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Morador de rua encontra Felipe após duas semanas

Jovem desaparecido que se escondia em uma caixa de papelão em frente ao prédio da antiga Rodoferroviária é localizado graças à persistência de um sem-teto. Agradecidos, os familiares do garoto de 22 anos adotaram o herói do dia

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postado em 23/08/2013 10:24 / atualizado em 23/08/2013 10:45

Adriana Bernardes , Renato Alves

Marcelo Ferreira

Nem policiais militares nem agentes da Polícia Civil. Quem encontrou o aluno do Centro Universitário de Brasília (UniCeub) Felipe Dourado Paiva, 22 anos, e o devolveu à família foi um morador de rua. Adeílson Mota de Carvalho, 37 anos, reconheceu o jovem desaparecido desde o último dia 9, ganhou a confiança dele, conferiu a foto em um cartaz colocado em uma feira popular, acionou a polícia e pediu ajuda a outras pessoas para conter o estudante até a chegada dos familiares dele.

Adeílson caminhava em direção à Água Mineral, por volta das 11h, quando parou para pedir informação a alguém dentro de uma caixa de papelão. O desconhecido estava sob uma mangueira e uma jaqueira, em um canteiro em frente à Rodoferroviária, a cerca de 100m de um posto de Segurança Comunitário da Polícia Militar. O estranho disse que não poderia sair do local, porque dormia. Mandou o morador de rua voltar mais tarde. “Fiquei encasquetado e, na volta, fui ver quem era aquela pessoa”, contou.

Ao reencontrá-lo no mesmo lugar, por volta das 14h, Adeílson suspeitou que o jovem era o mesmo dos cartazes de desaparecido distribuídos em alguns pontos da cidade. “Perguntei se ele tinha almoçado. Ele falou que não. Então, disse que ia comprar marmita para nós dois”, lembrou. Mas o rapaz recusou a oferta. Para contê-lo, o morador de rua disse que compraria doce para ambos e pediu que ele permanecesse ali. Adeílson caminhou um pouco mais e avisou alguns instrutores de motoescola, que dão aulas práticas no estacionamento da Rodoferroviária, para ficarem de olho no jovem.

Adeílson seguiu até a feira popular, perto do antigo terminal. Lá, encontrou um cartaz de desaparecido fixado pela família de Felipe. Ao conferir a foto, não teve dúvida. Comprou doces e voltou para debaixo das árvores. “Ele já não estava lá. Procurei em volta e o vi em cima da jaqueira”, comentou o morador de rua. Naquele momento, um grupo de instrutores fazia uma espécie de cerco ao garoto, que reclamou com Adeílson. Disse que ele o havia “dedurado”. Para acalmá-lo, inventou que pessoas próximas suspeitavam que ambos estavam de olho nos veículos delas.

 

Emoção
Para ganhar a confiança de Felipe, Adeílson subiu na árvore e começou a conversar. Em certo momento, chamou-o de Felipe e perguntou por que ele havia saído de casa. O jovem reagiu negativamente. Respondeu que se chamava Henrique Prado. Certo da identidade, Adeílson usou a desculpa de conseguir um cigarro e foi ao posto comunitário da PM. Pediu para um policial telefonar à mãe de Felipe, pois o havia encontrado. E pediu aos soldados para não irem até a árvore, por medo de o jovem fugir. Os PMs ligaram para a mulher.

Em menos de 10 minutos, um primo e a irmã de Felipe, Priscila Dourado, 26 anos, chegaram ao local. “Ao ver o irmão, a menina começou a chorar e a tremer. Até chorei junto”, relatou. Priscila nada disse. Apenas abraçou o garoto. Felipe, então, quis voltar para casa. Antes disso, os parentes o levaram ao Hospital Regional do Guará. O garoto vestia a mesma roupa com a qual desapareceu. A família pediu que não fosse divulgado detalhes sobre o estado de saúde dele, que deixou o hospital por volta das 18h30. Foi, finalmente, levado para a casa de parentes.


"Ao ver o irmão, a menina (Priscila Dourado) começou a chorar e a tremer. Até chorei junto”
Adeílson Mota de Carvalho, 37 anos, morador de rua que encontrou Felipe
 

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