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Protestos terminam em confusão na capital

Após o tradicional desfile do Sete de Setembro, manifestantes se dispersaram pelas redondezas da Esplanada dos Ministérios, depredaram lojas e entraram em confronto com a polícia, que reagiu com bombas de gás lacrimogêneo e spray de pimenta

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postado em 09/09/2013 10:00 / atualizado em 08/09/2013 17:11

Policiais militares, incluindo a tropa de choque, tiveram de usar a força para conter os mais exaltados. Muitos deles estavam com o rosto coberto durante a confusão (Carlos Vieira/CB/D.A Press) 
Policiais militares, incluindo a tropa de choque, tiveram de usar a força para conter os mais exaltados. Muitos deles estavam com o rosto coberto durante a confusão

O Sete de Setembro na capital federal foi marcado por protestos que terminaram em confusão na área central. Mesmo diante de grande aparato policial, um grupo de manifestantes que foi às ruas conseguiu driblar os bloqueios e provocar vários focos de confusão nas áreas próximas à Esplanada dos Ministérios. O resultado inclui a depredação de bens privados, pelo menos 39 pessoas encaminhadas à delegacia e 16 atendimentos, entre feridos e pessoas que passaram mal, de acordo com o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e o Corpo de Bombeiros. A assessoria de imprensa da secretaria afirma, porém, que ninguém saiu ferido do confronto.

Na Esplanada dos Ministérios, assim que o desfile cívico terminou, mil pessoas desceram até o espelho d’água do Congresso Nacional, que estava cercado por policiais militares. Houve um início de tumulto. Os policiais usaram spray de pimenta e conseguiram conter a confusão. Em seguida, esse mesmo contingente de pessoas seguiu para a Rodoviária do Plano Piloto e, depois, para o Estádio Nacional de Brasília Mané Garrincha. Como foram surpreendidas por bloqueios policiais, que usaram bombas de gás lacrimogêneo para enfraquecer o grupo, elas seguiram para o início da W3 Norte.

Na Asa Norte, alguns vândalos passaram a depredar estabelecimentos comerciais. O alvo principal foram três concessionárias, que tiveram a fachada e alguns veículos quebrados. O vendedor Adriano Lima, de 26 anos, atendia a um cliente, quando os manifestantes se aproximaram da loja. “Estávamos trabalhando. Tinha gente na loja, até crianças. Começaram a jogar pedras nos veículos e na fachada. Na hora, a gente se escondeu embaixo dos carros que estavam do lado de dentro. A polícia impediu que (os vândalos) entrassem”, ressaltou.

Manifestantes pacíficos levaram bois até a Esplanada dos Ministérios e cartazes cobrando melhorias para o país. Mas pequeno grupo enfrentou a polícia e alguns acabaram encaminhados à delegacia (Breno Fortes/CB/D.A Press) 
Manifestantes pacíficos levaram bois até a Esplanada dos Ministérios e cartazes cobrando melhorias para o país. Mas pequeno grupo enfrentou a polícia e alguns acabaram encaminhados à delegacia

Com a chegada dos policiais, cerca de 400 pessoas deixaram o local e voltaram para as imediações da Rodoviária. De lá, fariam nova tentativa rumo ao estádio, mas foram impedidas novamente. A partir desse momento, o centro da capital viveu uma praça de guerra.

Rodoviária
Os manifestantes foram repelidos com bombas de efeito moral e de gás lacrimogêneo, lançadas no Eixo Monumental, na Via N1. Próximo à Torre de TV, jornalistas, fotógrafos e turistas também foram alvo dos policiais. Alguns profissionais da imprensa foram atingidos por spray de pimenta. Na correria, o fotógrafo da Reuters Ueslei Marcelino torceu o pé e foi conduzido pelos policiais para um hospital. Após a dispersão, os manifestantes desceram a Rodoviária, onde organizaram um protesto que parou o trânsito na plataforma superior por cerca de uma hora.

Próximo ao Conjunto Nacional, houve mais confronto quando um grupo de jovens, alguns deles mascarados, tentou se aproximar do shopping. A polícia revidou a ataques de paus e pedras com mais bombas, arremessadas quando muitos veículos ainda estavam parados por conta da barricada. Os motoristas tiveram que dar meia volta para escapar da confusão. Mais uma vez, o grupo se concentrou na plataforma inferior, com confrontos intensos entre a PM e os manifestantes. Comerciantes, nesse momento, correram para fechar seus estabelecimentos.

 (Breno Fortes/CB/D.A Press) 

No fim da tarde, um grupo de manifestantes desceu pelo Buraco do Tatu e voltou para a Esplanada. Lá, foram reprimidos pela força policial, que, mais uma vez, fez uso de bombas de efeito moral em frente ao Museu da República. Por volta das 18h, os poucos manifestantes que restaram foram assistir às apresentações programadas para a comemoração do Dia da Independência, com a presença do cantor Toquinho, da Orquestra Sinfônica de Brasília, entre outras atrações.

Desfile
Pelo menos pela manhã, durante o desfile, o clima foi de tranquilidade na Esplanada. Para garantir a segurança dos presentes, o tempo da parada militar foi reduzido. Além disso, o efetivo de policiais — 4 mil — foi, pelo menos, o dobro daquele deslocado no ano anterior. Ainda assim, a população não se animou e parte das arquibancadas — com espaço para 25 mil pessoas — ficou vazia. Segundo a PM, cerca de 5 mil pessoas transitaram pela Esplanada durante a manhã. A Secretaria de Segurança fala em 15 mil.

De acordo com a PM, somente cerca de mil pessoas estiveram no gramado do Congresso durante o protesto. “Esperávamos 30 mil”, disse o coronel Edilson Rodrigues, coordenador-geral do policiamento. Nem por isso, os presentes deixaram de reivindicar. A maioria, de forma pacífica. Observados por policiais, alguns homens fizeram uma limpeza simbólica da calçada lateral ao Congresso. Usaram um balde para pegar a água do local e esfregaram o chão com vassouras nas cores verde e amarela. Os manifestantes gritaram, sem avançar, à multidão de policiais. Pouco depois do meio-dia, os jovens começaram a dispersar, para seguir em direção ao Estádio Nacional de Brasília Mané Garrincha.

 (Carlos Vieira/CB/D.A Press) 

Na avaliação do secretário de Segurança Pública do DF, Sandro Avelar, não houve excesso por parte da polícia. “Mais uma vez, a PMDF agiu de forma equilibrada tecnicamente, atuando preventivamente contra tentativas de depredação e de invasão a estabelecimentos comerciais. Só agimos com energia maior quando não houve outra alternativa”, afirmou.

"Mais uma vez, a PMDF agiu de forma equilibrada tecnicamente, atuando preventivamente contra tentativas de depredação e de invasão a estabelecimentos comerciais. Só agimos com energia maior quando não houve outra alternativa”
Sandro Avelar, secretário de Segurança Pública do DF
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