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A trilha da arte

Trupe de artistas sai estrada afora para visitar escolas públicas de núcleos rurais, levando teatro, circo e música

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postado em 07/11/2013 13:56 / atualizado em 07/11/2013 16:04

Ana Paula Lisboa

Antonio Cunha
Tudo ganha cor e alegria quando um miniônibus branco, cheio de desenhos, aparece na escola. Lá dentro, estão os integrantes da Cia. Os Buriti, prontos para apresentar e ensinar muita coisa legal com roupas e maquiagens multicoloridas. O grupo faz o carro de casa e cai na estrada para seguir viagem de colégio em colégio. Em cada parada, os artistas passam quatro dias e ministram oficinas de circo, música e contação de histórias para todos os alunos.

 

Na primeira caravana de arte e educação, em 2010, a equipe percorreu 3,5 mil km, visitou 10 municípios de Goiás e Mato Grosso e ministrou 150 oficinas, em 24 instituições de ensino, para mais de 5 mil crianças. A segunda caravana começou em 2012 em cidades do Distrito Federal. A meta é visitar 12 Escolas Classes. A 11ª contemplada foi a Escola Classe do Núcleo Rural do Riacho Fundo, a pedido da professora de educação integral Silvia Viana. A última parada será na Escola Classe Sonhém de Cima, no Núcleo Rural de Sobradinho, que termina na próxima terça-feira.


Quem faz?
A Cia. Os Buriti de Teatro e Dança surgiu em 1996 com Eliana Carneiro, 50 anos. Ao longo de 17 anos, os integrantes da equipe mudaram, mas sempre giraram em torno do núcleo familiar dela. Uma das primeiras integrantes é a filha, Naira, 24. Aos 6 anos, Naira pediu para entrar em cena e cresceu se aperfeiçoando no universo artístico. Ela atua, toca e confecciona figurinos. O outro filho de Eliana, Guian, 14, também integra o grupo e participa dos espetáculos.


Antonio Cunha
Os palhaços e acrobatas Léo Leal e Isa Flor, os professores de música Daniel Pitanga e Carlos Frasão, e o fotógrafo Nilo Santos compõem o restante do grupo. Daniel é marido da Naira, enquanto Nilo é sobrinho da Eliana. Todos, com laço de sangue ou não, sentem que formam uma grande família ou tribo, já que o nome da companhia é uma homenagem aos índios Buriti. Para mais informações, acesse www.osburiti.com.br.

 

Aula diferente
As oficinas são também espetáculos. Começam com a apresentação dos artistas que passam a ensinar as crianças. No fim, os alunos também fazem parte do show coletivo. Na de contação de histórias, Naira e Eliana chegam sapateando e, a partir de brincadeiras, contam histórias com objetos guardados dentro de malas de viagem. Quando chega a hora do lanche, a dupla prepara chá de alecrim para a garotada. “Chá para espantar os males do corpo e histórias para curar o coração e alimentar a imaginação”, explicam Naira e Eliana na hora. Por fim, o grupo constrói histórias em conjunto.


Na oficina de música, Daniel Pitanga e Carlos Frasão adentram a sala de aula tocando sanfona, violão e percussão e entregam instrumentos à garotada para eles acompanharem. Na de circo, Léo Leal e Isa Flor se apresentam com malabarismo e equilibrismo e ensinam palhaçadas e saltos como o ‘sapo’ e o ‘jegue’.

 

A descoberta 

Eliana acredita que, quanto mais cedo uma criança se inicia no mundo da arte, melhor:
— Com a arte, a criança descobre mais sobre sim mesma, aprende a colaborar e a respeitar as diferenças. Teatro, música e outras habilidades artísticas podem ser aprimoradas infindavelmente. Espero que o nosso trabalho gere novos artistas ou simplesmente ajude a formar adultos mais criativas e equilibrados.


Naira, que virou artista na infância, concorda com a mãe:
— A arte é um mundo mágico para a criança. Para mim, foi uma experiência maravilhosa fazer espetáculos com a minha mãe por toda a vida. A arte se tornou cotidiana.


Na Escola Classe do Riacho Fundo, os alunos Pedro Henrique Anunciação, 8 anos, Jhully Gabriely da Silva, 11, Danyllo Maycon Meireles, Rafael Lima, Maria Vera de Morais e Jussara Freitas,10, participaram de oficinas com a Cia. Os Buriti.
Jhully nunca foi a um circo, mas aprendeu a fazer vários movimentos circenses:


— Pratiquei meu equilíbrio com estrelinha e saltos. É difícil, exige muita habilidade, mas é divertido.
Danyllo já sabe que não é moleza:


— O homem e a mulher da oficina chegaram fazendo palhaçada e tocando flauta. Eles mostraram que é preciso ter confiança nas pessoas nos espetáculos. Não é nada fácil. Se fosse fácil, todo mundo estaria trabalhando em circo.
Jussara explica o que aprendeu na oficina:


— Toquei uma flauta de madeira e dei saltos com nomes de animais. No salto do jegue tem que colocar as pernas para o alto e segurar o peso do corpo com as mãos. Já, no movimento do sapo, é para ficar com o corpo todo reto.


Na oficina de contação de histórias, Pedro Henrique ajudou a inventar histórias com personagens como um jacaré:
— Fizemos brincadeiras com bonecos, mexemos com fantoche, inventamos uma fábula juntos e, depois, tomamos chá. Foi tudo muito bom!

 

 

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