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No crime por um diploma

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postado em 05/12/2013 14:00

Guilherme Paranaiba

Belo Horizonte — Parte da quadrilha presa na terça-feira pela Polícia Civil de Minas Gerais acusada de fraudar vestibulares de medicina em escolas particulares mineiras e fluminenses agia com o objetivo de levantar fundos ou benefícios para garantir as próprias vagas em cursos. Segundo as investigações, pelo menos três pessoas das 21 que foram detidas tinham a intenção de se tornar médicos. Elas participariam do esquema agenciando clientes para o bando, que cobrava de R$ 30 mil a R$ 150 mil por vaga, de acordo com a modalidade da fraude escolhida. Uma das pessoas presas já estava cursando medicina e duas ainda aguardavam oportunidade de começar os estudos ilegalmente.

De acordo com as investigações, uma mulher de 26 anos presa na operação tinha o sonho de se tornar médica e chegou a fazer prova em uma instituição, não revelada, com um celular escondido. Ela receberia o gabarito fornecido pela quadrilha, mas não conseguiu usar o equipamento. A mulher, detida pela polícia em Inhapim (nordeste de Minas), buscaria clientes para o grupo. Outro que participaria do esquema para levantar recursos e entrar na faculdade de medicina é um rapaz de 22 anos, preso em Ipatinga, no Vale do Aço. Há a suspeita de que outra mulher, de 26 anos, que cursava medicina na Faminas, em Belo Horizonte, tenha entrado de modo fraudulento na instituição. Ela foi presa em Ipatinga, na casa de parentes, e também é acusada de buscar clientes para o grupo criminoso.

Segundo o delegado Fernando Lima, chefe das investigações, os três exerciam o cargo de subcorretores na complexa hierarquia da quadrilha. Ele disse que o trio agia sob supervisão do funcionário público aposentado Quintino Ribeiro Neto, de 63 anos, preso em Itanhomi, no Vale do Rio Doce. “Ele viajava por todos os lugares onde houvesse a possibilidade de fraudar os vestibulares. Tinha energia de sobra para esse serviço”, declarou o delegado. De acordo com as investigações, ele contava com o apoio de uma filha e do marido dela, ambos presos em Governador Valadares. Outra filha dele é acusada de deixar a conta bancária à disposição do pai para lavar o dinheiro da atividade criminosa.

Oito pessoas foram presas no Rio de Janeiro por envolvimento no caso, entre elas, o ex-policial militar Jorge Rodrigues de Oliveira, 60 anos, expulso da corporação por receptação de carro roubado. Das 12 instituições de ensino investigadas, três são suspeitas de praticar a chamada venda de vaga direta. Por valores entre R$ 120 mil e R$ 150 mil, bastava o “cliente” fazer a prova que a vaga já estava garantida, independentemente do resultado.
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