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TECNOLOGIA

Remédio aplicado dentro do olho

Pesquisadores da Universidade de São Paulo desenvolvem implante para tratar pessoas com doenças oftalmológicas. Biodegradável, o mecanismo é inserido na retina do paciente e se dissolve depois de seis meses, não sendo necessário removê-lo

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postado em 29/11/2013 14:00

Uma tecnologia que permite a aplicação de medicamentos diretamente na retina para tratar doenças que podem levar à cegueira, já utilizada com sucesso nos Estados Unidos, acaba de ganhar uma versão brasileira. Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) conseguiram criar esse tipo de implante, que, por ser biodegradável, é absorvido pelo organismo após seis meses, tempo suficiente para que o remédio termine de ser administrado. Com isso, o produto não precisa ser retirado, evitando que o paciente passe por um segundo processo cirúrgico.

Segundo Rubens Siqueira, oftalmologista do Serviço de Retina e Vítreo do Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (HCFMRP) e um dos envolvidos no projeto, a característica biodegradável do implante é uma melhora feita pela equipe brasileira em relação ao método que serviu de inspiração. “Quando começamos a pesquisa, existia um sistema não biodegradável disponível no mercado dos Estados Unidos para tratamento de inflamação da retina por citomegalovírus em pacientes com Aids. Tivemos, então, a ideia de usar esse sistema na oftalmologia, com a vantagem de ser biodegradável”, destaca.

Outras vantagens, segundo o médico, são o tamanho (a prótese brasileira é menor) e a possibilidade de aplicar diferentes tipos de drogas, o que amplia o número de males a serem combatidos. “O implante pode ser usado com diferentes medicamentos, como antibióticos, corticoides e imunossupressores, que serão escolhidos de acordo com o tipo de doença da retina”, explica Siqueira. “Atualmente, estamos usando mais o corticoide, adequado para várias doenças da retina, como uveíte (inflamação no olho), retinopatia diabética (doença da retina causada pelo diabetes) e oclusões vasculares da retina”, acrescenta. No primeiro teste, 10 pacientes receberam, com sucesso, um tratamento com dexametasona, anti-inflamatório oftálmico muito utilizado.

O método ainda não tem custo definido, mas o pesquisador adianta que um dos objetivos principais do novo implante é fazer com que o tratamento seja uma opção econômica para as pessoas que sofrem com as doenças oculares. “Um implante similar nos Estados Unidos custa por volta de R$ 2,5 mil. Obviamente, o nosso, por ser com tecnologia nacional, será mais barato, com potencial de uso no sistema público”, diz. Também está nos planos da equipe da USP o uso de implantes semelhantes em outros órgãos do corpo e também para tratamentos veterinários.

Mais conforto
Para Andrea Barbosa, oftalmologista e professora assistente do Hospital Universitário Pedro Hernesto, da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), a nova tecnologia chega em uma boa hora. “Esse implante é conhecido nos Estados Unidos e tem sido utilizado com sucesso. Acredito que uma iniciativa como essa poderá nos ajudar a incorporar essa nova técnica, principalmente com custos mais baratos, já que esses implantes importados custam muito caro”, avalia.

A médica também acredita que o método vai facilitar a aplicação do medicamento tanto para os oftalmologistas quanto para os pacientes. “Pode ser menos trabalhosa, o paciente não vai precisar ir várias vezes ao consultório, já que o remédio dura seis meses e, depois, não precisa ser retirado cirurgicamente. Isso diminui os inconvenientes e traz mais conforto a quem sofre com essas doenças”, destaca. “Outro ponto interessante é o uso de muitos medicamentos, pois, desse modo, podemos abranger um número maior de doenças e diversificar os tratamentos de problemas de visão com uma solução atual e eficaz”, complementa Barbosa.

Rubens Siqueira adianta que, após o término da primeira etapa de testes, existe mais confiança quanto ao implante. A novidade foi apresentada durante o Congresso Internacional da Sociedade Americana de Especialistas em Retina, em Toronto, no Canadá, este ano. A segunda etapa da pesquisa, prevista para janeiro de 2014, pretende contar com a participação de 50 pacientes. “Nessa primeira etapa, observamos que o implante é seguro e tem potencial de produzir efeito benéfico. Na fase seguinte, avaliaremos se é realmente eficaz”, detalha. “Também vamos compará-lo com outras modalidades de tratamento e determinar sua real vantagem”, adianta.


"Quando começamos a pesquisa, existia um sistema disponível nos Estados Unidos. Tivemos, então, a ideia de usar esse sistema na oftalmologia, com a vantagem de ser biodegradável”
Rubens Siqueira, oftalmologista do Serviço de Retina e Vítreo do Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto
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