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O que as baianas têm?

Família chegou a Brasília há quase 25 anos, começou a vender produtos do Nordeste na rua e hoje comanda duas bancas na Feira do Guará, além de uma fábrica

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postado em 03/02/2014 10:40 / atualizado em 03/02/2014 10:41

Mariana Niederauer

Ana Rayssa
A família de Luiz Carlos de Jesus Santos, 63 anos, e Helena Ferreira Santos, 58, saiu de Feira de Santana (BA) no fim de 1989. O casal e os seis filhos vieram para Brasília em razão de uma oferta de emprego que o patriarca havia recebido. Pouco tempo depois, Helena disse ao marido que viajaria à Bahia e traria produtos típicos de lá para vender na capital federal. Descrente, Luiz Carlos não achou que a ideia daria certo, mas o projeto vingou e a Banca das Baianas garante o sustento da família até hoje.
As filhas Rita, 34, e Ana, 38, e a neta Daiane, 19, trabalham com a avó na venda dos produtos, na Feira do Guará. Luiz Cláudio cuida da fábrica da família e outros dois filhos ajudam na produção. Hoje, eles vendem entre 300kg e 400kg de massa de tapioca por semana e cerca de 250 pacotes de beiju. Entre os produtos, estão ainda coco ralado, azeite de dendê, rapadura e polvilho. Quem procura o sabor típico da Bahia encontra por lá. Para que o negócio se consolidasse, no entanto, foi necessário enfrentar muitos desafios, e o ritmo de trabalho é puxado até hoje. “Para entrar nesse ramo, é preciso ter coragem. Nós não temos concorrência, porque o serviço é muito pesado”, relata Ana. As quatro abrem as bancas às 8h e só deixam a feira às 19h.

Quando a família a Brasília, Helena conta que a principal dificuldade foi encontrar um proprietário que aceitasse alugar uma casa a um casal com seis filhos. Mas os desafios não terminaram depois que, finalmente, eles conseguiram se instalar na cidade. Ana e Rita dormiam com outros três irmãos em cima de caixas de papelão, apenas um deles tinha uma cama, que os pais haviam trazido da Bahia. “Passamos fome, sede e frio. Imagina um monte de crianças acostumadas com o calor virem aqui para Brasília e passarem o frio do meio do ano?”, lembra Rita. Helena chegou a dormir na porta do colégio para matricular as crianças. O material escolar quase sempre era incompleto, às vezes, elas não tinham caderno para escrever. Como precisavam trabalhar, em alguns dias dormiam menos de três horas para dar tempo de ir à escola, vender os produtos na feira e ainda fazer a lição de casa. Mesmo assim, todos os seis completaram o ensino médio.

Assim que chegaram, eles viviam apenas com a renda do pai, que veio para a cidade prestar serviço a uma marmoraria. Não demorou muito para que Helena decidisse começar a trabalhar também. Apesar de ter os seis filhos em casa, ela diz que não conseguia ficar parada, que sempre havia trabalhado com comércio e tinha certeza de que podia fazer o mesmo em Brasília. Começaram vendendo do lado de fora na feira, mas a fiscalização proibiu essa prática. Foi então que Helena conseguiu alugar metade de uma banca na feira para expor os produtos. Com o passar do tempo e o sucesso das vendas, Luiz Carlos decidiu deixar o emprego e ajudar no negócio. Eles conseguiram se mudar para uma chácara em São Sebastião, onde plantam mandioca e produzem farinha, exclusividade que atrai clientes pela massa de tapioca e pelo beijú frescos.

Desafios vencidos

Apesar de toda a dificuldade do início, Ana e Rita até se divertem com as histórias da época em que dividiam a cama no chão com os irmãos. “Era bom ter a família toda unida”, conta Rita. A única coisa de que as irmãs não sentem falta de jeito nenhum é das viagens de ônibus carregando a mercadoria para a feira. Luiz Carlos fazia amizade com os motoristas e contava com a boa vontade deles para esperar que descarragassem tudo. É por isso que a chegada do Opala usado e, depois, da Kombi velha foram um alívio, mas o carro às vezes deixava a família na mão e todos precisavam descer para empurrar.
Hoje, eles não têm mais dor de cabeça com transporte. Também juntaram dinheiro e compraram a primeira banca em que começaram a trabalhar na feira e ainda alugaram outra. Todo o esforço permitiu que a nova geração da família tivesse mais oportunidades. Ana e Rita valorizam a educação dos filhos e sempre reforçam para eles a importância de estudar. Helena comemora o sucesso dos três bisnetos e mais de 15 ne tos. A filha mais velha de Ana tem 18 anos e cursa biologia na Universidade Católica de Brasília (UCB). 
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