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Jovens precavidos

Especialistas alertam que é preciso saber controlar as finanças desde o começo da vida profissional

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postado em 25/11/2013 08:00 / atualizado em 24/11/2013 15:00

Carolina Mansur

Renato Weiel
Planejar a renda, poupar e pensar no futuro também são tarefas para os jovens que estão entrando no mercado de trabalho. Independentemente da idade, especialistas em finanças pessoais alertam: é preciso controlar o próprio dinheiro e quanto antes isso acontecer, melhor. Nesse período da vida, em que os anseios de consumo são maiores, o primeiro passo é abrir mão dos gastos supérfluos. Além disso, é indicado aproveitar a fase de menos despesas, já que muitos ainda moram com os pais, e investir 50% do salário na poupança. Para aqueles que têm renda mais apertada, no entanto, a aplicação pode começar em 5% ou 10% da remuneração e aumentar ao mesmo tempo em que o profissional cresce na carreira.

Estagiária do setor de tecnologia, Stella Vilaça, de 19 anos, controla bem as finanças. Em seu segundo emprego, ela já tem poupança e não passa um mês sem aplicar pelo menos a metade do salário. “Sempre tive o hábito de fazer listas quando ia viajar e levei isso para a minha vida financeira. Sei o quanto vou ganhar, quanto preciso poupar e o quanto posso gastar”, conta. “Por enquanto, tenho meus pais, que me ajudam a pagar a faculdade, mas não sei o que pode acontecer e por isso prefiro guardar”, acrescenta.
Entre os motivos para pensar no futuro, ela destaca o interesse em investir em um novo curso, fazer um intercâmbio ou apenas se precaver para alguma dificuldade.

De olho no futuro profissional, o publicitário Lucas Henrique Pinheiro Ramos, de 21, também economiza. “Comecei a trabalhar com 15 anos e minha mãe sempre me orientou para a importância de guardar para ter”, lembra. Além de pagar suas despesas fixas e as variáveis, ele consegue economizar de 20% a 30% do salário. “Sou rigoroso com poupança e não mexo no que tenho guardado. É como se fosse uma conta que tenho de pagar todo mês”, revela. Recém formado, ele conta que tem uma série de anseios e que usar o dinheiro guardado poderá ajudá-lo a conquistar um carro, uma casa e a estabilidade. “Depois disso, devo começar a pensar na aposentadoria”, diz.

De acordo com o educador financeiro e fundador da Academia do Dinheiro, Mauro Calil, é importante que, desde o primeiro salário, o jovem poupe para iniciar a construção de um patrimônio que o sustentará no futuro. Se ainda for solteiro e morar com os pais, Calil recomenda ao jovem poupar ao menos 50% da renda. “Se puder aumentar para 60% ou 70%, melhor”, afirma. Com as conquistas, como casa própria e a chegada da família, é interessante que os profissionais mantenham uma poupança de 30% da renda, nunca menor que 10%. “Isso acelerará a conquista da independência financeira”, garante.

Desafio

Sabrina Oliveira e Flávio Mesquita, da Horizontes Coaching, lembram que se organizar financeiramente exige disciplina, que consiste em abrir mão do prazer imediato para conseguir algo maior no futuro, e que esse é o maior desafio para as pessoas de 19 a 35 anos. “Compras por impulso com certeza vão desorganizar as finanças do jovem e impedi-lo de realizar seus objetivos a médio e longo prazos”, alerta Sabrina. Entre as dicas, eles destacam a importância de elencar objetivos financeiros a curto (um ano), médio (um a cinco anos) e longo prazo (mais que cinco anos), poupar uma quantia, ainda que pequena, para diferentes objetivos (veja quadro).

Ewerson Moraes, professor de finanças da IBS/FGV, alerta sobre a importância da educação financeira desde a infância e sobre a necessidade de se estabelecer um filtro no consumo. “Esse profissional consegue emprego ao sair da adolescência e entrar na vida adulta, momento que chamamos de época dos sonhos, e quer comprar o que não conseguia antes. No entanto, é preciso se precaver e imaginar o futuro”, diz. Para poupar, no entanto, Moraes lembra que é preciso ter um objetivo. “Quem não tem motivo acaba gastando o dinheiro. Se não quiser ter uma casa ou carro, que pense no futuro, em como quer estar financeiramente daqui a 20 anos”, comenta. Para começar a controlar o orçamento o professor indica a anotação dos gastos em planilhas e evitar compras por impulso, além de manter uma poupança com disciplina.

Embora a última preocupação dos que chegam ao mercado de trabalho seja se aposentar, o consultor do site de educação financeira do Mercantil do Brasil, Carlos Eduardo Costa, explica a necessidade de poupar com vistas a complementar a aposentadoria. “Com a expectativa de vida mais longa, o aposentado terá que viver mais tempo com a o benefício oficial, que tem se achatado. E a qualidade de vida custa muito”, considera.


Investimento
Para os jovens profissionais que começam a construir o seu capital, a poupança é o investimento mais indicado, já que não tem custo para o investidor. “Mesmo que não tenha uma remuneração alta, é um bom instrumento para juntar capital”, garante o consultor financeiro Carlos Eduardo Costa. “Quando tiver um montante maior, aí sim o melhor é procurar outras formas de aplicação que tenham custos e liquidez mais interessantes”, avalia.
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