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Jovens embarcam rumo à renovação da crença

Cerca de 3,5 mil brasilienses vão participar da Jornada Mundial da Juventude, que começa hoje no Rio de Janeiro. Ontem, um grupo de 86 pessoas se reuniu em frente à Catedral para seguir em direção ao encontro com o papa Francisco

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postado em 22/07/2013 18:00 / atualizado em 22/07/2013 13:30

Edilson Rodrigues
Entre os jovens que vão para a Jornada Mundial da Juventude (JMJ), no Rio de Janeiro, existe um consenso: o evento católico é uma oportunidade única de renovar a fé e representa um novo fôlego à caminhada cristã. Claro que eles querem conhecer fiéis de outras cidades e países e estar perto do papa Francisco, mas a motivação principal é uma só — e eles demonstram estar conscientes disso. “Esse é o momento de refletir sobre os meus princípios religiosos e o que estou fazendo pela minha igreja. A JMJ não é o fim, mas um início”, observa o publicitário Lucivam Costa, 25 anos.

Paulo Ricardo Rabelo de Melo, 22 anos, já visitou o Rio de Janeiro como turista e agora vai como peregrino. “Será uma experiência completamente diferente. O melhor vem depois, porque voltamos cheios de gás para nossa missão de evangelizar”, defende. Os dois embarcaram com outras 85 pessoas para a jornada, na tarde de ontem. O grupo, integrante do movimento Segue-me, de diferentes paróquias do Distrito Federal, percorrerá 1.150km de ônibus até a capital fluminense para o encontro com o sumo pontíficie.

Familiares e amigos estiveram presentes para a despedida e para receber as últimas recomendações. O ponto de encontro escolhido para a saída dos dois ônibus foi a Catedral. Por estar no centro de Brasília, o local facilitou a chegada de todos, inclusive de quem optou pelo ônibus ou pelo metrô. No meio de mochilas e travesseiros, uma imagem chamava a atenção. “É a Nossa Senhora Aparecida. Ela vai acompanhar os meninos durante a viagem e olhar por eles no caminho. Viemos da Paróquia São José, de Sobradinho 2, em uma Kombi, rezando o terço”, descreve a dona de casa Natalina Rodrigues dos Santos, 56 anos.

Os quatro filhos de Natalina vão para a jornada. A mais velha tem 29 anos, e o mais novo, 14. Os dois participaram do evento da Canção Nova no ano passado, o primeiro de peregrinação. Ela garante, porém, que todos os quatro estão envolvidos na igreja desde pequenos. “Só de eles irem já é uma bênção. Demos todo o apoio material e espiritual. É uma coisa maravilhosa, temos que agradecer a Deus”, destaca.

As 12 horas de viagem não desanimam o grupo. “É uma ansiedade enorme. A experiência de trocar informação sobre a nossa religião com gente de outros lugares é um diferencial”, define Jackeline Tavares Ximenes de Mesquita, 26 anos. Apesar do desejo de estarem próximos ao papa Francisco, eles tentam manter o pé no chão. “É tanta gente, são 2 milhões de pessoas, não sei se vai dar para chegar pertinho”, reconhece Yngrid Pereira Marques, 18 anos.

Quem pensa que o evento atrai apenas jovens está enganado. Rosenilde Silva do Nascimento, 63 anos, juntou o filho, a nora e a afilhada para acompanhá-la. Quando questionada sobre a diferença de idade com a maioria dos peregrinos, a maranhense descarta a possibilidade de se sentir deslocada. “Sou jovem de coração e de espírito. Quando falaram que a jornada ia ser no Brasil, já fiquei animada, aí o pessoal da paróquia deu o empurrãozinho”, lembra.

Essa não será a primeira vez que Rosenilde verá, ao vivo, o líder máximo da Igreja Católica. Em 1980, João Paulo II esteve em Brasília e a aposentada não se esquece do desfile do papamóvel pelas ruas da cidade. Enquanto aponta para o gramado da Esplanada dos Ministérios, ela volta no tempo: “Eu estava bem ali e o vi de pertinho”. A afilhada Francisca de Fátima Soares, 51 anos, se sente contagiada pelos integrantes do Segue-me. “O movimento é muito bonito, e estar com os jovens nos faz sentir mais jovens. Meus três filhos me deram total apoio”, conta.

Surpresas
Para alguns dos peregrinos que embarcaram ontem, a JMJ veio na hora certa. A publicitária Aline Petrucce, 23 anos, pagou a viagem em janeiro deste ano. A decisão de ir para o Rio de Janeiro passou por uma reviravolta, na última semana. “Meu primo de 22 anos sofreu um acidente grave na sexta-feira, ele caiu na piscina, bateu a cabeça e estava entre a vida e a morte no hospital. Com isso, eu decidi que não iria mais. Aí sonhei com Nossa Senhora e minha mãe falou para eu rezar o terço e pedir pela recuperação dele”, relembra. Ela conta que, depois da cirurgia, veio a boa notícia de que ele sobreviveu. Existe ainda a possibilidade de ele não perder os movimentos da perna, como inicialmente previsto.

Durante a missa das 12h de ontem, pouco antes de viajar, outra coincidência com um sorteio para levar a imagem da Imaculado Coração de Maria para casa. “Eu nem ia participar, mas decidi de última hora e, quando o padre chamou meu número, nem acreditei. A imagem vai ficar lá em casa, e minha mãe vai levar para o meu primo. Quando soube que a cirurgia tinha dado certo, sabia que devia uma para Nossa Senhora e não tinha como não ir para a jornada”, comemora Aline.

Segundo a coordenadora arquidiocesana do Segue-me, Andressa Hattany, 26 anos, a comissão começou a organizar a viagem em agosto de 2012. Cada integrante pagou R$1.088, com direito a alimentação, transporte, hospedagem e kit peregrino. O grupo espera chegar ao Rio de Janeiro hoje, antes de o papa desfilar em carro aberto pelas ruas do Centro. O retorno está marcado para o próximo domingo, logo após a missa de envio, que ocorrerá de manhã. Alguns grupos de Brasília partiram ontem e outros vão hoje, de ônibus ou de avião. Estima-se que cerca de 3,5 mil brasilienses vão prestigiar o papa Francisco.


Da Papuda para a jornada
Entre os suvenires que serão vendidos durante a Jornada Mundial da Juventude, haverá quase 5 mil peças confeccionadas por brasilienses que estão detidos na Penitenciária da Papuda. Graças a um convênio firmado entre a Secretaria de Justiça do DF e uma loja de artigos religiosos credenciada pela Arquidiocese do Rio de Janeiro, os presos poderão vender os trabalhos aos peregrinos da JMJ. Os detentos trabalharam seis horas por dia, quatro vezes por semana, de janeiro a maio deste ano, para produzir peças como terços, pulseiras, cordões e chaveiros oficiais do evento. Eles receberam R$ 0,50 por peça produzida, valor que será depositado na conta dos presos.
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