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Nove entre 10 brasileiros estão preocupados em proteger os dados pessoais, mas boa parte ainda compartilha o número do celular e o endereço de e-mail na rede. Especialista diz que é preciso ter consciência no uso da web

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postado em 27/08/2013 16:00 / atualizado em 27/08/2013 11:02

A escritora Wilene Gonçalves é cautelosa ao postar algum tipo de conteúdo na internet:  
A escritora Wilene Gonçalves é cautelosa ao postar algum tipo de conteúdo na internet: "Acho a internet uma ferramenta fantástica, mas sou cuidadosa com o que coloco nela"

Descrito no relato de Edward Snowden, analista de TI e ex-técnico da Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos (CIA), o X-Keyscore, principal mecanismo usado para a análise de dados privados, é capaz também de examinar informações em Big Data. De acordo com Snowden, esse instrumento pode rastrear “tudo que o usuário faz na internet”. O acesso a esse tipo de informação, consequência de uma evolução no desenvolvimento tecnológico, faz com que as pessoas que sintam receio ao compartilhar registros pessoais na rede, fiquem mais preocupadas ainda.

Uma pesquisa realizada pela Symantec apontou que 90% dos brasileiros se preocupam em proteger a privacidade on-line, no entanto, esse é o mesmo percentual de quem diz não saber se as informações presentes nos dispositivos móveis estão seguras. A pesquisa indica que, mesmo desconhecendo sobre a segurança em seus aparelhos, ainda há quem compartilhe dados privativos: 25% dividem a localização física e 35%, o número de telefone. Além disso, 52% partilham a data de aniversário; 61%, o nome; e 70%, o endereço de e-mail.

Mesmo tendo cautela ao expor dados, outro estudo, também da Symantec, indica que cerca de 70% dos brasileiros que frequentam eventos como jogos esportivos e shows fazem postagens nas redes sociais. Para os entrevistados, o item mais importante para se levar em grandes eventos, antes mesmo do dinheiro e do documento de identidade, é o celular. Como fator de segurança, metade pararia de utilizar o aplicativo móvel se comprometesse a privacidade, e sete em cada 10 apagaria o app.

A escritora Wilene Gonçalves de Lara, 48 anos, prefere ter cautela ao postar algum conteúdo. “Acho a internet uma ferramenta fantástica, mas sou extremamente cuidadosa com o que coloco nela. Tento ser uma pessoa discreta”, analisa. De acordo com Wilene, o maior cuidado a ser tomado tem a ver com informações da vida particular. “Às vezes, algumas pessoas da família reclamam, mas digo que é uma questão de proteção não só minha, mas também deles.”, explica.

Para Rodrigo Arrigoni, sócio-fundador da empresa especializada em análise de social data R18, o principal combate à quebra de privacidade é a própria conscientização do internauta. “Acredito que o foco da análise do Big Data tem que ser educacional. As pessoas devem adquirir consciência sobre a utilização e a disponibilização das informações na web”, argumenta.

Mecanismos
Carmen Lúcia, 52, servidora pública, utiliza o Facebook apenas para conversar com os parentes. “Não publico nada. Só uso mesmo para me comunicar com as pessoas. No máximo, quando vejo algo interessante, coloco uma notinha e compartilho”, afirma. “Acho que as pessoas acabam se expondo muito. Nada mais é pessoal, tudo é dividido com outros. Sempre aconselho minha filha a não postar fotografia toda hora e a ter cuidado com quem conversa.” Carmen também relata alguns cuidados tomados ao usar o e-mail. “Tenho senha com códigos forte e filtro de spam. O correio eletrônico particular, uso para me comunicar com amigos ou parentes que moram fora de Brasília.”

Rodrigo diferencia os mecanismos utilizados pela CIA e por empresas, e afirma que a quebra de privacidade não é exclusividade do mundo digital. “O grande diferencial é a questão ética. Nós, por exemplo, analisamos dados públicos, que são autorizados pelo usuário. O que o governo norte-americano fez foi ter acesso a informações privadas. A espionagem sempre existiu.”

Ainda segundo o analista, a projeção futura é de que há muito para ser utilizado dos algoritmos e ferramentas de análise. “A grande questão é levar temas à tona com os mecanismos que temos. O internauta pode usar isso como uma massa crítica, o que é superimportante. As pessoas precisam ter consciência do poder delas. Todos os algoritmos podem servir para democratizar o conhecimento.”


Privacidade no Gmail
De acordo com um documento de defesa enviado à Justiça estadunidense, o Google havia afirmado que os usuários do Gmail não se importavam se as mensagens recebidas por outros provedores de e-mail não fossem confidenciais. O argumento dos advogados da empresa foi de que “da mesma forma que quem envia uma carta a um parceiro de negócio não pode se surpreender se a secretária abri-la, as pessoas que usam correio eletrônico baseado na web não devem se espantar se o conteúdo for processado pelo servidor de comunicações eletrônicas do destinatário”. Após a repercussão negativa na imprensa mundial, o gigante da busca comunicou que “a companhia construiu um serviço com privacidade e segurança e que todas as proteções vão ser aplicadas”.


O conceito
Para entender o Big Data, é necessário conhecer os dois principais avanços tecnológicos que o tornaram possível. O primeiro é a capacidade de armazenamento em nuvem, o que aumenta significativamente a possibilidade de guardar muitos dados. O desenvolvimento de sequências de algoritmos específicos para a análise em grande escala é o outro fator. Isso torna possível não só a observação do conteúdo, mas também a análise dessas informações, identificando as atividades de um indivíduo na web.
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