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Notícias de Marte

A revista Science publica série de artigos sobre as últimas descobertas do robô Curiosity. Entre os achados, a confirmação de que moléculas de água permitirão a futuros exploradores extraírem o líquido do solo

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postado em 27/09/2013 16:00 / atualizado em 27/09/2013 11:26

Roberta Machado

Desde que pousou em Marte, há mais de um ano, o robô-laboratório Curiosity, da Nasa, fotografou, escavou, furou, cozinhou e até atirou com raios laser em dezenas de amostras do solo do planeta. Graças ao seu arsenal de instrumentos científicos, o rover do tamanho de um carro utilitário já foi capaz de encontrar as provas de que, um dia, aquele local foi capaz de abrigar vida, além de fornecer incríveis evidências de que naquela terra ressecada já correram rios como os da Terra.

Cumprido o objetivo principal da missão, o veículo exploratório continua a atravessar a Cratera Gale em direção ao Monte Sharp, onde espera encontrar mais segredos do planeta. Novos resultados dessa jornada estão publicados na edição de hoje da revista Science, em uma série de relatórios sobre a composição geológica marciana. Os dados foram colhidos nos primeiros 100 dias de pesquisa e mostram as semelhanças entre o Planeta Vermelho e a Terra. Em algumas amostras, as assinaturas mineralógicas sugerem que Marte pode ter sido similar a lugares ricos como o Havaí ou a Ilha de Açores.

A primeira pedra examinada nessa missão, por exemplo, mostrou ser muito parecida com rochas vulcânicas típicas de ilhas e zonas de encontro de placas tectônicas da Terra. A composição química da amostra, destaca o estudo do exemplar, indica que ela pode ter sido formada em um local rico em água. O elemento essencial para a vida também se mostrou presente na areia analisada pela câmera química (ChemCam) do veículo, na qual uma quantidade grande de hidrogênio foi detectada.

A busca por marcas da história de Marte parece a procura por agulhas em um palheiro que foi muitas vezes revirado e varrido durante milhões de anos. As amostras encontradas se revelaram de várias origens, o que dificulta a construção da linha do tempo que levou o planeta a ser o que é hoje. “A composição química, a mineralogia e as propriedades físicas do solo marciano, e mais especificamente de duas frações não consolidadas, são indicadores da erosão, da alteração química e dos processos de mistura que modificaram a superfície do planeta”, explica Pierre-Yves Meslin, da Universidade de Toulouse, na França.

Mas o processo de evolução geológica mantém pistas ocultas que podem ser observadas em nível molecular. É o caso dos gases encontrados por pesquisadores que tiveram de aquecer porções de areia do planeta a mais de 800ºC para encontrar elementos que indicam que o solo um dia foi úmido e fez parte de um ciclo de água em conjunto com a, hoje, quase inexistente atmosfera de Marte. “Encontramos muita água (no nível molecular). Para mim, essa é uma das descobertas mais fascinantes. Cerca de 2% desse solo é água”, anima-se Laurie Leshin, reitora da Escola de Ciências do Rensselaer Polytechnic Institute, dos Estados Unidos.
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