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Medidas atendem pressão de prefeitos

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postado em 09/07/2013 11:23 / atualizado em 09/07/2013 18:16

Julia Chaib , Karla Correia

Monique Renne
 
 

Ciente da polêmica em torno das principais medidas do programa Mais Médicos, lançado ontem, a presidente Dilma Rousseff decidiu comprar a briga em torno da contratação de profissionais estrangeiros e do ciclo obrigatório de dois anos que será introduzido nos cursos de medicina públicos e privados em todo o país, levando os estudantes a atuar na atenção básica de saúde no interior do país.

Lançado sob a forma de medida provisória, o programa já sofre pressões das entidades representantes da classe médica. “Não se pode obrigar um médico que prefere viver na capital a ir para o interior, não se pode fazer isso, mesmo que possamos oferecer toda a estrutura necessária e uma boa remuneração”, disse Dilma, ontem, durante o lançamento do programa. “Mas nós precisamos admitir, honestamente, que algo deve ser feito para que todos os brasileiros tenham direito a um médico e é disso que se trata, se trata de garantir que todos os brasileiros tenham acesso a um médico”, defendeu a presidente. De acordo com Dilma, até que a leva de estudantes que preencherão as prometidas 11,4 mil novas vagas em cursos de medicina em todo o país se forme, o governo precisará dar uma resposta mais rápida para aumentar a oferta desses profissionais nas regiões mais carentes. Daí a necessidade de contratar médicos fora do país.

As medidas foram, em grande parte, elaboradas em virtude da forte pressão dos prefeitos em relação ao financiamento da assistência médica nos municípios e às dificuldades de atrair profissionais para regiões distantes das capitais. Para os gestores municipais, mesmo quando oferecidos grandes salários, os médicos não aceitam o trabalho em cidades do interior. “O Conselho Federal de Medicina diz que não faltam médicos, mas que o problema é na distribuição deles. O problema é que buscamos médicos, mas não conseguimos. Daí a importância do programa para solucionar esse impasse”, disse o prefeito de Porto Alegre, José Fortunati.

Exterior
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, enfatizou que será dada prioridade para os médicos que forem atraídos pelo chamamento público do governo para suprir a necessidade de profissionais no interior do país e na periferia das grandes cidades. Só depois, garantiu o ministro, serão aceitos médicos do exterior.

“Não vamos nos furtar a fazer exatamente o que outros países do mundo fazem, que é buscar estrangeiros quando não temos médicos brasileiros em número suficiente para preencher essas vagas. Esse tema não pode ser um tabu no Brasil”, argumentou Padilha.

Com a medida, a presidente busca uma resposta mais rápida a uma reivindicação comum nas manifestações que tomaram conta do país pela melhoria na qualidade dos serviços públicos de saúde. “Nós sabemos que o povo pobre que vive nas áreas mais carentes e remotas deste imenso Brasil quer um médico próximo e acessível, quer um médico para aqueles momentos difíceis em que eles precisam ter alguém a quem recorrer. O povo pobre quer que lhe seja garantido um dos direitos humanos mais primordiais: o direito à saúde, o direito à saúde pública, o direito de ser recebido, atendido, examinado por um profissional”, afirmou Dilma.

Ao lado do ministro da Educação, Aloizio Mercadante, Padilha se dedicou a rebater as críticas contra o segundo ciclo obrigatório que será implementado nos cursos de medicina a partir das turmas iniciadas em 2015. O ministro nega, por exemplo, a possibilidade da procura pelo curso diminuir com o tempo de formação maior. “Em nenhum país o segundo ciclo reduziu a demanda por medicina”, disse Padilha, ao argumentar que o contato dos formandos com a realidade do interior do país deve contribuir para uma maior humanização na medicina no Brasil. “Daremos a prioridade para os brasileiros, mas o nosso objetivo é garantir assistência à população. Antes de tudo, o médico deve ser especialista em gente”, disse o ministro. Para Mercadante, a proposta foi bem recebida no meio acadêmico. “Vamos permitir um bom debate no Congresso”, afirmou.

Padilha ainda negou a possibilidade de a contratação de profissionais estrangeiros reduzir a qualidade do atendimento médico no país. “Não temos preconceito. Se tiver médicos bem formados que queriam atender nossa população onde não conseguimos preencher vagas com brasileiros, vamos buscar atrair médicos formados em outros locais do mundo”, completou o ministro.

Thiago Fagundes/CB/D.A PRESS
 

 


 

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