Pais reconhecem esforço de Adeílson

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postado em 23/08/2013 10:29 / atualizado em 23/08/2013 10:32

No início da noite, em casa, Priscila recebeu familiares e amigos. “Quando o vi, nossa, só queria abraçá-lo, levá-lo para casa e cuidar dele”, ressaltou a irmã. Nesse momento, o professor aposentado Ulde Dourado, tio de Felipe, estacionou o carro. Nele, estavam o sem-teto Adeílson e algumas sacolas de compras. “Vamos levá-lo para tomar um banho e fazer um lanche. A família já o adotou e vai fazer de tudo para tirá-lo das ruas. Se hoje vamos dormir em paz, devemos isso a ele”, comentou Dourado.

De poucas palavras, Adeílson disse apenas que não sabia o que aconteceria com ele. Maranhense, o ex-marceneiro chegou em Brasília há dois meses. Desempregado, veio em busca de uma vida melhor. Deixou os dois filhos, Pedro Henrique, 8 anos, e João Paulo, 6, no Pará, com a ex-mulher. Na capital, sobrevive dos trocados que ganha descarregando caminhões na Ceasa.

Felipe havia sido visto por amigos e parentes pela última vez em seu primeiro dia de aula no UniCeub, há duas semanas. Câmeras de segurança da universidade filmaram o estudante deixando o pátio da instituição de ensino. Na época, o advogado da família informou que ele sofre de transtornos psicológicos e usa remédios controlados. Sem os medicamentos, poderia ficar desorientado. Desde então, a família de Felipe distribuiu, por todo o DF, milhares de cartazes com fotos, dados do estudante e telefones de contatos. No fim de semana, fez um mutirão de buscas pela capital. Houve intensa mobilização nas redes sociais. Receberam diversas pistas falsas.

Mobilização
Pouco antes de ser localizado por Adeílson, Francisca Vanusa Lopes da Costa, 37, reconheceu Felipe por volta das 10h30, quando ele andava pela Quadra 8 do Cruzeiro Velho, onde ela mora. A dona de casa correu atrás do jovem e chegou a chamá-lo pelo nome. “Perguntei se ele era o rapaz desaparecido. Ele respondeu: ‘Será?’ E foi embora”, relatou. A mulher pediu ajuda a um vizinho, que, de moto, começou a procurar o jovem pelo bairro, sem sucesso. Sabendo disso, familiares do garoto seguiram para o Cruzeiro. Também o procuraram no Sudoeste. Mas ninguém seguiu para a Rodoferroviária, onde, àquela altura, Adeílson tinha ajudado a escrever o final feliz.

50
Quantidade de informações recebidas pelo Disque Denúncia da Polícia Civil sobre Felipe

 

Memória

 

Sumido há oito meses

Os familiares de Artur Paschoali, 19 anos, estão sem notícias dele desde dezembro do ano passado. O garoto sumiu no Peru no dia 21, última vez que os parentes tiveram notícias do jovem. Depois de passarem quatro meses naquele país, os pais do garoto retornaram a Brasília no início de maio. Agora, eles retomaram fôlego para dar continuidade às buscas. “Temos convicção muito forte de que ele está sequestrado e está obrigado a trabalhar para o narcotráfico. Tivemos vários indícios, chegamos a entrar em contato com a promotoria pública, a polícia, pedimos quebra de sigilo telefônico e nenhum dos processos andou. Agora, vamos ao (Palácio) Itamaraty novamente para que o órgão pressione as autoridades peruanas”, explicou a mãe de Artur, Susana Paschoali, 52 anos, na semana passada.

 

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