agências do país especializadas em recrutar palestrantes. Segundo ele, é comum gestores quererem convidar um palestrante só pela fama e descobrirem que fizeram a escolha errada. “Tem muita gente boa no mercado cobrando preços mais modestos, mas que conseguem atingir os mesmos resultados das celebridades”, afirma.

Para o gerente da rede de postos de gasolina da Petrobrás, Moacyr Bastos, 43 anos, assistir a palestras motivacionais pode ser a solução para problemas do dia a dia de uma empresa. “A experiência é única para cada um, e as lições são inúmeras”, afirma. Desde 2009, o gestor recruta empresários do ramo na cidade para ouvirem o que esses profissionais têm a dizer. Para ele, a maior vantagem é a capacidade que esses eventos têm de renovar a maneira de o executivo lidar com o mundo corporativo. “Os resultados são inestimáveis. Em geral, as transformações não são muito substanciais. Às vezes, é um funcionário que precisava acreditar mais em si. Outras vezes, é uma forma de gestão que precisava ser modernizada. Mas essas ações, em conjunto, fazem toda a diferença para manter a saúde dos negócios.”


Vende-se entusiasmo
Confira a lista dos palestrantes mais cobiçados

Luiz Inácio Lula da Silva
O ex-presidente é um dos mais caros palestrantes em ação. Para convidá-lo, o empresário deverá desembolsar um valor estimado em R$ 230 mil. Entre os temas abordados, estão sua atuação à frente da Presidência, investimentos no Brasil e o atual cenário econômico e político internacional. 

João Carlos Martins
Um dos maiores pianistas do Brasil, o maestro virou ídolo nacional ao ter sua trajetória de superação homenageada por uma escola de samba no carnaval de 2011. A palestra dele conta com uma pequena orquestra e custa em média R$ 50 mil.

Bernardinho
O técnico da Seleção Masculina de Vôlei é reconhecido por ser um dos maiores símbolos de liderança no Brasil. Formado em economia, o mestre do esporte fala sobre trabalho em equipe, liderança e motivação. É um dos mais difíceis de conseguir agenda. Uma palestra dele custa R$ 53 mil.

Max Gehringer
O bem-sucedido executivo, com passagens em grandes empresas no Brasil, começou a carreira como office-boy. Hoje, tem programas na TV e no rádio, além de escrever livros com sugestões práticas sobre gestão de negócios. Contratá-lo para uma palestra custa cerca de R$ 35 mil.

 

Paulo Storani
O ex-secretário municipal de segurança pública da prefeitura de São Gonçalo (RJ) trocou o enfrentamento de traficantes nas ruas pelo microfone. Para ele, o lema é “meta dada é meta cumprida”. Para compartilhar a experiência no Batalhão de Operações Especiais (Bope), o palestrante cobra cerca de R$ 25 mil.

Fernando Fernandes
Ex-participante do reality show Big Brother Brasil, da TV Globo, o modelo ficou tetraplégico após um acidente de carro ocorrido em 2009 e superou a deficiência dedicando-se à paracanoagem. Hoje, cobra R$ 12 mil para contar o que fez para se tornar tricampeão mundial do esporte.

Fernando Henrique Cardoso
O ex-presidente da República e recém imortalizado pela Academia Brasileira de Letras cobra R$ 200 mil para falar sobre o perfil econômico, social e político do país, além de assuntos como estratégias de combate às drogas. Fluente em quatro idiomas, FHC recebe convites para conferências no mundo todo. 

 

 

 

 

 

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