SIGA O
Correio Braziliense

publicidade

Manhã de sonhos e esperanças com Noel

Os 153 estudantes da Escola Classe Lamarão, na área rural do Paranoá, tiveram um dia inesquecível. Os pedidos, levados ao Bom Velhinho por meio de cartas, foram atendidos, e a festa tão desejada transformou por algumas horas a realidade de uma região muito carente do DF

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS
Preencha todos os campos.

postado em 06/12/2013 14:00 / atualizado em 06/12/2013 11:02

Sheila Oliveira

Papai Noel dos Correios entre a criança da Escola Classe Lamarão: muitos alunos andam 30km para continuar os estudos (Marcelo Ferreira/CB/D.A Press) 
Papai Noel dos Correios entre a criança da Escola Classe Lamarão: muitos alunos andam 30km para continuar os estudos

O pátio de 40m² da Escola Classe Lamarão, na área rural do Paranoá, foi insuficiente para a festa que começou com a chegada do Papai Noel dos Correios na manhã de ontem. As caixas de presentes enfeitadas com papel colorido fizeram os olhos dos 153 alunos do Ensino Fundamental brilharem. Depois de ouvir o discurso da diretora e dos organizadores do evento e cumprir o tradicional rito de apresentação de canções natalinas, os estudantes formaram quatro filas indianas correspondentes ao número de turmas da instituição, que conta com apenas quatro salas de aula.

Na última fileira do 5º ano, estava a pequena Vanessa Paiendy Gomes, de 10 anos. Ela aguardava ansiosa por um carrinho de controle remoto cor-de-rosa de uma famosa boneca americana. O embrulho que recebeu das mãos do Papai Noel será o único presente de Natal deste ano. A filha mais velha de um casal de trabalhadores rurais da fazenda Figueira, localizada no Programa de Assentamento Dirigido do DF (PAD-DF), terá que dividir os cuidados e atenção dos pais com o irmão mais novo de apenas seis meses. “Eles estão sem dinheiro. No ano passado, também não ganhei presente, mas já acostumei. De vez em quando, ganho as bonecas usadas das minhas primas e, por isso, pedi o carrinho para brincar com as outras que tenho em casa”, contou.

Cartas ao Bom Velhinho: muitos dos pedidos foram acolhidos por pessoas comuns ou por servidores dos Correios ou de outros órgãos de governo. O intuito é propiciar alegrias às crianças (Marcelo Ferreira/CB/D.A Press) 
Cartas ao Bom Velhinho: muitos dos pedidos foram acolhidos por pessoas comuns ou por servidores dos Correios ou de outros órgãos de governo. O intuito é propiciar alegrias às crianças

O jeito tímido e assustado de Vanessa não esconde a realidade social da área rural do PAD-DF. De acordo com a diretora da Escola Lamarão, Maria Vanilda Vieira Amaral, 90% dos estudantes são de famílias carentes, que vivem com menos de um salário mínimo. “São filhos de trabalhadores rurais, que não têm condições financeiras de comprar presentes. Algumas crianças nunca ganharam um brinquedo novo”, afirmou Maria Vanilda.

Segundo ela, alguns alunos percorrem até 30km a pé todos os dias para chegar à escola. “Mesmo com todas as dificuldades de locomoção e financeiras, não há registro de evasão na nossa escola. Crianças e pais são comprometidos com os estudos e com a possibilidade de um futuro melhor”, disse a diretora da Escola Classe Lamarão.

Cartas ao Bom Velhinho: muitos dos pedidos foram acolhidos por pessoas comuns ou por servidores dos Correios ou de outros órgãos de governo. O intuito é propiciar alegrias às crianças (Marcelo Ferreira/CB/D.A Press) 
Cartas ao Bom Velhinho: muitos dos pedidos foram acolhidos por pessoas comuns ou por servidores dos Correios ou de outros órgãos de governo. O intuito é propiciar alegrias às crianças
Presentes
Entre os presentes mais pedidos pelos alunos da Escola Classe Lamarão estavam bicicletas, bonecas e patins. Mas diferentemente dos colegas, o estudante do 5º ano Wanghley Soares Martins, 10 anos, optou por um presente mais duradouro. “Pedi na carta para o Papai Noel dois livros do escritor Júlio Verner, sou fã de livros de fantasia. Já li alguns da biblioteca da escola, mas queria saber de mais histórias. Acho que eles podem ajudar na profissão que escolhi que é a arqueologia”, disse.

O Papai Noel dos Correios contempla as cartas de estudantes de escolas públicas de todo o país desde 2010 (leia Para saber mais). A Escola Classe Lamarão é uma das 21 instituições de ensino escolhidas pela Secretaria de Educação do Distrito Federal (SEE-DF) a participar da campanha Natal solidário dos Correios deste ano. Para isso, os estudantes foram orientados a escrever cartas endereçadas ao Papai Noel com o brinquedo que gostariam de ganhar. “Mesmo se tratando de estudantes carentes, fizemos questão de abordar o tema do consumismo consciente, os cuidados em ter somente aquilo que vai usar”, destacou Maria Vanilda.

Este ano, a campanha dos Correios distribuirá cerca de 12 mil presentes a crianças carentes e estudantes de escolas públicas do DF. Em 2012, o projeto contemplou 9,5 mil cartas e atendeu 19 instituições de ensino. As contribuições são doadas por voluntários na Casa do Papai Noel no Centro de Transporte Operacional da autarquia, próximo ao Palácio do Buriti. “As pessoas vão até essa central, escolhem uma carta e compram os presentes pedidos pelas crianças. Muitas correspondências são adotadas pelos próprios funcionários da empresa e de outros órgãos dos governos local e federal”, explicou o diretor regional adjunto dos Correios no DF, Jaime Gomes Cardoso. “Escolhemos duas ou três escolas para fazer a entrega dos presentes com festa e a presença do Papai Noel, como é o caso da Escola Classe Lamarão”, completou.

Ontem, os alunos da pequena Lamarão comemoraram os presentes, com exceção de Brenda Feitosa da Silva, 11 anos, estudante do 3º ano do Ensino Fundamental. Ela sofre de paralisia cerebral e desejava ganhar uma cadeira de rodas para ajudar no trajeto de casa para a escola, cerca de 200m, percorrido a pé com ajuda da mãe. “Nós conversamos sobre a possibilidade de ela ganhar uma cadeira de rodas, mas sabíamos que não seria algo fácil. É muito caro, mas quem sabe da próxima vez”, afirmou a mãe de Brenda, a dona de casa Maria Cleide Feitosa, 45 anos, que tem mais dois filhos de 13 e 25 anos. A família mora no núcleo rural do Paranoá e luta para sobreviver com um salário mínimo oriundo do serviço do pai, que é entregador. A família não tem condições comprar uma cadeira de rodas para Brenda. “Mas um dia Deus há de ajudar nossa família”, disse Maria Cleide.

PARA SABER MAIS ...

História de Nicolas

A história do Papai Noel surgiu no ano 300 a.C  em que um padre chamado Nicolas distribuía pequenos sacos de ouro nas chaminés das casas de famílias pobres durante o inverno. Ele vivia em local conhecido como Myra, atual Turquia. Os presentes caíam dentro de meias que estavam penduradas na lareira para secar, daí a tradição natalina de pendurar meias junto da lareira. Alguns anos depois, o padre tornou-se bispo e, por esse motivo, passou a vestir roupas e chapéu vermelhos e uma barba branca.
Tags:

publicidade

publicidade