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A linha certa para o trabalho

Especialistas ensinam como assumir o dress code da empresa sem perder o estilo pessoal

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postado em 15/07/2013 10:08 / atualizado em 15/07/2013 10:12

Janine Moraes
 

Dificilmente algum dos leitores não terá se surpreendido com os decotes profundos e saias cada vez mais curtas usadas pela atriz Vanessa Giácomo, na novela Amor à vida. Na pele da personagem Aline Noronha, secretária e amante do médico César, interpretado por Antônio Fagundes, Vanessa abusa dos acessórios e roupas despojadas no hospital em que trabalha.
No entanto, o faux pas fashion no trabalho não acontece apenas na ficção. Estudo da consultoria executiva Robert Half, feito no início deste ano, mostra que a maioria dos brasileiros se veste de maneira inadequada no ambiente de trabalho. A pesquisa entrevistou 1.775 diretores de recursos humanos em 19 países — 100 deles no Brasil. De acordo com o levantamento, 22% dos chefes confessaram que os subordinados se vestiam de forma inadequada com muita frequência, enquanto 54% dos funcionários não sabem escolher seu guarda-roupa com certa frequência.

Pouco se fala e muito se cobra com relação à aparência no mercado de trabalho. Segundo o diretor de operações da Robert Half, Fernando Mantovani, a imagem é a primeira avaliação feita durante uma entrevista de emprego. “Imagine ir ao restaurante e pedir uma porção de arroz. Ele pode vir arrumadinho ou todo espalhado. Independentemente da qualidade, as pessoas sempre vão preferir aquele que está bem-apresentado”, exemplifica.
De acordo com Mantovani, a maneira de se vestir no trabalho é influenciada por fatores como o vestuário dos colegas e o dress code exigido pela profissão ou pela empresa, além do estilo pessoal e o clima da região. Na dúvida, a sobriedade e o estilo social são sempre os mais indicados. “Quando você se torna um funcionário, passa a representar a imagem da empresa. Ninguém está pedindo que as pessoas abdiquem do próprio estilo. O que não pode existir é a briga entre a personalidade do profissional e a imagem da empresa. Nesse caso, a empresa sempre deve ser privilegiada”, acrescenta o diretor de operações.

Discrição

No caso das secretárias, é necessário ter ainda mais cuidado na composição do look profissional. A sobriedade é exigida com relação ao uso de cores, cortes e acessórios. “Se for uma secretária executiva, é preciso ter um padrão mais formal e discreto”, aconselha a consultora de imagem Karol Stahr. De acordo com a consultora, às vezes as pessoas confundem o nível do cargo com informalidade. “Ter um cargo mais baixo não quer dizer que a pessoa pode ir trabalhar desleixada; muito pelo contrário. A secretária é um canal de transição entre a empresa e o cliente. Ela precisa transmitir formalidade”, complementa.

Sapatos fechados de salto médio, calças de corte reto, acessórios simples e maquiagem leve são as quatro principais dicas para as profissionais. A secretária Mayara Lima, 25 anos, afirma que é preciso estar sempre atenta à imagem. Para ela, essa é uma forma de impor respeito enquanto profissional. “A secretária faz o primeiro contato da empresa com o cliente; nós representamos a companhia. Uma boa imagem transmite respeito. Tudo bem ter estilo pessoal, mas trabalho é trabalho”, considera. De acordo com Mayara, uma saída para evitar escorregões quanto ao estilo foi apostar em um uniforme para as secretárias, composto por blazer e calça social.
Já para a secretária Paula Montenegro, 40 anos, outra opção é tentar combinar com a empresa qual o vestuário mais adequado. “Em dez anos como secretária eu nunca fui chamada à atenção. Você pode dar um toque pessoal às roupas do trabalho, desde que mantenha o bom senso. Fico longe de ser careta”, conta. Ela acredita que não é preciso investir muito no guarda-roupa profissional. “Você pode misturar peças mais caras com roupas de lojas de departamento. O importante é estar bem-vestida.”

Imagem é tudo

No entanto, não se pode pensar que ter cuidado na hora de se vestir é uma premissa apenas dos cargos executivos. De chefe a secretário, de publicitária a advogada, todas devem se preocupar com a roupa para o ambiente de trabalho. Segundo consultores, o primeiro passo é não ter medo de investir no vestuário. Com R$ 4 mil é possível montar um guarda-roupa com peças coringas, como blazers, calças e camisas sociais. Isso não quer dizer abandonar as promoções das lojas de departamento: muito pelo contrário. “É perfeitamente possível combinar peças mais caras, de qualidade superior, com as de lojas de departamento. Comprar peças com preço um pouco mais salgado pode ser um investimento, uma vez que você só vai renovar o guarda-roupa anualmente”, comenta a consultora Karol Stahr.

A servidora Jackeline Viana, 34 anos, trabalha com cerimonial. Além de toda a formalidade que o setor já exige, há seis meses ela foi convidada a assumir um cargo de chefia. Com a felicidade pelo convite veio, também a preocupação: como se vestir para inspirar confiança, respeito e, sobretudo, autoridade? “Procurei uma consultoria, porque acho que a imagem influencia a maneira como você se mostra profissionalmente. Em um cargo de liderança você tem que inspirar confiança, seriedade”, comenta Jackeline. Ela acrescenta que a vestimenta inadequada é algo comum nos escritórios, principalmente porque as pessoas confundem o estilo pessoal com o dress code das empresas. “Já tive que chamar a atenção de uma servidora que foi com uma saia muito curta. Ela ficou chateada, mas era nosso local de trabalho; é necessário manter um certo padrão.”

O vestuário pode ser determinante para a imagem de profissionais de ambos os sexos. No entanto, é fato que as mulheres ainda são as mais cobradas, não só pela variedade de peças disponíveis no guarda-roupa — e portanto, a maior chance de erro —, como também pela masculinização do mercado. De acordo com o diretor de operações da consultoria executiva Robert Half, Fernando Mantovani, o mercado julga a vulgarização da mulher. “Dizem que o universo de trabalho não é masculinizado, mas isso é hipocrisia. Existe um preconceito quanto às roupas vulgares, o que acaba taxando a imagem da mulher”, considera.

Quando a empresa não determina um dress code, o ideal é investir em roupas sociais, geralmente com cortes retos, que não delineiam as curvas completamente. Outra dica é escolher tecidos mais resistentes e com texturas que escondam aquilo com que a pessoa não se sente insatisfeita — como uma barriga mais saliente, por exemplo —, ou que não é recomendável deixar à mostra no trabalho, como piercings e tatuagens.
Peças femininas que estão em alta e podem entrar no escritório são as saias lápis, com comprimento próximo ao joelho. Outras peças que hoje estão mais próximas do escritório são os jeans — antes abolidos do vestuário formal —, desde que sejam escuros. Acompanhados por blazers, podem substituir o terninho ou o tailleur.

 

Acerte na  escolha

Dentro do armário
Jeans escuro, calça de alfaiataria, vestido tubinho, regatas lisas, cardigãs, blazers, sapatos fechados ou sapatilhas de bico fino.

Fora do armário
Decote profundo, tops, blusas “tomara que caia”, comprimento curto, rendas, transparências e roupas íntimas visíveis, acessórios em excesso (brincos e colares grandes e que façam barulho), maquiagem exagerada (com olhos e boca marcados ou sombras escuras). Evite sandálias que deixem os dedos de fora.

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