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Sob alta tensão

Maioria dos trabalhadores admite ter nível elevado de estresse. Mas como atingir metas e conquistar resultados sem chegar à beira de um ataque de nervos?

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postado em 08/09/2013 16:26 / atualizado em 08/09/2013 16:30

Rodrigo Eira
 
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Rodrigo Eira

Se antigamente os trabalhadores eram obrigados a encarar problemas como falta de segurança, insalubridade e a ausência de direitos, hoje, convivem diariamente com o estresse e a pressão para atingir resultados. De acordo com pesquisa divulgada pelo site CareerBuilder, aproximadamente 70% dos trabalhadores dizem não apenas enfrentar um nervosismo comum ao cumprir as tarefas mas também operar sob altos níveis de tensão, quase ao ponto de um ataque de nervos. A situação é ainda mais preocupante quando analisados os dados da associação internacional voltada à pesquisa e ao desenvolvimento da prevenção e do tratamento de estresse no mundo Isma-BR, que diagnosticam 30% da população economicamente ativa do Brasil como vítima da chamada síndrome de Burnout.

Segundo Ana Merzel, coordenadora do serviço de psicologia do Hospital Albert Einstein, o cenário requer atenção. A especialista explica que a diferença do nervosismo comum para a síndrome aparece quando os malefícios saem do trabalho e alcançam a vida pessoal. “Hoje em dia, o estresse localizado é inevitável, mas devemos conviver com ele sob controle. É do exagero que nasce a síndrome de Burnout, uma doença que, ao contrário da pressão cotidiana, não afeta apenas áreas específicas mas também a rotina das pessoas como um todo”, pondera.
Exemplo disso é a servidora pública Leila de Matos, 50 anos, afastada das funções desde 2010. Após um complicado histórico de assédios e perseguições no trabalho, Leila enfrentou momentos profundos de depressão. Devido ao esgotamento psicológico, qualidades até então marcantes de sua personalidade acabaram desaparecendo. “Eu era uma pessoa feliz, disposta, organizada. De repente, não queria sair da cama nem fazer minhas atividades; tornei-me uma consumidora compulsiva, ao contrário da gestora que costumava ser”, conta.

Para superar o problema, Leila usou medicamentos em conjunto com a terapia. Mas, segundo ela, a força para melhorar veio de muitas outras fontes. “Sem minha família, eu não teria resistido à pressão. Nos momentos de crise, é difícil encontrar apoio. Meus filhos e meu marido são, sem dúvida, os pilares que me mantêm de pé”, desabafa. Leila também encontra nos exercícios a válvula de escape para as tensões. Com uma pequena academia dentro de casa, tenta sempre se movimentar.

Caso a caso

Inevitavelmente, alguns profissionais estão mais expostos ao estresse e a situações de conflito. De acordo com especialistas, cargos que exigem tomadas de decisões constantes, que envolvem lidar diretamente com pessoas, além de prazos curtos e situações voláteis, tendem a ser os mais delicados. Porém, não existe uma regra geral, ressalta o consultor de RH Cássio Mendes, especialista em clima organizacional. Mendes explica que o bem-estar na profissão é um fator flexível, resultado de aspectos individuais de cada trabalhador. As atenções devem estar voltadas para as particularidades do perfil de cada um. “Não podemos satanizar o estresse; para algumas pessoas, ele é indispensável. Se a pessoa é mais inquieta, não adianta querer exercer uma função tranquila, pois pode acabar se tornando prejudicial a ela. O importante é que cada um entenda seus limites e objetivos e procure aquilo que mais se aproxima da rotina desejada — movimento, turnos, horários”, aconselha.

Além disso, outros aspectos contribuem para a construção de uma carreira menos maçante. Segundo Mendes, esforçar-se para promover um clima de trabalho mais amigável contribui bastante para a redução da carga de estresse — e essa lição deve ser seguida tanto pelas organizações quanto pelos funcionários. “É importante que as empresas se preocupem com a saúde dos colaboradores. Isso inclui políticas de valorização dos funcionários e o combate às cobranças em excesso, por exemplo. Já os trabalhadores devem estar atentos e evitar o assédio moral e a fofoca”, exemplifica.

Vida nova

Motivo de mais de 20% das licenças trabalhistas no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), o estresse pode ser considerado o mal das novas gerações. Justamente por isso, combatê-lo se tornou uma missão difícil, com as mais variadas estratégias. Segundo a terapeuta Danielle Brum, assim como as causas para o esgotamento, os recursos para o tratamento também são muitos. “Cada caso é um caso e não existe uma fórmula geral de intervenção. É preciso entender a situação do paciente para então determinar os procedimentos mais adequados”, justifica.
Métodos alternativos também ganham espaço na luta contra o estresse, como a tecnologia e a meditação. Marco Coghi, diretor da Neuropsicotronics, desenvolveu um equipamento que estimula a variabilidade da frequência cardíaca e diminui os impactos de situações de tensão no corpo humano — o cardiomotion. Com o uso do aparelho, o profissional trabalha mais o coração e se torna mais resiliente às pressões cotidianas.

Para quem está à procura de uma vida mais zen como um todo, uma boa alternativa é a meditação. O fundador e presidente da Sociedade Vipassana, Régis Guimarães, explica que a técnica tranquiliza a mente dos praticantes e permite um controle maior sobre as emoções. “Meditar acalma o corpo e torna as tensões mais evidentes. Com isso, a pessoa consegue se entender melhor e lidar de modo mais claro com seus sentimentos”, relata. Segundo ele, meditar é dar uma chance ao equilíbrio: a prática retira o profissional do “piloto automático” e o torna um observador de si mesmo.

A produtora Beatriz Ferraz, 23 anos, procurou a meditação em busca de mais tranquilidade no dia a dia. “Tenho a tendência de guardar coisas ruins comigo. Com a meditação canalizo as situações negativas e encontro tranquilidade na solução dos problemas”, explica. Em constante pressão e contato direto com fornecedores e o público, a produtora ressalta que o equilíbrio obtido nos momentos de reflexão é bastante útil para aumentar a concentração nas tomadas de decisão, além de trazer mais paciência em situações de conflito. Beatriz lembra também que a meditação não é a primeira técnica alternativa de relaxamento que já fez uso, e assegura que atividades do tipo são sempre benéficas, pois quebram a rotina e trazem novas perspectivas.

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Fonte: Isma-BR

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