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Eleitor dividido sobre médicos

Pesquisa mostra que 49,7% são favoráveis à contratação de profissionais estrangeiros para trabalhar no interior do país e 47,4%, contra

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postado em 17/07/2013 18:00 / atualizado em 17/07/2013 12:53

Juliana Braga , Amanda Almeida

Uma das principais medidas anunciadas pelo Planalto em meio à crise política desencadeada com as manifestações populares divide a população. Pesquisa da Confederação Nacional dos Transportes/Instituto MDA revela que 49,7% os brasileiros são a favor da importação de médicos estrangeiros, mas 47,4% estão contra — a margem de erro do levantamento é de 2,2%. Ao todo, foram ouvidas 2.002 pessoas em 134 municípios entre 7 e 10 de julho. O levantamento também mostrou uma queda na avaliação do governo da presidente Dilma Rousseff. O percentual de pessoas que avaliavam a gestão como boa ou ótima despencou de 54,2% em junho para 31,3%.

O resultado do levantamento reavivou as críticas feitas à importação de médicos, tanto por parte das organizações de classe quanto da oposição. Na avaliação do presidente do Conselho Federal de Medicina (CFM), Roberto Luiz D’Avila, os números mostram que Dilma não atendeu os apelos das manifestações. “Apesar de todo o apelo midiático do anúncio de importação dos médicos estrangeiros sem passar pelo Revalida, incluindo o investimento na divulgação da medida, a população permanece crítica e discorda que apenas isso resolverá a dificuldade de acesso à assistência”, pondera. “Esse sentimento de rejeição ao pacote tende a aumentar à medida que os brasileiros perceberem os riscos envolvidos no Programa Mais Médicos, seja do ponto de vista pessoal ou legal”, acredita.

O ex-ministro da Saúde e ex-governador de São Paulo José Serra (PSDB) também não poupou o programa de críticas. Segundo ele, se a presidente estivesse mesmo interessada em resolver o problema da saúde, começaria a pagar os salários de R$ 10 mil mais ajuda de custo aos formandos imediatamente, e não só em 2018. “A ideia não é fazer nada, é jogar no virtual, na propaganda”, alfineta.

A divisão na sociedade em relação a uma das principais respostas de Dilma à crise, a importação de médicos, não surpreendeu os petistas. O líder do PT no Senado, Wellington Dias (PI), acredita que o problema é a falta de compreensão a respeito da proposta. “Se nós tivéssemos colocado de forma didática, correta, o entendimento seria maior”, afirma. Já o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, afirmou que essa é uma medida da qual o governo não abre mão e criticou a metodologia da pesquisa. “Nossa proposta é oferecer aos médicos brasileiros a ida para o interior, onde falta médico, e, se não houver, contratar estrangeiros. A pergunta não foi feita assim, mas de qualquer forma, mesmo assim, a população apoia”, avaliou. O levantamento também mostrou que 24,6% dos entrevistas avaliaram a resposta de Dilma à crise como boa ou ótima, frente a 30,7% que acharam ruim ou péssima. Além da queda na avaliação do governo, foi verificada também uma redução na aprovação pessoal de Dilma Rousseff. Caiu de 73,7% para 49,3% o percentual dos que apoiam — já a desaprovação está em 47,3%.

Disputa presidencial
A pesquisa de intenção de votos também mostrou um cenário de incerteza para Dilma. Na estimulada, a presidente aparece com 33,4%, seguida por Marina Silva com 20,7%, Aécio Neves com 15,2% e Eduardo Campos, 17,9%. Em todas as simulações, a presidente não escaparia de um segundo turno. Quando questionados sobre a presidente, 44,7% afirmaram que nunca votariam em Dilma, o maior percentual entre os presidenciáveis. Com relação a Aécio Neves, 36% responderam da mesma forma. Marina Silva e Eduardo Campos tiveram 12,7% e 31,9% de rejeição cada um, respectivamente.

Sem comentar a pesquisa, a presidente Dilma Rousseff afirmou ontem, em Ponta Grossa (PR), que o dinheiro arrecadado pelo governo tem de ser devolvido à população. Ela disse ainda que o Brasil é um país especial por dialogar com movimentos sociais e que manterá o Bolsa Família “enquanto for necessário”. “Eu sou presidenta de todos os brasileiros, mas sou presidenta com o olho voltado, muito, mas de forma muito intensa, para aqueles que mais precisam”, afirmou.

Protestos pelo país

Médicos brasilienses protestaram ontem contra as medidas anunciadas pelo governo federal para a área da saúde, como a vinda de profissionais estrangeiros para o Brasil e aos vetos da presidente Dilma Rousseff ao Ato Médico — lei que regulamenta o exercício da medicina. Os cerca de 100 manifestantes chegaram a bloquear uma faixa na W3 Sul, enquanto exibiam faixas e panfletavam. Em São Paulo, cerca de 500 médicos protestaram na parte central da cidade, chegando a fechar a Avenida Paulista. No Rio, 200 se reuniram em frente à Câmara Municipal. Os grupos tinham as mesmas pautas dos profissionais candangos. Já os representantes de todas as universidades federais debateram ontem o Programa Mais Médicos com os ministros da Educação, Aloizio Mercadante, e da Saúde, Alexandre Padilha, e criaram um grupo de estudos que vai auxiliar o Conselho Nacional de Educação a regulamentar a proposta de incluir um segundo ciclo de estudos na formação médica. (Étore Medeiros e Julia Chaib)

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