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MEIA-ENTRADA »

Rotina de abuso com carteirinha

Uso de documento estudantil falso obriga empresários a aumentarem o valor da inteira para compensar o prejuízo

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postado em 04/07/2013 12:00 / atualizado em 04/07/2013 12:27

Camila Costa

Carlos Moura
O descontrole na emissão das carteiras estudantis e a banalização do uso da meia-entrada em shows, teatros e cinemas têm custado caro a quem deveria, de fato, ser o maior beneficiado: o estudante. Cientes das falsificações do documento, empresários do setor cultural repassam o prejuízo àqueles que não adulteram a carteira e pagam, honestamente, o valor inteiro do ingresso, que acaba ficando mais caro. Com isso, quem tem o direito à metade do preço também desembolsa mais.

O gerente de bilheteria do Cinemark do Taguatinga Shopping, Bruno Fonseca, acredita que, se existissem mecanismos para barrar os documentos adulterados, o preço das entradas do cinema poderia ser reduzido. “Nosso ingresso mais caro custa R$ 26. Se as vendas com desconto não ultrapassassem 50%, teríamos condições de derrubar para R$ 22 ou até R$ 20”, avaliou. Ele conta que já suspeitou de usuários que apresentaram o documento. “Teve um caso surpreendente. Um jovem apresentou a carteirinha vencida. Ao ser barrado, tirou outras quatro da carteira. Mas não temos poder de polícia para exigir que ele fique esperando até a chegada de alguma autoridade”, afirmou Bruno.

Gerente da filial do Terraço Shopping do grupo Severiano Ribeiro, Iranilda Alcântara contou que, por diversas vezes, percebe documentos estudantis falsificados, mas fica impedida de tomar providências mais eficazes. “É fora de controle, prejudica todo mundo, e nós não temos condições de apontar um cliente como portador de uma carteirinha falsa”, observou. Alguns comportamentos são adotados para evitar o problema, como a verificação de outros documentos e de selos de garantia e de frequência dos estudantes.

Apropriação indevida

No palco, a situação não é diferente. O Teatro Goldoni, por exemplo, registra média de 90% a 98% de entradas pela metade do preço. Para o diretor executivo do Núcleo de Arte e Cultura que administra o espaço, Marbo Giannaccini, o desconto foi criado porque os estudantes representavam um público em potencial, mas que não tinha recursos. No entanto, ele aponta a meia-entrada como uma apropriação indevida. “É um tipo de cortesia com o chapéu alheio, e que ninguém liga mais, todo mundo apresenta documento. Perdem o setor cultural e o cidadão, porque o empresário não deixa de repassar o valor”, criticou.

De acordo com a Lei Distrital nº 3.520/2005, o Procon seria um dos responsáveis pela fiscalização. Por meio da assessoria de imprensa, o órgão disse que só atua quando há danos ao consumo, e que não há denúncias quanto à utilização de carteiras estudantis falsas. Na Câmara dos Deputados, tramita projeto de lei que pretende impor regras novas para o uso do documento. Se aprovado, o PL cria um modelo nacional padronizado, confeccionado pela Casa da Moeda. O projeto aguarda inclusão na pauta para ir a plenário.

O Sindicato dos Estabelecimentos Particulares de Ensino do DF (Sinepe/DF) emite os comprovantes estudantis, mas só o faz com pedidos oficiais das escolas. Não é fornecido documento para um único estudante. “É uma forma de controlar e, assim, evitar as falsificações”, explicou a presidente do Sinepe, Fátima Franco.
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