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TECNOLOGIA

Roupas computadorizadas

Feira de Las Vegas mostra que a integração de vestimenta e tecnologia ganhará impulso a partir deste ano, graças à fabricação de componentes cada vez menores. Além de óculos e relógios inteligentes, produtos como trajes que medem os sinais vitais do usuário devem chegar ao mercado

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postado em 10/01/2014 14:00

Roberta Machado

O Instabeat é um par de óculos de natação que mede os batimentos cardíacos (Instabeat/Divulgação) 
O Instabeat é um par de óculos de natação que mede os batimentos cardíacos

Entre os mais de 20 mil produtos apresentados no Salão Internacional de Eletrônica de Consumo (CES, na sigla em inglês), destacaram-se os dispositivos da computação vestível — aqueles que convertem acessórios em pequenas peças eletrônicas inteligentes. A miniaturização da tecnologia e as parcerias com especialistas em moda anunciados no evento, que termina hoje, finalmente dão sentido ao conceito high-tech. Até então, desfilar com um pequeno computador preso ao pulso ou à cabeça parecia ineficiente ou simplesmente esquisito. Mas, depois de conhecer os empolgantes lançamentos da CES deste ano, os visitantes da feira deixam hoje a fabulosa Las Vegas com a certeza de que a moda wearable chegou para ficar.

A semana teve início com o anúncio de um desafio proposto pela Intel: make it wearable (faça ser vestível, em inglês). A proposta é que engenheiros e designers de todo o mundo apresentem conceitos de acessórios e roupas inteligentes, que dispensem o uso de telas, botões ou plugues. O vencedor da competição, que deve ser anunciado ainda neste ano, será agraciado com um prêmio de US$ 500 mil.

Os inscritos são encorajados a criar projetos que tenham aparência interessante, sejam seguros e contem com uma bateria durável. Entre os exemplos dados pela Intel, estavam um fone de ouvido que monitora batimentos cardíacos, uma roupa de bebê que vigia os sinais vitais da criança, uma mamadeira que se aquece sozinha, um copo inteligente e o protótipo de um headset que abriga uma assistente pessoal conectada ao smartphone do usuário. Para abastecer a bateria desses dispositivos, o CEO da Intel, Brian Krzanich, simplesmente os colocou em uma tigela de carga wireless.

Para tornar os gadgets vestíveis uma realidade, a empresa oferece o microcomputador Edison. Do tamanho de um cartão SD, a máquina é baseada na tecnologia Intel Quark, tem suporte para múltiplos sistemas operacionais e é equipada com wi-fi e bluetooth. Krzanich também anunciou a colaboração da Intel com a casa de design e curadoria internacional Opening Ceremony, com a loja de artigos de luxo Barneys e com o Council of Fashion Designers of America.

As parcerias têm como objetivo tornar a tecnologia vestível atraente, também, para os consumidores que valorizam a moda e não querem prender um computador à própria roupa. “Os vestíveis não estão em todos os lugares atualmente porque ainda não estão resolvendo problemas reais nem integrados aos nossos estilos de vida”, disse Krzanich no evento. “Estamos focados em resolver esse desafio de inovação em engenharia.”

No pulso e na cabeça

De acordo com um relatório da empresa Juniper Research, o mercado de wearables deve movimentar US$ 19 bilhões até 2018, um número que contará com a ajuda dos relógios e dos óculos inteligentes. Os dois conceitos ainda não decolaram, mas lançamentos exibidos na CES mostram que pequenos fabricantes também se interessam em levar a computação para o pulso e a cabeça dos usuários, em designs menos ambiciosos, mas com um potencial igualmente poderoso.

Um ano depois do furor causado pelo Google Glass, Las Vegas foi tomada por óculos tecnológicos que podem não ter todas as funções oferecidas pelo produto da gigante da internet, mas são pensados para cumprir especialmente alguns tipos de tarefas, em uma interface mais limitada. Uma versão mais modesta do wearable visual é o GlassUp, um óculos que apresenta alertas de smartphones e algumas informações de aplicativos em um visor acima do olho direito do usuário.

A empresa Epson também apresentou seus óculos de realidade aumentada Moverio BT-200, que usam uma tecnologia de projeção LCD para uso em situações específicas, como acessório para jogos eletrônicos ou em um ambiente de trabalho. A XoEye, por sua vez, apresentou visores com microfones e uma câmera embutida de 5 megapixels, que pode registrar vídeos em HD ou mesmo compartilhar as imagens via streaming.

Os mais discretos podem gostar do iOptik, um produto divulgado pela empresa norte-americana Innovega. O protótipo exibido em Las Vegas consiste em um par de lentes de contato de realidade aumentada, que funciona como um microdisplay para a imagem projetada por um par de óculos especial. A invenção foi desenvolvida no ano passado para fins militares, mas, agora, a companhia apresenta uma versão das lentes adaptada para o grande público.

Foi no ano passado que o Pebble smartwatch roubou a cena na CES, como um acessório que facilita o acesso ao smartphone, mas cujo visual torceu o nariz de muitos consumidores. Em 2014, a empresa anunciou o novo modelo Pebble Steel, com um design mais tradicional, pulseira de couro, moldura de aço e Gorilla Glass (o vidro resistente usado nos iPhones). “Wearables são uma indústria em crescimento, então eu consigo imaginar os fabricantes tornando o design uma prioridade em seus pequenos dispositivos”, disse o designer da Pebble, Steve Johns, ao site The Verge.

Até as crianças já podem desfilar com um smartwatch. O modelo infantil Filip foi exibido na CES como um acessório de US$ 200 feito especialmente para os pequenos. Embora o preço pareça caro, os pais podem gostar da ideia de que o relógio só faça ligações para cinco números (a uma taxa mensal de US$ 10), mantenham os adultos atualizados da localização dos filhos e, claro, se mantenham firmes no pulso deles, em vez de serem esquecidos em um banco de colégio como acabam os smartphones entregues a crianças.

Fitness

A indústria fitness recebeu atenção especial dos expositores da CES, que anunciaram uma série de acessórios projetados especialmente para usuários que não desejam carregar grandes dispositivos durante a atividade física. De sensores que são encaixados dentro da sola do sapato até estimuladores musculares inteligentes, são vários os gadgets que prometem transformar o atleta profissional ou amador em um verdadeiro ciborgue.

Além dos fones de ouvido da Intel, outra opção para acompanhar as batidas do coração é o Instabeat, um monitor cardíaco combinado com óculos de natação. Os atletas também contam com uma série de pulseiras, clipes e outros tipos de monitores que registram com precisão as distâncias vencidas por caminhadas, corridas ou braçadas em uma piscina — alguns, como a pulseira Reign da empresa JayBird, dizem a diferença entre as três atividades. Outros, como o relógio de US$ 400 da Adidas Micoach Smartrun, se conectam aos telefones para mapear a corrida com a ajuda do GPS do aparelho.
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