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postado em 15/08/2013 13:36 / atualizado em 16/08/2013 11:09

Ana Paula Corradini

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Aconteceu no mês de janeiro.Depois que anoitecia naquela aldeia, os índios ficavam na maior escuridão: não tinha uma estrelinha sequer brilhando no céu.E pior:o milho estava acabando e todo mundo já estava ficando Com aquela fome! Então,as mulheres da aldeia e os curumins foram para omeio damata em busca de qualquer espiga de milho que estivesse dando sopa (de milho).E não é que a criançada deu mais sorte do que as mãe se acho u um milharal inteiro?Gulosos,os indiozinhos voltaram correndo para a aldeia e pediram que a sua avó fizesse um bolo de milho bem gostoso—e,é claro,encheram a pança!Com tanta comilança,eles ficaram com medo de levar aquela bronca de suas mães e se esconderam lá no topo das árvores.As mães foram atrás deles e cortaram o cipó para que a criançada não conseguisse descer—e ficasse de castigo lá em cima. Mas olha só que coisa:quando cortaram os cipós,as mães caíram no chão e se transformaram em...Onças!Ea meninada,já que estava lá no alto mesmo,se transformou em estrelas brilhantes nocéu.
Urubu

 

Essa história combina direitinho com o dia 1º de abril! Pedro Malazarte era um matuto que sonhava em conquistar o mundo mas,para começar, só tinha uma porta (a parte da casa que a família deixou para ele) e... Um urubu!Pedro estava com aquela fome e ficou de olho na casa de uma mulher que preparava o maior banquete: peru recheado, leitão assado e mais um monte de coisas gostosas.Mas,quando o marido chegou,não é que a mulher gulosa escondeu tudo para comer sozinha depois e só serviu feijão, carne-seca e farinha? Pedro Malazarte bateu à porta com seu urubu empoleirado no braço e foi logo pedindo um pratode comida.O marido da mulher gulosa o deixou entrar—o cardápio do dia não estava lá essas coisas,mas ele era generoso.Então, Pedro disse que o urubu era adivinho e tinha um monte de segredos para contar—e que,na verdade, a mulher tinha preparado uma surpresa para o maridão: leitão assado, peru recheado e por aí vai.A mulher mentirosa deu aquele sorriso amarelo e teve que servir as gostosuras.Pedro, por sua vez,encheu a barriga e ainda vendeu o urubu“espião”para o coitado do homem.Espertinho esse Pedro Malazarte,hein?

No mês de junho,a bicharada também curtia uma festança e fez o maior arraial na floresta. Todos os animais foram convidados,e só havia uma regra: os carnívoros teriam que segurar as pontas (e os dentes), porque ninguém podia atacar os outros.A galera toda apareceu nos trinques, depelo escovado e penas em plumadas,mas a onça estava que não se aguentava—queria pular para cima do convidado mais próximo de qualquer jeito.E,como não podia atacar com os dentes, resolveu a atacar com a língua, e começou a falar mal de todo mundo: que as macacas estavam com um vestidinho “uó”,que a anta estava gorda demais,que o jabuti curtia viver cercado de moscas varejeiras...Os coitados foram obrigados a ir embora de tanta vergonha,e a festa foi um fracasso.E foi nesse dia que todos os animais perderam a fala—é por isso que a gente não entende mais o que eles dizem.Etudo por causa da onça linguaruda!

Essa história é a cara de outubro,omês do Dia das Crianças! Há muito,muito tempo,as árvores não davam frutos—aí imagine a empolgação da bicharada na floresta amazônica quando alguém soube que finalmente tinham achado um pé de uma fruta muito gostosa: o muçá!Havia um detalhe: só quem se lembrava do nome da fruta é que podia se deliciar com ela.A anta foi a primeira a saber da novidade, e foi repetindo “muçá, muçá,muçá”pelo caminho até a árvore—até encontrar uma velha gulosa pelo caminho, e que planejava comer todas as frutas SOZINHA.Só para sacanear,a velha começou a cantar:“mugá,mucungá,muculungá...” enãoé que a anta se esqueceu do nomeda fruta?Outros animais partiram na mesma missão,mas todos ficavam confusos com a musiquinha da velha.Até que o jabuti se ofereceu para ir buscar as frutas—e teve que aguentar a maior tiração de sarro:comaquela velocidade toda,ele jamais conseguiria escapar da velha eda sua musiquinha terrível.Mas ele foi esperto: o jabuti foi tocando sua flautinha, deu um“nem te ligo” para a velha e achou o muçá! Mas ela ficou com tanta raiva que bateu com sua bengala no casco do coitado,e é por isso que, até hoje, o jabuti tem o casco rachado.

Quando a gente pensa na Clarice Lispector (que não é a autora de todas aquelas frases de autoajuda que você vê no Facebook!) logo se lembra dos livros que ela escreveu para os adultos,como A hora da estrela e Perto do coração selvagem, mas você sabia que ela publicou um monte de títulos para a criançada também?Nascida na Ucrânia,em1920,a jornalista e escritora também escreveu A mulher que matou os peixes, O mistério do coelho pensante,A vida íntima de Laura e Quase de verdade para os pequenos leitores. Clarice ficou famosa por seus contos sensíveis e seu jeito todo especial de escrever e analisar os mistérios do mundo—e os da sua própria
vida também.A escritora morreu em 1977.

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