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Correio Braziliense

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TECNOLOGIA

Combate ao fogo monitorado

Grupo de pesquisa europeu desenvolve traje de bombeiros que, entre outras funções, mede os sinais vitais do usuário durante uma missão. O sistema ajuda a prevenir problemas como ataques cardíacos e a identificar desmaios

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postado em 15/07/2013 18:00 / atualizado em 15/07/2013 11:22

Roberta Machado

Ao controlar incêndios, bombeiros correm o risco de inalar gases tóxicos, enfrentam temperaturas que superam 500ºC e ainda se privam por vários minutos do ar puro, combustível essencial para o coração e os pulmões. Como esses super-heróis da vida real não têm poderes sobrenaturais, é necessária uma roupa especial que dê a eles resistência acima do comum. Apesar de não contarem com o apoio dos fictícios Tony Stark e Bruce Wayne, os combatentes do fogo ganham “armaduras” cada vez mais sofisticadas, graças ao trabalho de iniciativas como o i-Protect, consórcio multidisciplinar de cientistas europeus criado em 2009 para aplicar a nanotecnolgia e outras abordagens de ponta na proteção de profissionais de risco.

O grupo já produziu em seis modelos dos chamados equipamentos de proteção individual (EPI), dos quais um impressionante protótipo de combate a incêndio se destaca. A roupa especial, em fase final de desenvolvimento, atua como um grande sistema de monitoramento, no qual uma variedade de sensores mantém a equipe de comando a par dos batimentos cardíacos, da temperatura corporal e do ritmo de respiração de cada profissional. O próprio combatente também tem acesso a informações precisas sobre a quantidade de ar consumida do tubo de oxigênio, além do nível de calor e de gases tóxicos presentes no ambiente.

Combinadas com um tecido especial, as ferramentas evitam que o bombeiro seja pego de surpresa durante uma missão de salvamento. Os sensores têm baterias integradas e dão mobilidade total ao profissional. O modelo também foi projetado com um formato ergonômico e leve, que dá mais liberdade de movimentos ao usuário. Todas as informações colhidas pelos sensores são enviadas para uma central móvel.

Salvadores a salvo
“As conexões entre sensores e centro de controle são sem fio”, explica Jesús López de Ipiña, responsável pelo projeto no centro espanhol de pesquisa e inovação Tecnalia, que faz parte do grupo que criou a roupa. “O sistema de gestão de comunicação móvel pode viajar com a brigada para controlar a intervenção no local. Ali, um software monitora a variação dos sinais vitais do bombeiro e de potenciais gases tóxicos”, descreve. Os dados recebidos em tempo real podem ser usados pelo comando para planejar o resgate de forma mais eficiente. A central e os bombeiros se comunicam via rádio, por onde são transmitidas as ordens de acordo com os dados recebidos.

Um sistema desse tipo pode proteger não só a vida do bombeiro como também oferecer um auxílio mais eficiente às vítimas que aguardam o resgate desses profissionais. “Com uma proteção maior, é possível ficar mais tempo no salvamento da vítima e chegar a locais onde a roupa comum muitas vezes não consegue chegar”, avalia o tenente-coronel Mauro Sérgio de Oliveira, do Corpo de Bombeiros Militar do DF (CBM-DF).

Atualmente, um bombeiro totalmente equipado pode permanecer em um local atingido pelo fogo por um período entre 30 e 40 minutos, dependendo da gravidade da situação. “Hoje, é uma diferença absurda de quando entrei. Não é que não se importassem (com a segurança), mas não tínhamos a tecnologia atual. Agora, o equipamento que temos é de primeiro mundo”, compara o militar, que está na corporação há mais de 20 anos.

A ciência, contudo, promete ainda mais avanços. O protótipo que está sendo criado pelos europeus conta, ainda, com o sistema chamado “homem morto”, que pode ser descrito como um sensor de falta de movimentos. Quando o profissional fica parado por muito tempo, o alarme dispara, alertando um possível desmaio ou acidente que tenha imobilizado a pessoa. Em um ambiente coberto por fumaça, esse tipo de alerta é essencial para alertar sobre uma queda fora do campo de visão dos companheiros.

Um tipo de tecnologia similar já é usada no Brasil, ainda na forma de um acessório separado. “Esse sensor faz parte do kit autônomo. Estima-se que, quando a pessoa entra num recinto com chamas e gases, fica em constante movimento, e aí eu avalio que essa pessoa está consciente”, explica Leonardo Almeida, técnico em segurança do trabalho da empresa de equipamentos de proteção Wana. Já na falta de movimento, o sensor emite um apito sonoro, luminoso e vibratório.

Outra opção que também já está à disposição dos bombeiros brasileiros são os detectores de gás, que aqui também são usados como um acessório à parte. Essa, ressalta Leonardo Almeida, é a tecnologia de proteção que mais avança nas pesquisas. “Há estudos para sensores melhores, que podem identificar o gás e informar o quanto ele é nocivo ao ser humano”, exemplifica o especialista.

O modelo europeu de super-roupa foi testado no mês passado e pode ser adotado pelas corporações do continente nos próximos quatro anos. Os protótipos da tecnologia também incluem proteção para resgates em minas ou em cenários de acidentes químicos, outras situações que também são enfrentadas pelos bombeiros. Estima-se que cada EPI possa custar entre 1.050 e 1.650 euros, um valor que representa um investimento de 5% a 10% maior que o preço dos equipamentos usados atualmente na Europa.

App para incêndios

O Serviço Florestal dos Estados Unidos está testando diversos aplicativos para celulares e tablets que podem ajudar os combatentes a lidar com incêndios nas áreas protegidas do país. O jornal americano The New York Times noticiou que as ferramentas digitais usam apps comuns customizados para medir a extensão de queimadas por meio de mapas e dados colhidos por satélite. Em breve, a corporação deve usar a nuvem para disponibilizar toda a base de dados do Serviço Florestal aos agentes que estiverem em campo. A ideia tem sido considerada um sucesso, apesar das dificuldades causadas pela falta de conexão móvel em áreas mais isoladas.
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