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Confrontos e destruição no país

Protestos se espalham pelas cidades e manifestantes são repreendidos por policiais. Em São Paulo, vandalismo marcou os atos

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postado em 09/09/2013 10:00

Étore Medeiros , Diego Abreu

Ativista tenta se proteger do gás lacrimogêneo em frente ao Museu da República, em Brasília (Iano Andrade/CB/D.A Press) 
Ativista tenta se proteger do gás lacrimogêneo em frente ao Museu da República, em Brasília

O feriado em comemoração à Independência foi marcado por protestos de norte a sul do Brasil, como prenunciavam as redes sociais nas últimas semanas. Sprays de pimenta, bombas de gás lacrimogêneo, balas de borracha, depredações e confrontos corporais deram o tom das manifestações que tomaram conta de pelo menos 17 capitais do país. Em Brasília, o ato que teve uma presença tímida na Esplanada dos Ministérios, pela manhã, desdobrou-se em violência nas proximidades do Estádio Mané Garrincha à tarde, quando a Seleção Brasileira enfrentou a Austrália.

Em São Paulo, os protestos também se intensificaram na parte da tarde e se prolongaram até a noite. Com a participação dos chamados black blocs, que usam máscaras durante as passeatas e utilizam violência, manifestantes quebraram vidros da Câmara Municipal. Dois ônibus da Tropa de Choque foram para o local e policiais lançaram bombas de gás na tentativa de dispersar o grupo. Famílias com crianças que acompanhavam os protestos entraram em pânico com o tumulto que se formou. Um rapaz ficou ferido e um policial também se machucou no confronto. Ele foi socorrido por uma ambulância.

Um policial militar chegou a disparar o revólver duas vezes contra o chão depois de ser encurralado por manifestantes que atiravam pedras contra ele. Testemunhas afirmaram que o tiro ricocheteou e atingiu o queixo de um fotojornalista, que teve ferimentos leves. Na região da Avenida Paulista, agências bancárias foram depredadas e pichadas e muitos orelhões, destruídos. Na região da Praça da Sé, pelo menos quatro manifestantes foram atropelados, dois deles com possível fratura no pé.

Durante o desfile cívico, pela manhã, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) foi vaiado por um grupo de policiais civis e militares, no Sambódromo do Anhembi. Liderados pelo deputado estadual Olímpio Gomes (PDT), que é major, os policiais também exibiam faixas de protesto. Alckmin não demonstrou qualquer reação quando Gomes, aos gritos, o questionou sobre o suposto cartel do metrô da capital paulista, cobrando a instalação de uma CPI na Assembleia Legislativa para investigar o esquema de corrupção.

Manifestantes do Black Blocs atacam viatura policial em São Paulo: pânico na capital paulista (Nelson Almeida/AFP) 
Manifestantes do Black Blocs atacam viatura policial em São Paulo: pânico na capital paulista

Transparência
Na capital paulista, também houve espaço para manifestações pacíficas. O Grito dos Excluídos, passeata de movimentos sociais que ocorre há 19 anos em todo o país durante a Semana da Pátria, passou pela Avenida Paulista e seguiu até a região do Parque do Ibirapuera, sem confrontos com policiais ou atos de vandalismo.

Outros grupos fizeram protestos nas proximidades da Avenida Paulista, também de forma tranquila. Muitos vestiam camisetas amarelas e carregavam cartazes cobrando transparência e honestidade dos políticos. Os manifestantes gritavam contra o deputado federal Natan Donadon (sem partido-RO), condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e atualmente preso no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília.

Eles também clamaram por educação de qualidade e contra a violência policial. Houve até quem pedisse a intervenção militar no país. Por volta das 19h, o grupo entrou em um impasse sobre para onde seguiria. Uma parte queria ir para Avenida 23 de Maio. Com a recusa da outra parte, gritaram: “Deixa de preguiça, São Paulo não é só a Paulista!”.


2 mil
Quantidade de pessoas que, segundo a PM, estavam no ato pouco antes do confronto na Câmara Municipal de São Paulo
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