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CIêNCIA »

Fronteira ultrapassada

Estudo da Nasa afirma que a sonda Voyager 1, lançada há 36 anos, deixou o Sistema Solar e chegou ao espaço interestelar. O feito, inédito, teria sido alcançado em 25 de agosto do ano passado, indica nova análise

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postado em 13/09/2013 16:00

Novos dados da sonda Voyager 1, divulgados ontem, podem encerrar a discussão que já perdura há alguns anos: o equipamento espacial, lançado há 36 anos, ultrapassou os limites do Sistema Solar? As novas medições indicam que, sim, a Voyager 1 teria saído da heliosfera (bolha de partículas carregadas lançadas pelo Sol) e entrado em uma região fria e escura, conhecida como espaço interestelar. As novas informações mostram que a densidade do plasma ao redor da nave são condizentes com as previsões teóricas sobre como seria esse meio. Os pesquisadores acreditam que a passagem tenha acontecido em 25 de agosto de 2012.

Um dos cientistas responsáveis pela Voyager 1, Edward Stone afirmou que, com os novos dados, publicados na revista Science, pode-se acreditar que, de fato, a sonda alcançou o feito e tornou-se o primeiro objeto construído pelo homem a deixar a área de influência do Sol. “Agora que temos novos dados, acreditamos que esse é o salto histórico da humanidade para o espaço interestelar”, afirmou. “Agora podemos responder a questão: ‘Já chegamos lá?’ Sim, chegamos.”

O debate sobre a localização da Voyager dura quase uma década. Em 2004, alguns especialistas chegaram a afirmar que ela já tinha saído da heliosfera. A Nasa, à época, desmentiu a informação. Em março deste ano, o astrônomo da Universidade do Estado do Novo México Bill Webber afirmou que acreditava que a sonda tivesse chegado ao espaço interestelar. “Eu analisei a interação da Voyager 1 com as partículas, e ficou evidente que a sonda cruzou de uma região do espaço para outra. Não há dúvidas disso”, disse, na ocasião, em entrevista ao Correio.

Em junho, no entanto, três artigos assinados pela equipe responsável pela sonda, também publicados na Science, afirmavam que a nave não havia ultrapassado a fronteira. Os pesquisadores argumentavam que os dados que chegavam da Voyager mostravam que não havia mudança na direção do campo magnético, algo esperado pelos estudos teóricos.

Os dados atuais também não permitem afirmar que uma mudança no campo magnético em torno da Voyager 1 tenha acontecido. Entretanto, as informações sobre a densidade do plasma ao redor da sonda serviram para que cientistas da Nasa, enfim, afirmassem que o equipamento não está mais no Sistema Solar. Os pesquisadores descobriram que a sonda se encontra em uma região do espaço em que a densidade de elétrons é de 0,08 por centímetro cúbico, o que confirmaria a chegada no meio interestelar. De acordo com os modelos teóricos, a densidade nessa região oscilaria entre 0,05 e 0,22 por centímetro cúbico.

Algumas observações mais antigas foram revisadas pelos pesquisadores e mostraram que, entre 23 de outubro e 27 de novembro de 2012, a densidade de elétrons em torno da sonda estava em 0,06 por centímetro cúbico, uma oscilação similar à encontrada este ano. Responsável pelo sensor de ondas de plamas da Voyager 1, Don Gurnett afirmou que os cientistas se surpreenderam com os dados. “Claramente, havíamos passado pela heliopausa, a fronteira hipotética entre o plasma solar e o interestelar.”

Os novos dados sugerem que as mudanças de densidade dos elétrons em volta da Voyager 1 foram detectadas pela primeira vez em 25 de agosto de 2012. O diretor de ciência da Nasa, John Grunsfeld, chamou o fato de um dos maiores feitos tecnológicos da história da ciência. “Talvez , no futuro, exploradores do espaço profundo alcancem a Voyager, nossa primeira enviada interestelar, e refiltam como essa intrépida nave espacial ajudou nessa jornada.”
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