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TECNOLOGIA

Exatidão nas oscilações cardíacas

Pesquisador da USP cria programa que usa dados de exames tradicionais, como o eletrocardiograma, para definir a variabilidade cardiocirculatória de pacientes. O software gratuito ajuda na prevenção de infartos e em outras complicações médicas

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postado em 13/12/2013 16:00

O risco de ter um infarto ou outras complicações cardíacas que demandam cuidados médicos imediatos preocupa médicos e pacientes. Uma medida importante para a prevenção desses problemas é o monitoramento da pressão arterial e da variabilidade circulatória. Pensando em simplificar e atualizar esse processo médico, um pesquisador da Universidade de São Paulo (USP) desenvolveu um programa de computador que realiza essas análises de forma mais exata e rápida do que outros aparelhos disponíveis. O software, batizado de CardioSeries, é disponibilizado gratuitamente na internet e pode ser usado em hospitais e laboratórios médicos.

Daniel Penteado Martins Dias, pós-doutorando do Departamento de Fisiologia da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, é o criador da ferramenta. Ele explica que o programa surgiu durante pesquisas no Laboratório de Fisiologia da faculdade. “Depois que fiz meu mestrado em fisiologia cardiovascular, vi que a quantidade de dados para analisar no dia a dia era enorme. Pensei em uma forma de simplificar isso e que me ajudasse a ter resultados mais confiáveis e rápidos”, explica.

Ao receber dados sobre a variabilidade cardíaca, o CardioSeries consegue calcular a média de batimentos cardíacos de um paciente. Essas informações que permitem o resultado são oriundas de exames tradicionais, como o eletrocardiograma. “Ao inserir esse número inicial, o programa utiliza um algoritmo que identifica e quantifica uma série de valores de pressão arterial e frequência cardíaca”, explica.

Segundo Dias, o sistema cardiovascular tem alguns mecanismos de controle que atuam, momento a momento, monitorando os níveis de pressão arterial e promovendo alterações na frequência cardíaca. O estudo da variabilidade cardiocirculatória permite a avaliação precisa desse controle. “Esses níveis são aquelas ondas que aparecem em monitores cardíacos. O CardioSeries faz o cálculo com essa base, só que de forma mais rápida e com mais exatidão, já que ele não é influenciado pelas flutuações, que são interferências que podem aparecer nesse monitoramento e provocar ruídos nos resultados.”

Outra vantagem é a possibilidade de monitorar distintas situações do paciente. “Podemos saber a variabilidade de quando alguém está em repouso ou realiza exercícios físicos, como uma corrida. Ao ter dados diferentes, é possível comparar e ter um parâmetro muito maior da situação cardíaca”, destaca.

Cautela
Cardiologista do laboratório Pasteur, Rafael Munerato avalia que o CardioSeries realiza uma tarefa importante para o monitoramento cardiovascular, mas ele acredita que o software deve ser usado de forma cuidadosa. “Ele   deve ser usado por quem tem conhecimento na área, temos que ter cuidado para que pessoas leigas não interpretem os dados de forma errônea e se atrapalhem com os resultados”, alerta.

Munerato explica que as variações cardíacas são responsáveis, por exemplo, por manter a pressão arterial, condição necessária para o bom funcionamento do órgão. “Ele atua como um relógio. Por isso, precisa de um monitoramento, principalmente quando a pessoa já tem problemas cardiológicos”, complementa.

Edison Migowski, cardiologista do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), também acredita que são necessários mais estudos a fim de comprovar a eficácia do CardioSeries. “O que foi chamado de variabilidade cardiocirculatória seria um conjunto de medidas que levam em conta as oscilações fisiológicas (naturais) da pressão arterial e a frequência cardíaca. Assim, é definida a integridade do sistema cardiovascular. Entretanto, a aplicação dessa ferramenta ainda carece de estudos que permitam o uso clínico dela.”

Atualizações frequentes
Ajustes no CardioSeries são feitos regularmente, segundo o criador da ferramenta, Daniel Penteado Martins Dias, pós-doutorando da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, da USP. “Vou aperfeiçoando frequentemente, uso, inclusive, sugestões de pessoas que já baixaram e me dão um retorno com o que as auxiliaria ainda mais”, conta. Os usuários fazem um cadastrado no site do programa. Há mais de 200 pessoas registradas, tanto do Brasil quanto no exterior, além de trabalhos científicos que utilizaram a ferramenta como base para estudos.

“Acredito que o CardioSeries pode ajudar as pessoas que sofrem com problemas cardíacos e as instituições que precisam realizar esse monitoramento e, dessa forma, prevenir possíveis complicações médicas geradas por problemas no coração”, avalia Dias. A disponibilização do programa foi, inclusive, resultado de pedidos recorrentes de outros pesquisadores. “Eles me pediam o programa porque viam que dava resultados mais rápidos e queriam agilizar suas pesquisas também. Quando percebi que estava se popularizando, comecei a pensar em atualizações.”

Cardiologista da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Edison Migowski reconhece a importância da ferramenta para os profissionais da área. “Sem dúvida, o desenvolvimento de um programa brasileiro sem custo servirá de auxílio a pesquisas, ajudando a compreensão dos mecanismos patológicos importantes, como acontece, por exemplo, no desenvolvimento de algumas arritmias potencialmente fatais.” (VS)

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