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Parceria em favor do crescimento energético

Projeto conjunto entre Brasil e China, iniciado há quatro anos, começa a apresentar os primeiros resultados, como o desenvolvimento de uma forma mais eficiente de produção do biodiesel

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postado em 25/11/2013 16:00 / atualizado em 25/11/2013 11:05

Bruno Freitas /d

 


Belo Horizonte — Duas potências em franco desenvolvimento, Brasil e China têm se valido de importante acordo científico em busca de novos passos em inovação tecnológica. Fruto de uma cooperação acadêmica entre o Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe/UFRJ), maior centro de pesquisa de engenharia da América Latina, e a Universidade de Tsinghua, principal universidade chinesa na mesma área, o Centro China-Brasil de Mudança Climática e Tecnologias Inovadoras para Energia já alcança os primeiros resultados em prol de um dos maiores desafios do século 21: conciliar a produção de energia e a preservação da vida na Terra.

Estabelecido em janeiro de 2009 com apoio da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), o centro, sediado na Universidade de Tsinghua, em Pequim, onde mantém um escritório para coordenar atividades e estabelecer contatos com empresas potencialmente interessadas nas tecnologias, desenvolve atualmente seis projetos que vão da cooperação tecnológica e científica à formação de recursos humanos por meio do intercâmbio de pesquisadores, alunos e professores.

As iniciativas incluem veículos híbridos, o projeto Cidades Sustentáveis, a continuidade da cooperação nas áreas de biocombustíveis (a de biodiesel e a de etanol de segunda e terceira gerações já estão em andamento) e a expansão da cooperação em energia solar e eólica (veja quadro). Além disso, um relatório sobre tecnologia e inovação em três setores industriais chineses encomendado pela Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República foi concluído em meados de 2011.

Entre o fim de setembro e o início de outubro, o centro abordou as mais recentes perspectivas para pesquisas de biocombustíveis durante o 7º Simpósio Mundial de Bioenergia (World Bionergy Symposium 2013). O evento contou com visitas aos laboratórios da Coppe — a bordo do ônibus a hidrogênio H2+2, os pesquisadores conheceram o novo Laboratório Bioetanol, a planta de biodiesel, o tanque oceânico e o Maglev Cobra, trem de levitação magnética da Coppe. Na sequência, um grupo com 22 pesquisadores foi até Cruz Alta (SP) para conhecer uma usina de produção de álcool. Outro grupo, com nove palestrantes, visitou uma fábrica de biodiesel da Petrobras em Montes Claros, no norte de Minas Gerais.

“O projeto mais avançado é o teste do processo enzimático para biodiesel, tecnologia desenvolvida pela Universidade de Tsinghua que usa esse método em vez do procedimento químico de produção. Esse processo tem algumas vantagens, sobretudo na qualidade do produto, feito a partir de óleos mais ácidos”, explica Ilan Cuperstein. Representante da Coppe/UFRJ no centro, Cuperstein trabalhou em Pequim durante três anos e aponta outros projetos, como os de energia solar, solar-térmica e fotovoltaica, como as principais iniciativas em andamento.

Um dos primeiros projetos do Centro China-Brasil, a captura e armazenamento de carbono (CSS), contudo, não foi adiante por falta de suporte financeiro da empresa MPX, parte do conglomerado do empresário Eike Batista, uma das apoiadoras do centro. “A ideia era apontar parceiros tanto no mercado quanto na academia chinesa para a MPX desenvolver o primeiro projeto de CCS em plantas de carvão da América Latina. A visita gerou dois relatórios com detalhes sobre iniciativas desenvolvidas na China e recomendações de parceiros para cooperação”, conta Cuperstein.
 
Engenharia oceânica

Uma segunda pesquisa em estágio avançado é a produção de petróleo em águas profundas, em cooperação com a China University of Petroleum (CUP). Sete alunos chineses integram a Coppe/UFRJ para obtenção de doutorado no programa de engenharia oceânica. “O projeto terá especialmente teste de equipamentos usados em águas profundas simulando condições de pressão, temperatura e estresse”, aponta Cuperstein.

A previsão é que os testes ocorram num prazo de cinco anos. “Alguns pesquisadores do país passaram curtas temporadas em Pequim. Os cursos da CUP estão abertos aos brasileiros”, acrescenta o pesquisador, ressaltando que os resultados alcançados pelo centro são múltiplos. A equipe do Centro China-Brasil é composta por três pessoas na parte administrativa (duas no Brasil e uma na China) e quatro professores no conselho executivo. Outros 10 professores e 15 pesquisadores trabalham em projetos distribuídos entre as duas nações.
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