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Emprego perde força e cai 55%

O mês de outubro reduz pela metade a geração de vagas formais. O setor de serviços tem o melhor desempenho

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postado em 22/11/2013 16:00

Antonio Temóteo

A geração de empregos formais no Brasil caiu 55,05% em outubro, quando foram criados 94.893 postos, segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho — em setembro, o saldo positivo foi de 211.068 trabalhadores com carteira assinada. Apesar do resultado negativo, a quantidade de vagas absorvidas pelo mercado foi 41,65% superior à do mesmo período do ano passado.

De janeiro a outubro de 2013, a criação de oportunidades chegou a 1,46 milhão, um aumento de 18,29% em relação ao mesmo intervalo de 2012, período que teve 1,23 milhão de novos postos. O recorde para os 10 primeiros meses do ano foi registrado em 2010, quando o saldo positivo foi de 2,47 milhões de chances abertas.

Mesmo com o crescimento na geração de postos em outubro ante o mesmo mês do ano passado, o indicador ficou abaixo de 100 mil vagas, como ocorreu em 2003, 2008 e 2012. Nos três primeiros anos após a crise de 2008, a quantidade de novas vagas ficou acima desse patamar — 2009 (230.956), 2010 (204.804) e 2011 (126.143).

Os dados do ministério indicam que o setor de serviços lidera a criação de empregos formais de janeiro a outubro deste ano: 594.307 postos abertos, contra 644.155 no mesmo período de 2012. Em seguida, vem a indústria de transformação, responsável por absorver 320.386 profissionais — nos 10 primeiros meses de 2012, foram 76.666. O terceiro setor que mais criou vagas foi a construção civil (207.787 novos postos ante 138.799 em 2012).

Produtividade
O economista José Márcio Camargo, da gestora de recursos Opus, avaliou que os dados do Caged não são uma surpresa, dado que, em 2012, o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu apenas 0,9% e, assim, o país gerou poucos empregos. Para ele, a criação de vagas deve cair lentamente nos próximos meses, já que a economia não dá sinais de retomada do crescimento, e a inflação continua a corroer o poder de compra dos brasileiros. “O aumento da taxa de desemprego deve ser gradual e pode ficar entre 5,8% e 6,0% em 2014”, destacou.

Para o especialista em mercado de trabalho Carlos Alberto Ramos, a expansão da atividade depende do aumento de produtividade dos trabalhadores. Ele ressaltou que, em um cenário de pleno emprego, não há mão de obra qualificada para ser absorvida, e taxas de crescimento do PIB de 4% só serão experimentadas se o trabalhador produzir mais. “A população cresce menos e os jovens passam mais tempo no sistema de ensino. Essas são algumas das variáveis que impedem o aumento da força de trabalho”, completou.
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