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Dia de festa na praça

Feira de trocas, com a participação de autores brasilienses, celebra os 145 anos do nascimento dos comics no Brasil

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postado em 30/01/2014 14:00 / atualizado em 30/01/2014 10:11

Guilherme Pera

A Samba é obra de Lucas Gehre, Gabriel Góes e Gabriel Mesquita 
A Samba é obra de Lucas Gehre, Gabriel Góes e Gabriel Mesquita


Em 30 de janeiro de 1869, o ítalo-brasileiro Ângelo Agostini publicou As aventuras de Nhô Quim, na revista Vida Fluminense e em O Mosquito. Desde então, os quadrinhos brasileiros passaram por diversas fases e meios de publicação, e consagraram uma variedade de autores. Para celebrar a data, quadrinistas e artistas gráficos brasilienses se reunirão, às 15h, na Galeria da Faculdade de Artes Dulcina de Moraes (SDS, Conic) para a Feira de Gibis, onde mostrarão (e deixarão à venda) o trabalho ao público.

Organizado pelo quadrinista, músico e escritor Evandro Vieira (o Evandro Esfolando), o evento serve para mostrar, além de trabalhos dos artistas locais, como é a cena brasiliense. Apesar de variada, é recente, ainda sem o espaço que Rio de Janeiro e São Paulo construíram ao longo dos anos, e composta, em maioria, por publicações independentes — seja em quadrinhos, seja em zines (meios mais rústicos, sem necessariamente usar quadros para contar histórias).

Um dos participantes é Lucas Gehre, fundador da revista Samba. O brasiliense mostra uma leitura bem pessoal da capital nos quadrinhos. “Gosto de ser um autor da cidade, o que a gente faz com a Samba rompe um pouco o mito da necessidade de ir à São Paulo ou ao Rio para ter espaço”, diz o artista.

O próprio Evandro Esfolando marca presença, com a Rock vs. comics (Veja quadro), na qual conta a vida de shows em quadros. A ideia é mostrar que o próprio artista esteve dividido entre o rock e os quadrinhos, optando por contar a história de um em outro. “Optei pelos comics acima da música há cinco anos”, lembra o autor de Esfolando ouvidos, obra sobre o rock hardcore em Brasília. “Organizo esse evento com base na experiência de feiras de publicações por todo o Brasil e para mostrar a cultura independente que temos na cidade”, complementa. A entrada é franca e a classificação indicativa livre.

Os traços candangos

Confira algumas das publicações e artistas que estarão presentes na feira.

 

Flagelos noturnos, de Mateus Gandara e Heron. A principal história é A promessa de Isaque, que relata a trama de amor entre um vampiro (Isaque) e uma humana (Aurora). “Os quadrinhos são minha vida e, neles, uso minhas influências de mangá”, diz Gandara. Preço da unidade: R$ 15.

 

Lo-Fi, de Pedro D’Apremont. Revista de quadrinhos independente de humor, que o autor diz adorar. “Comecei lendo Chiclete com banana, do Angeli. Hoje, leio muito Allan Sieber, todos adeptos de humor negro”, diverte-se o autor. Preço da unidade: R$ 15 (Lo-Fi #2) e R$ 10 (Lo-Fi #1).

 

Paint it black, do Coletivo Primitivas. Zine com temas relacionados ao underground, mas retratado com traços limpos. “A graça do formato de zine é a liberdade que se tem para compor a publicação tanto em termos temáticos quanto visuais”, diz Maisa Ferreira, ilustradora e idealizadora do zine, cuja unidade custa R$ 4.


 

QICO, de Verônica Saiki e Cátia Ana. O nome é uma abreviação para Quadrinistas Independentes do Centro-Oeste e reúne artistas da cena local. Assim como Samba, não trabalha com temas fixos. É um espaço de divulgação para os desenhistas do Planalto.

 

Rock vs. comics, de Evandro Esfolando. O músico e quadrinista conta as histórias que teve no rock, seja em shows de terceiros, seja com a própria banda, Quebraqueixo. Preço da unidade: R$ 15.

 

Samba, de Lucas Gehre, Gabriel Góes e Gabriel Mesquita. A publicação, na terceira edição, é constituída por antologias de quadrinhos autorais e independentes, com temas como humor, biografias, ficção realista ou de fantasia, entre outros, sem um eixo pré-estabelecido. Preço da unidade: R$ 35 (Samba #3
Evolução

Falar da história dos quadrinhos no Brasil é passar pelas diferentes fases da imprensa brasileira. No começo, as tiras foram limitadas a um pequeno espaço, com apenas uma publicação especializada para os quadrinhos: O Tico-Tico, fundada em 1905. Boa parte do que saía no papel eram adaptações de clássicos da literatura. Isso durou até 1930, quando os suplementos infantis de jornais começaram a dar espaço aos comics.

Em 1951, houve a primeira exposição internacional de quadrinhos no Brasil (em São Paulo) e começou o debate sobre o status artístico dos comics. Os anos 1960 marcaram uma revolução: é nessa época que surgem a Mônica, de Maurício de Sousa, e o jornal O Pasquim, que mudou a cara de imprensa brasileira, com nomes como Ziraldo, Millôr, Jaguar e Henfil.

Os anos 1970 foram marcados pelos quadrinhos infantis, com a explosão de vez da Turma da Mônica, que migrou das tiras para os gibis. Na década de 1980, surgiram Los 3 amigos — Angeli, Glauco e Laerte —, uma paródia western com temas brasileiros, e outras publicações dos mesmos autores, como Chiclete com banana (Angeli), Geraldão (Glauco) e Piratas do Tietê (Laerte). Os anos 1990 marcaram a explosão dos mangás e a influência dos japoneses nos artistas nacionais. O século 21 trouxe a presença da internet e do computador na confecção e publicação imediata de desenhos.

 

 
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