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TECNOLOGIA

Aliados modernos dos atletas

Tecnologia wearable revoluciona a prática esportiva e garante melhor aproveitamento dos exercícios. Sensores para medir gordura queimada e tatuagens que alertam para o risco de exaustão física são alguns exemplos

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postado em 05/08/2013 16:00 / atualizado em 05/08/2013 10:49

Roberta Machado

Malhação é para quem tem paciência. O resultado do sacrifício físico só costuma a aparecer algum tempo depois de muito esforço e de horas de suor. Mas não é necessário esperar a calça ficar folgada ou o músculo crescer para ver a transformação. Modernos sensores podem ser incorporados ao corpo e fornecer informações em tempo real sobre a queima de gordura, os sinais vitais ou mesmo as transformações químicas durante o exercício. A tecnologia wearable para atletas já é uma realidade, e vem em forma de pulseiras, sensores, presilhas para tênis e até mesmo tatuagens eletrônicas.

Foi no Japão que um grupo de pesquisadores desenvolveu um sensor que mede a quantidade de gordura queimada depois de um exercício. Em vez de recorrer a complicados exames médicos e a cálculos de massa corporal, a pessoa pode retirar o dispositivo do bolso, soprar por seis segundos e esperar um momento pelo resultado. Um aplicativo de smartphone avisa ao atleta a quantidade de massa eliminada durante o treinamento.

Quando o usuário deposita o ar na máquina, dois sensores estimam a quantidade de acetona presente no hálito. O elemento serve como referência para o rendimento físico, pois é liberado no sangue e nos pulmões com a queima de gordura. O aparelho, que pesa apenas 125g, pode detectar a acetona em concentrações entre 0,2 e 50 partes por milhão, e funciona com baterias. Ele pode ser levado durante o exercício e usado na pista de corrida ou na academia.

 “Os resultados são automaticamente enviados para um smartphone com sistema Android por conexão bluetooth ou um cabo e são exibidos com dicas de dieta na forma de um indicador de queima de gordura”, ilustra Satoshi Hiyama, do laboratório NNT Docomo e principal autor do estudo. “No entanto, esse método costuma exigir uma máscara de respiração para medir a proporção de dióxido de carbono e de oxigênio consumido. Não seria adequado para uso diário por pessoas em dieta”, alerta.

 A invenção foi testada com 17 pessoas acima do peso, divididas em três grupos. Enquanto um grupo manteve os hábitos de sempre, outro passou a fazer exercícios moderados, e o terceiro combinou um programa de treinamento com dieta personalizada. Depois de 14 dias, comparou-se os níveis de acetona registrados com a quantidade de gordura queimada, e a relação entre os dois fenômenos foi comprovada. O grupo, que publicou os resultados na revista IOP Science, acredita que a invenção possa ser usada no controle da diabetes, onde a acetona também serve como indicador.

Na pele
Para alguns atletas, porém, o principal é quebrar recordes cronometrados. Contanto que o corpo aguente, não importa quantas calorias ficaram para trás na pista. Nesse caso, outro tipo de sensor é necessário: um que avise quando o organismo chega ao limite, evitando que o exercício excessivo tire mais dos músculos do que eles possam dar. O alarme de segurança contra exaustão, de acordo com especialistas em nanoengenharia da Universidade da Califórnia, pode ficar na própria pele, em forma de tatuagem.

O adesivo flexível desenvolvido pela equipe norte-americana conta com um biossensor que avisa quando o usuário atingiu o ponto de exaustão física, e precisa dar uma pausa no exercício. O dispositivo faz isso com base no nível de ácido láctico presente no suor do atleta, substância produzida pelo corpo quando o esforço supera a capacidade respiratória.

“Vários sensores de lactato, que dependem de amostras de sangue retiradas do dedo, estão disponíveis no mercado. No entanto, as desvantagens são a invasividade e a inconveniência, especialmente durante a atividade física”, ressalta o pesquisador Joseph Wang, em artigo publicado na revista especializada Analytical Chemistry, no qual ele descreve o biossensor. De acordo com o engenheiro, o método exige várias coletas de sangue, separadas por intervalos, que podem atrapalhar o treinamento. Além da praticidade que dispensa exames laboratoriais, o sensor tatuado também é flexível e continua colado à pele durante séries constantes de exercício. Os componentes eletrônicos resistem a movimentos repetitivos. O próprio suor do atleta age como condutor elétrico para o dispositivo, que envia os resultados da medição para o computador, sem necessidade de fios. O sistema foi testado com pessoas de diferentes níveis de condicionamento e pôde prever quando eles atingiam o limite da exaustão física.

Desempenho
Já existem acessórios usados para cronometrar uma corrida e para contar passos e metros gastos no percurso. No entanto, o valor tende a ser incerto, pois as passadas de cada usuário são diferentes, e elas não podem ser comparadas com pedaladas, por exemplo. O desafio de proporcionar a desejada exatidão para todos os tipos de atletas foi aceito por uma equipe do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), que criou um conjunto de pulseira e presilha para tênis sensível a todo o tipo de movimentos.

O produto, batizado de Amiigo, não apenas consegue diferenciar quando a pessoa está correndo, nadando ou levantando pesos como também cria uma avaliação detalhada de cada exercício. A inteligência do acessório está em um algoritmo de diferenciação, que muda a forma de contagem assim que o atleta alterna o esporte ou o treinamento. O produto chega ao mercado em 29 de outubro, a um preço estimado de US$ 119.

Com os resultados dos exercícios em mãos, só resta saber como melhorar o desempenho. Essa é a proposta de Brooks Kindle, um aluno da Universidade de Washington que trabalha na criação de um bracelete que faz o papel de treinador. Preso ao braço do usuário, o sensor mede a aceleração e a orientação do exercício, e compara os dados com os modelos usados em um computador. A máquina, por sua vez, emite um aviso sonoro que explica ao atleta quando corrigir a série, e como fazê-lo. A invenção, inicialmente para exercícios de fisioterapia, está em fase de desenvolvimento e só consegue corrigir quatro tipos de movimentos.

 

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