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Insegurança fecha biblioteca

Servidores suspendem as atividades por um dia e avisam que estão dispostos a cruzar os braços por tempo indeterminado, caso as autoridades não tomem providência para coibir a violência, o tráfico e o uso de drogas na área do Complexo Cultural da República

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postado em 22/01/2014 10:07 / atualizado em 22/01/2014 10:09

Camila Costa

Antônio Cunha
Visitantes de Brasília e de outros estados do país que foram até a Biblioteca Nacional de Brasília Leonal Brizola ontem não conseguiram entrar. Como prometido, os servidores interromperam os trabalhos e não permitiram a entrada no monumento, em protesto à falta de segurança na área central dacidade. Segundo os profissionais, o problema se estende desde meados de 2013, mas tem piorado com a falta de policiamento. A venda e o uso de drogas não têm mais horário para acontecer e funcionários e visitantes da biblioteca têm ficado à mercê da violência. Sair e entrar no monumento só com a escolta dos vigilantes.


Mesmo assim não tem adiantado. Diariamente, os servidores são ameaçados. Um segurança não deve voltar a trabalhar no local porque foi jurado de morte depois de atingir com um tiro um traficante que tentou roubar sua arma, na noite do último domingo. O homem não se feriu gravemente, já está recuperado e voltou à área da biblioteca. “Só estamos com seis vigias na parte do dia e cinco, à noite. Até o ano passado, eram nove em cada turno, esse quantitativo é insuficiente e fica pesado para nós”, revelou um segurança, que prefere não ter o nome revelado. Segundo ele, os profissionais se revezam entre os andares, a saída, a entrada da biblioteca e a sala de monitoramento por vídeo. No horário de almoço, porém, os postos ficam vazios.


A dona de casa Marli Bastos, 58 anos, e a filha Celina Bastos, 24, vieram de Curitiba para passear pela cidade e não conseguiram conhecer a Biblioteca Nacional. Apesar do incômodo, as duas apoiam a atitude dos servidores. “Segurança está difícil e, hoje, não vamos poder visitar, mas esperamos que na próxima vez dê certo”, disse Celina. Um grupo de Recife também teve o passeio frustado. “É lastimável vir aqui com a família e perceber que o problema da capital do país é o mesmo que em qualquer lugar. Não adianta ser o centro do poder, sentimos a mesma insegurança”, disse a professora Gilvaci Rodrigues Azevedo, 53 anos.


As portas da biblioteca ficaram fechadas e cartazes foram colocados do lado de fora. Os servidores pedem iluminação no estacionamento, rondas policiais, um ponto fixo da polícia na Praça da Biblioteca e no Museu da República e a retirada dos traficantes e usuários de drogas do local. “Na semana passada, teve assalto à mão armada; bateram em um estudante; e, no domingo, o traficante foi baleado e mais duas meninas foram atingidas pelo tiro. Queremos um trabalho de policiamento preventivo, porque não é certo esperar que aconteça algo grave com alguém para agir”, afirmou um servidor que não quis revelar o nome por medo.

Traficantes
Outro problema é a utilização da biblioteca pelos traficantes. Por ser um monumento público, eles não podem ser impedidos de entrar. Nas últimas semanas, usuários de drogas têm utilizado o banheiro para consumir entorpecentes. “No meu último plantão, eu estava aqui e veio um homem me vender um laptop. Disse que era barato e que ele ficaria aqui testando a rede de internet sem fio. A gente não pode fazer nada, mas é um desrespeito à ordem”, disse um servidor que também prefere não revelar o nome. As visitas ao monumento serão retomadas hoje, segundo os funcionários. Segundo ele, a mobilização de ontem foi um aviso e os serviços podem ser interrompidos novamente e por prazo indeterminado.


Enquanto a reportagem esteva na biblioteca, uma viatura do 6º Batalhão de Polícia Militar apareceu no local.
A subsecretária de Políticas do Livro e da Leitura da Secretaria de Cultura, Ivanna Sant' Ana, explicou que a vigilância da biblioteca é apenas patrimonial e a segurança fora do monumento é feita pela polícia. Ivanna afirmou que, desde o ano passado, o serviço de inteligência da polícia já faz monitoramento do local para determinar como será a ação na região central. “Precisamos enfrentar esse problema junto com as secretarias de Segurança e de Desenvolvimento Social. Amanhã ( hoje) faremos reuniões em caráter de emergência para ver quais serão as providências.”

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