Jovens reclamam de falta de recursos para mídia alternativa

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postado em 18/09/2013 11:40 / atualizado em 18/09/2013 11:43

Agência Câmara

Um jeito diferente de produção cultural e de jornalismo. É assim que trabalham dois grupos de jovens: o Fora do Eixo e o Mídia Ninja, sigla para Narrativas Independentes Jornalismo e Ação. Esses movimentos foram tema de um debate promovido nesta terça-feira na Comissão de Cultura da Câmara.


Eles ficaram conhecidos durante as manifestações de junho e julho porque mostraram um ponto de vista dos protestos diferente do dos grandes veículos de comunicação. Do meio da multidão, transmitiam as movimentações ao vivo, pela internet. A qualidade do material é ruim, mas traz o calor dos fatos.


Para alguns especialistas, isso não é jornalismo, porque falta profissionalismo. Já para outros, como para a diretora da Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Ivana Bentes, é, sim, um novo fenômeno.


O jornalista Bruno Torturra, do Mídia Ninja, diz que essa nova forma de divulgar os acontecimentos democratiza a informação. "A gente vive potencialmente a idade de ouro do jornalismo. A gente vive em uma sociedade que se define pela troca de informação, pela leitura frequente, pelo acesso aos fatos. Muita gente, até das camadas mais populares, tem smartphone. E como é que a gente está aceitando a ideia de que o jornalismo está morrendo? Tem um abismo geracional gigantesco nisso."


O Mídia Ninja é voltado ao jornalismo. Ele se mistura com outro movimento mais direcionado à cultura, o Coletivo Fora do Eixo. Criado em 2005, em Mato Grosso, o Fora do Eixo reúne hoje cerca de 2.000 integrantes em todo o País. É uma rede que vive de arte, mesmo sem estar ligada a grandes patrocinadores ou morarem no Rio de Janeiro ou São Paulo.


Troca de serviços

Com pouco dinheiro, criaram moedas próprias e pagam parte das contas com troca de serviços. O sistema vem funcionando, mas na Comissão de Cultura da Câmara criticaram a forma como o governo trata a produção cultural. Dizem que há pouco dinheiro para incentivar a área e que tem sido mal distribuído, priorizando atrações famosas em vez dos pequenos produtores.


O integrante do movimento Fora do Eixo Pablo Capilé reclamou que o governo exige burocracia, “como prestação de contas, que os pequenos não conseguem cumprir”. Outro problema, segundo Capilé, é a distribuição desigual de incentivos. “A verba destinada ao Rock In Rio via Lei Rouanet [8.313/91] seria suficiente para manter o Fora do Eixo por 100 anos."


Na opinião de Capilé, é preciso criar mecanismos para tratar os diferentes de forma diferente. “Não dá para você achar que a perspectiva isonômica vai tratar o Itaú Cultural da mesma forma que trata o pequeno Ponto de Cultura."


Intensificar discussões

Para a presidente da Comissão de Cultura, deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ), movimentos sociais como o Mídia Ninja e o Fora do Eixo podem ajudar no trabalho do Legislativo para melhorar as áreas da cultura e comunicação. "Neste segundo semestre, a articulação com o movimento social ainda tem que se intensificar para que a gente consiga avançar em algumas pautas aqui muito difíceis. Uma delas é o orçamento, que é reclamação de todos, e a segunda é a democratização da comunicação."


Para a deputada, as discussões sobre produção alternativa de cultura e comunicação precisam ser intensificadas para que a Comissão de Cultura trace estratégias que ajudem a desenvolver os setores.

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