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Tumulto, prisões e feridos no Rio

Sem a presença do governador e do prefeito, festejos da Independência são marcados por confusão na capital fluminense

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postado em 09/09/2013 10:00

Confronto nas imediações do desfile assustou a população que assistia à parada militar: polícia usa gás lacrimogêneo para dispersar manifestantes (Ricardo Moraes/Reuters) 
Confronto nas imediações do desfile assustou a população que assistia à parada militar: polícia usa gás lacrimogêneo para dispersar manifestantes


Criança se apavora diante dos conflitos durante a cerimônia cívica (Yasuyoshi Chiba/AFP) 
Criança se apavora diante dos conflitos durante a cerimônia cívica

Ativista fantasiado de Batman: também houve espaço para irreverência (Ricardo Moraes/Reuters) 
Ativista fantasiado de Batman: também houve espaço para irreverência

Bandeira do Brasil com tinta vermelha, em alusão a sangue: violência no Rio (Yasuyoshi Chiba/AFP) 
Bandeira do Brasil com tinta vermelha, em alusão a sangue: violência no Rio

Confrontos se repetiram ao longo do dia no Centro fluminense e na Zona Sul (Yasuyoshi Chiba/AFP) 
Confrontos se repetiram ao longo do dia no Centro fluminense e na Zona Sul


Pelo menos 27 pessoas foram detidas pela Polícia Militar no Rio de Janeiro durante os protestos que tomaram conta do Centro da cidade ontem. Os primeiros tumultos surgiram pela manhã, depois que manifestantes acessaram a pista lateral da Avenida Presidente Vargas, onde ocorreu o desfile cívico. Homens do Batalhão de Choque tentaram conter a multidão com bombas de gás lacrimogêneo. Famílias com crianças e idosos que assistiam à parada militar se assustaram com a confusão.

Ao longo do dia, vários protestos reuniram centenas de pessoas em vários pontos da capital fluminense, com saldo de 12 feridos. Nem o governador, Sérgio Cabral (PMDB), nem o prefeito, Eduardo Paes (PMDB), compareceram aos festejos do Sete de Setembro. Entre os feridos levados a hospitais do Rio, estão três homens atingidos por estilhaços, duas idosas que passaram mal devido ao gás lacrimogêneo, uma criança de 6 anos que sofreu escoriações e quatro manifestantes feridos por balas de borracha. Não havia, até o fechamento desta edição, estimativa do número de pessoas que foram às ruas.

Entre os detidos encaminhados a delegacias, havia um adolescente e uma mulher. A maior parte das prisões foi por posse de spray de pimenta, desacato, resistência, desobediência e lesão corporal. Manifestantes mascarados também foram encaminhados para distritos policiais, abrindo uma discussão sobre o entendimento da ordem judicial expedida pela 17ª Vara Criminal do Rio sobre o uso de máscaras. A polícia sustenta que, segundo a determinação, qualquer manifestante com o rosto coberto deve ser encaminhado para a delegacia. Advogados dos manifestantes classificaram as prisões de arbitrárias, alegando que os clientes se identificaram às autoridades policiais.

Um dos momentos mais tensos dos protestos se deu na Avenida Presidente Vargas, quando manifestantes mascarados conhecidos como Black Blocs retiraram as bandeiras do Brasil, do estado e do município do Rio que ficavam no monumento a Zumbi. Em seguida, atearam fogo aos símbolos, substituindo-os por bandeira pretas. Pouco antes, um outro foco de confusão foi registrado durante a manifestação chamada de Grito dos Excluídos. O grupo caminhava pacificamente com cartazes pedindo saúde, segurança e punição aos corruptos, quando mascarados chegaram, atirando garrafas em agentes da polícia. Os militares revidaram com bombas de gás lacrimogêneo.

Outro ponto crítico se deu na Praça Tiradentes, no extinto 13º Batalhão da Polícia Militar, atingido por artefatos jogados pelos manifestantes. Em meio à confusão, a vidraça de uma agência bancária foi quebrada por uma pedra, iniciando um confronto entre a polícia e a população. Francisca de Assis Barbosa, 37 anos, ficou com a cabeça machucada. Ela disse ter sido atingida pelo cassetete de um policial militar. Três fotojornalistas e um repórter que trabalhavam durante os protestos no Rio também ficaram feridos.

Bomba

Sobre o tumulto que assustou a população que assistia ao desfile no Rio, o Comando Militar do Leste (CML) negou que tenha havido invasão de manifestantes na pista por onde passavam os militares. Segundo o coronel Roberto Itamar, assessor de imprensa do CML, uma bomba chegou a ser jogada próxima ao palanque, levando o Exército a fazer um cordão de isolamento. Com a confusão, os militares abriram as grades da arquibancada para que as pessoas pudessem deixar o local, antes mesmo de a cerimônia acabar.

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Quantidade de pessoas feridas nos protestos do Rio segundo balanço parcial, divulgado às 17h de ontem
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