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"Eu não sou otário. Faria de novo", afirma Feliciano

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postado em 18/09/2013 16:00 / atualizado em 18/09/2013 11:30

Adriana Caitano

Em reunião na noite de ontem, a Frente Parlamentar Evangélica da Câmara dos Deputados apoiou a prisão de duas ativistas que se beijaram em um culto religioso conduzido pelo deputado Pastor Marco Feliciano (PSC-SP) no último domingo. A preocupação da bancada é de que a manifestação se repita em outros templos. O grupo prepara um ato público em repúdio ao que ocorreu, mas não comentou sobre a forma como as jovens foram levadas pela Guarda Municipal de São Sebastião (SP). Em depoimento, elas contaram que foram agredidas pelos agentes. Alguns parlamentares consideraram a ação de Feliciano arbitrária, por ter ordenado que a dupla fosse algemada, mas ele garante que faria tudo de novo.

A bancada evangélica concordou com o argumento de Feliciano de que Yunka Mihura, 20 anos, e Joana Palhares, 18 anos, infringiram o artigo 208 do Código Penal que pune com detenção de até um ano quem “impedir ou perturbar cerimônia ou prática de culto religioso”. As jovens, porém, acusam o pastor de abuso de autoridade e de agir contra a liberdade de expressão.
Nas imagens do evento já divulgadas, Feliciano se irrita quando vê as duas se beijando. “A Polícia Militar que aqui está, dê um jeitinho naquelas duas garotas que estão se beijando. Aquelas duas meninas têm que sair daqui algemadas”, ordenou, ainda pedindo que os fiéis não reagissem. “Ignorem, cachorrinho que está latindo é assim, você ignorou, ele para de latir.”

Nas imagens, as duas aparecem sendo carregadas à força por guardas municipais. Já na delegacia, elas afirmaram que os agentes as levaram para debaixo do palco e agrediram Joana, que chegou a exibir hematomas no braço. O advogado das jovens, Daniel Galani, disse que processará o pastor e pedirá que a atuação arbitrária dos guardas municipais seja punida. “Foi uma afronta gravíssima aos direitos humanos e ao direito à livre expressão”, afirmou. A prefeitura de São Sebastião garante que investigará se houve excessos na prisão.

De acordo com assessores de Feliciano que estavam no evento, no entanto, as duas jovens haviam subido nos ombros de amigos e teriam tirado a blusa antes do beijo. “Eu apenas estava protegendo as famílias presentes e dei voz de prisão como qualquer cidadão comum pode fazer quando vê um crime sendo cometido”, argumentou o pastor. “Se eu fico quieto, sou humilhado. Se eu uso a lei, sou arbitrário. O que eu faço? Vou ficar apanhando como um otário? Eu não sou otário. Eu faria de novo e farei sempre que for preciso. Não vou me calar, não me envergonho da minha fé.”
Integrantes da Frente Parlamentar em Defesa dos Direitos Humanos se reúnem hoje para decidir se reagirão à ação de Feliciano. “Não acho que um beijo viole a consciência religiosa das pessoas e não é a primeira vez que ele abusa de sua autoridade. Fez isso também quando impediu as pessoas de se manifestarem na Comissão de Direitos Humanos. É um hipócrita”, comentou o deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ). “A postura dele é de quem não sabe lidar com a diversidade, já que um protesto sobre o carinho e o afeto merece do pastor as algemas”, criticou a deputada Érika Kokay (PT-DF).

Deputados proibidos
de entrar no DOI-Codi

A deputada Luiza Erundina (PSB-SP) e seu colega de Câmara Ivan Valente (PSol-SP) tiveram suas entradas vetadas pelo Comando do Exército no prédio do extinto DOI-Codi, no Rio de Janeiro. A visita aconteceria na sexta-feira, mas deve ser adiada, segundo a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). “Infelizmente os ventos da democracia não sopraram no Exército brasileiro”, lamentou Wadih Damous, presidente da Comissão Nacional de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil e da Comissão da Verdade do Rio.
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