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Inscrições pífias no Mais Médicos

Com apenas 6% do total de vagas preenchidas, o programa seleciona 938 profissionais para começar a trabalhar em setembro

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postado em 07/08/2013 16:00 / atualizado em 07/08/2013 12:40

Étore Medeiros

Uma das principais bandeiras apresentadas pela presidente Dilma Rousseff em resposta às manifestações de junho teve um desempenho abaixo do esperado pelo governo. Dos 15.460 profissionais pedidos por 3.511 municípios brasileiros no Programa Mais Médicos, apenas 938 (6%) foram selecionados para começar a trabalhar em setembro. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, no entanto, exalta os números e insiste na falta de médicos como explicação para a baixa adesão.


“Só quem não tem sensibilidade de ver 4 milhões de brasileiros passarem a ser atendidos não vai dar importância a estes mil médicos. Ficou claro que a oferta nacional de profissionais não será suficiente, no período que precisamos. As pessoas não podem esperar”, enfatiza Padilha, lembrando que as inscrições continuam abertas para as 14.522 vagas não preenchidas. De acordo com o ministro da Saúde, a pasta buscará parcerias com universidades ou governos de outros países para preencher a demanda. O programa deve ser debatido hoje no Conselho Nacional de Saúde (CNS), com a presença do ministro.


Desde a concepção, o Mais Médicos recebeu críticas de entidades médicas, que a cada dia engrossavam o coro contra a proposta. “Vão colocar médicos por um interesse nitidamente eleitoreiro, visando 2014, mas sem condições de trabalho”, aponta o presidente do Conselho Federal de Medicina (CFM), Roberto Luiz D’Ávila. “O ministério precisa ser mais claro: por que tem tanta pressa, por que está atendendo os prefeitos, quem é candidato ao quê no ano que vem, e o porquê desse programa agora, depois de dois anos e meio sem fazer nada pela saúde”, complementa.


Durante o anúncio do balanço da primeira etapa do Mais Médicos, o presidente da Frente Nacional dos Prefeitos (FNP), José Fortunatti, acusou entidades e profissionais da medicina de boicote, devido aos quase 8 mil cadastros feitos de forma errada, dos quais 171 apresentavam dados preenchidos com “xxx” ou “000”. “Ou é fraude ou boicote ou incapacidade de preencher uma ficha. Como acredito na qualidade do ensino de medicina, acho que é uma questão ética”, atacou. “Que venham os estrangeiros, para dar as respostas que a população precisa, e não o corporativismo das associações”, defende o presidente do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems), Antônio Nardi.


“Essa crítica (boicote) é uma forma de desqualificar os médicos. Esse governo e esses prefeitos estão em uma campanha de descrédito do médico brasileiro. O que o Fortunati precisa responder é por que prefeituras estão demitindo os médicos dos seus quadros e pegando bolsistas do Mais Médicos”, afirma o presidente do CFM, que apontou falhas no software do Ministério da Saúde como responsáveis por recusar inscrições de profissionais aptos. Os candidatos que tenham sido eliminados por erros no preenchimento do formulário terão até a meia-noite de amanhã para corrigir os dados, mesmo prazo para que os 1.920 médicos com diploma estrangeiro completem o cadastro.


Os médicos selecionados serão alocados em 404 municípios considerados prioritários pelo Ministério da Saúde e receberão uma bolsa de R$ 10 mil, paga pela União, além de auxílio-moradia e alimentação, a cargo das prefeituras. Em alguns casos, uma remuneração adicional de até R$ 30 mil poderá ser oferecida para atrair candidatos. Não houve procura por 2.028 municípios, dos quais 782 em regiões prioritárias. O Ceará é a unidade da Federação que contará com maior número de profissionais (91), seguido por Bahia (85), Goiás (70) e Minas Gerais (74).

Capital federal
O Distrito Federal está em 21º na lista, com 12 médicos. O presidente do Conselho Regional de Medicina do DF, Iran Cardoso, explica que nenhuma entidade é contra a vinda de profissionais do exterior, “desde que façam a revalidação do diploma”. A medida foi rejeitada pelo Ministério da Saúde, sob a alegação que ela permitiria aos médicos saírem dos municípios prioritários e atenderem em regiões onde não há carência de profissionais. Quanto aos 12 profissionais selecionados para o DF, Cardoso avalia que a baixa procura é resultado da condição de trabalho na rede privada, que já atrai profissionais de todo o país para Brasília. “Temos 5,6 médicos por mil habitantes. É o maior índice do Brasil”, resume, explicando que eles estão sobretudo na rede privada e, aqueles do sistema público, estão “mal distribuídos”.


Dos médicos selecionados, 49,5% concluíram a graduação entre 2011 e 2013, e 74% se formaram ao longo da última década. Além das cidades, 16 distritos sanitários especiais indígenas foram contemplados, sendo 14 na Região Norte.

 

Como ficou

Dos 3.511 municípios que se cadastraram no Programa Mais Médicos, 404 serão beneficiados pela primeira etapa do
programa e receberão profissionais já em setembro, enquanto nenhuma inscrição foi registrada para outras 2.028 localidades.
Dos médicos selecionados, 49,5% concluíram a graduação entre 2011 e 2013, e 74% se formaram nos últimos 10 anos. Veja a distribuição das vagas:

    Região    Médicos    Municípios
    Nordeste    372    203
    Sudeste    216    77
    Norte    144    49
    Sul    107    53
    Centro-Oeste    99    22

 

 

Adesão na luta  contra o crack

Lançado há um ano e meio pelo governo federal, o Programa “Crack, é possível vencer” apenas ontem foi oficializado em todos os estados do país. O ritmo da execução do orçamento não é mais rápido. Até hoje, segundo dados oficiais, só foram pagos R$ 1,38 bilhão dos R$ 4 bilhões previstos pela União para serem investidos, até 2014, no atendimento aos dependentes e seus familiares, combate ao tráfico de drogas e prevenção. Oito estados — Amazonas, Amapá, Rondônia, Roraima, Tocantins, Mato Grosso, Maranhão e Bahia — e 28 municípios aderiram ontem ao programa. A secretária nacional de Segurança Pública, Regina Miki, justificou a demora por causa das eleições municipais de 2012.
(Amanda Almeida)

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