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Brasilienses sempre de malas prontas

Entre sete regiões metropolitanas, a capital do país é o lugar com o maior percentual de moradores que pretendem viajar até o fim do ano %u2014 38%. Está ainda no seleto grupo de cidades que concentram 72% dos pacotes para dentro do Brasil e do exterior

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postado em 11/08/2013 12:37 / atualizado em 11/08/2013 12:40

Ronaldo de Oliveira

Brasília é a capital dos viajantes. De acordo com levantamento do Ministério do Turismo, feito em julho em parceria com a Fundação Getulio Vargas, a cidade destaca-se em primeiro lugar do Brasil quando a intenção dos seus habitantes é pegar um carro, ônibus ou avião rumo a destinos domésticos ou internacionais. Dos 2,5 milhões moradores do Distrito Federal, 38,1% pretendem sair da cidade nos próximos seis meses (confira Perfil). Destes, 75,9% devem optar por pacotes dentro do Brasil, e 23,5% querem ir para o exterior, os maiores índices entre as áreas metropolitanas.

Brasília faz parte do seleto grupo das sete cidades brasileiras que concentram 72% das emissões de pacotes turísticos. São elas: Salvador, São Paulo, Rio de Janeiro, Recife, Porto Alegre e Belo Horizonte, além da capital do país. “O mercado de Brasília é pequeno, mas expressivo”, explica José Francisco Lopes, diretor do departamento de Estudos e Pesquisas do Ministério do Turismo.
O fôlego do setor em Brasília deve-se ao perfil do consumidor. Trata-se de um público qualificado, com renda alta e que viaja pelo menos uma vez por ano. Muitos saem da cidade para fazer compras. Entre os destinos preferidos fora do país, estão Estados Unidos (Miami, Orlando e Las Vegas, principalmente), Buenos Aires e Nova York. Os nacionais incluem Maceió, Natal, Fortaleza e Rio de Janeiro. Isso, sem contar aqueles que viajam para visitar a família em outras unidades de Federação ou a trabalho.

A diversidade de público também contribui para a força do turismo. “É possível encontrar clientes de todo o jeito e montando diversos tipos de pacotes, dos mais baratos aos mais caros. A vantagem é que viajar sempre está nos planos do brasiliense”, comenta o presidente da Associação Brasileira de Agências de Viagens, Carlos Vieira. Ele ressalta que isso dificulta a conta de um tíquete médio gasto pelo brasiliense. “Você tem destino nacional de R$ 1,8 mil a R$ 2,4 mil e pacote internacional para Buenos Aires, por exemplo, a partir de R$ 900”, diz.

Viola Juinior

Embora o segmento não tenha números consolidados do turismo de Brasília, as maiores agências brasileiras apontam a capital como um dos mais importantes e promissores mercados. Na CVC, por exemplo, somente em julho deste ano, 12 mil brasilienses viajaram por pacotes oferecidos pela operadora. Desse total, 60% foram para o exterior. “Em destinos fora do país, elas precisam de mais ajuda para organizar a viagem”, afirma Dalton Craveiro, diretor da MS Turismo.

 

O destaque para viagens no orçamento doméstico deve-se à característica econômica de Brasília. “São pessoas com renda alta e emprego estável. Dessa forma, quem mora no DF fica com mais folga para planejar uma viagem”, analisa Roberto Piscitelli, professor de economia da Universidade de Brasília (UnB). A capital acaba sentindo menos do que em outras cidades os reflexos de crises econômicas e de oscilações monetárias, como a alt
a do dólar.
A servidora pública Rita Felicetti de Oliveira, 54 anos, conta que passou a viajar para fora do país com frequência depois que foi aprovada em um concurso público e conseguiu comprar a casa própria. “Esperei me estabilizar. Agora, priorizo os estudos e as viagens. A recompensa dessas experiências vale tudo o que foi investido”, conta Rita. Entre os países visitados, estão os do continente europeu, além de Tailândia, Nepal e Butão. Ela viaja três vezes ao ano e gasta de R$ 3 mil a R$ 15 mil.

Gosto cultural
A questão cultural e a infraestrutura da cidade contribuem para Brasília ser uma cidade que exporta turistas. O Aeroporto Internacional Juscelino Kubitschek é o maior hub (centro de distribuição de voos) do país e tem trechos para praticamente todas as capitais. Os voos internacionais, entretanto, são apenas sete.

O servidor público Luís Henrique Senna Pereira, 41, viaja constantemente há 10 anos e conhece mais de 20 países. Ele conta que fraciona as férias e programa bem os passeios. “Procuro passagens em promoção, baixas temporadas, fico em hotéis e nem sempre saio para comer na rua”, ensina.

As amigas Cristiane Dias, 47 anos, Regina Brandão, 51, também colecionam histórias de viagem e carimbos no passaporte. Os lugares ficam eternizados em souvernirs, como os pratos que Cristiane pendura na parede da sala da casa, no Lago Norte. As famílias das duas programam pelo menos três passeios internacionais por ano. De preferência, em datas comemorativas, como aniversários.

A engenheira civil Cristiane Dias conhece 32 países. A funcionária pública Regina Brandão, 16. “Não ligo para joias, nem para móveis, decoração. Todo o meu dinheiro é para viajar”, conta Cristiane. “O engraçado é que os lugares que mais marcam são aqueles em que alguma coisa deu errado”, brinca. Regina conta que todo o planejamento da viagem é feito em equipe. “Nos reunimos em casa, no restaurante e decidimos para onde vamos e em qual período. Depois, pegamos o computador, olhamos o hotel, se vamos alugar carro, etc”. Para pagar as viagens, ela e o marido fazem uma poupança especial.

Em alta

Desde maio, o valor do dólar disparou frente ao Real. A moeda norte-americana vem aumentando sistematicamente e acumula alta de 11,21% no ano. Está na casa dos R$ 2,30, com possibilidade de chegar aos R$ 2,40 nos próximos meses. 

 

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