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Uma turma entusiasmada

A quantidade de adeptos do catolicismo diminuiu em 10 anos, mas os jovens se destacam pelo maior comprometimento

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postado em 22/07/2013 18:00 / atualizado em 22/07/2013 13:27

Amanda Almeida

Carlos Moura

As pesquisas mostram que eles estão em menor quantidade, mas, para especialistas, têm uma espiritualidade maior do que a juventude de outras gerações que, não por opção própria, mas por herança familiar, se tornava católica. O papa Francisco será recebido por jovens católicos brasileiros que, em comum, têm o cumprimento de sacramentos, o culto a santos, a crença em Maria e o respeito à hierarquia da Igreja. Eles, no entanto, não têm unidade quando o assunto é a definição dos valores da religião. Podem ser progressistas ou conservadores. Defendem ou questionam a castidade. Sobre política, parte está desiludida e passiva. Outra saiu às ruas em junho para cobrar o fim da corrupção.

Sem levantamentos nacionais que coloquem as preferências e os pensamentos do jovem católico em números, são os especialistas e o próprio fiel que desenham esse perfil ao Correio. A comparação entre o Censo de 2000 e de 2010, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística IBGE), mostra que houve uma redução, em números absolutos, de 7,3% do total que têm entre 15 e 29 anos (veja quadro). Ainda assim, é menos expressiva que a queda verificada na quantidade de adeptos ao catolicismo em toda a população brasileira, que foi de 12,2% em 10 anos. “A religião era uma herança de família e isso acabou. Hoje, o jovem se torna católico porque quer. Então, embora em menor número, são mais religiosos que outras gerações”, avalia o teólogo da PUC de São Paulo, Fernando Altemeyer Júnior.

A publicitária Priscila Alvim, 30 anos, é uma das entusiastas da juventude católica. Sai de Brasília para o Rio de Janeiro, no fim de semana, para acompanhar com 200 jovens da Igreja Nossa Senhora de Guadalupe, na Asa Sul, a Jornada Mundial da Juventude. “Somos diferentes, mas falamos todos o idiomas da fé”, define. Para ela, uma das novidades da atual geração é a quebra de tabus, como a castidade, quesito em que se enquadra no grupo que ainda a defende. “Hoje se fala do assunto. Antes era encarado com silêncio. Além disso, o jovem que faz essa opção — de se manter virgem até o casamento — não decide por temor de que Deus o castigue, como antes.”

O professor de educação física Vinícius Cambraia, 26 anos, não coloca a castidade do fiel como imprescindível. Católico desde a infância, ele expressa a dificuldade da Igreja na evangelização de jovens. “Os tempos mudaram, a sociedade evoluiu e a Igreja parou no tempo”, avalia. A família de Vinícius é o exemplo da avaliação do teólogo Altemeyer. A mãe é católica fervorosa e ele seguiu a religião, mas o irmão se tornou evangélico. “Fui apresentado à religião pela família, mas, com o tempo, o catolicismo se tornou uma opção e não uma herança”, afirma.

 

Monique Renne
Política

Para o padre João Firmino, coordenador do Setor Juventude da Arquidiocese de Brasília, o jovem católico é engajado politicamente. “Não está filiado a um partido, mas participou das manifestações. Quer, dentro dos princípios cristãos, o bem comum”, diz. O coordenador de comunicação do Secretariado Arquidiocesano da Juventude de Minas Gerais, Ícaro Silva, 21 anos, observa que, embora não tenha sido levantada a bandeira do catolicismo nas manifestações, o papel da religião no contexto dos protestos foi discutido em grupos de igrejas. “Queríamos ver como podíamos nos inserir nesse contexto. Agora, fizemos um grupo na Arquidiocese para discutir nosso papel nessas manifestações”, relata.

Para Silva, os valores cristãos ajudam a fazer a boa política. “Ao pensar no bem comum, somos menos corruptos, por exemplo. Não vamos furar uma fila, por exemplo, o que é também desonestidade”, diz. A administradora Luana Vaniele, 28 anos, que também sai de Brasília, no fim de semana, para a jornada, tem a mesma avaliação. “Existe na juventude um potencial de mudança. Então, ele se engaja na política. E a perspectiva da fé pela nossa vida e a da sociedade fazem o jovem querer o melhor para a coletividade”, comenta.

O professor da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) Emerson Silveira, que tem estudos sobre a juventude católica, diz que o interesse por política se divide também pela ala que a pessoa escolhe na religião. “Aqueles que são católicos mais conservadores têm mais ligação com a direita política. Já os progressistas acabam se alinhando à esquerda.”



Menos fiéis em 10 anos

Grupo                              2000             2010             Variação (%)
Católicos                          35.131.007    32.550.361    -7,3
Evangélicos                      6.496.544      11.162.746    71,8
Espíritas                           545.888        837.540         53,4
Umbanda e candomblé      138.091        156.438         13,3
Outras religiosidades         813.073        1.336.146      64,3
Sem religião                     4.292.266     5.202.302      21,2



Maioria secular
O catolicismo foi a religião oficial do Estado brasileiro até 1891, quando a Constituição Republicana instituiu o Estado laico. Conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o catolicismo segue mantendo a histórica maioria no país. O Censo de 2010 mostrou que 64,2% da população se declarou católica, mas a perda de fiéis tem sido uma constante desde o primeiro Censo, em 1872, quando a porcentagem de católicos no país era de 99,7% da população. “A Igreja tem adotado estratégias para atrair os jovens e, assim, aumentar o número de fiéis, como fazer a própria Jornada Mundial da Juventude e adotar as redes sociais, mas são ações de longo prazo”, avalia o teólogo da PUC de São Paulo, Fernando Altemeyer Júnior.

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