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Meninos "multam" e fazem sucesso na web

Incentivados pelos pais, três garotos entre 4 e 5 anos notificam condutores que cometem infrações, como estacionar em local proibido. A aula de cidadania tornou-se um viral

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postado em 14/02/2014 10:26 / atualizado em 14/02/2014 10:28

Breno Fortes
Três garotinhos em fase de pré-alfabetização se tornaram sucesso na internet por uma boa causa e estão dando boas lições para adultos em Brasília. No último dia 31, os irmãos Cauã e Iuri Decarle Lourenço, de 5 e 4 anos, respectivamente, e o amigo Lucas Fiuza Lima, 5 anos, deram uma aula de cidadania no Setor de Rádio e TV Sul. O trio distribuiu multas cidadãs para os carros que estacionam nas calçadas da região, o que atrapalha não só a passagem de pedestres como também de ciclistas. O vídeo da ação fez sucesso na internet até mesmo fora do Distrito Federal.

Durante a manhã de ontem, o trio fez uma segunda ação, na 708 Norte, próximo ao Centro Universitário de Brasília (UniCeub). Os meninos “multaram” carros que obstruíam a passagem da ciclovia e também os que estavam estacionados em local irregular. Vestido com uma fantasia de policial, Lucas levou nos bolsos um apito, um rádio de brinquedo e o bloco de multas. “A gente está multando porque esses motoristas bloquearam a passagem da bicicleta. É importante, eu achei bom multar”, contou. A brincadeira é séria: na multa de mentirinha, eles marcam a infração que o condutor cometeu, a hora e a data da notificação.

Traçando a caligrafia ainda incerta de quem está aprendendo a escrever, Cauã é firme na opinião de que as pessoas estão erradas ao bloquearem a ciclovia. “Dou a multa porque eles estão estacionados fora de lugar. Isso não é legal porque não deixam as bicicletas passarem. Os carros estão muito errados”, afirma. O menino não perde tempo para distribuir a multa solidária no corredor de carros parados em local proibido e não esconde a animação ao tentar ensinar adultos a serem cidadãos que consigam pensar no próximo.

A ideia é do pai de Cauã e Iuri, Uirá Lourenço, presidente da organização não governamental Rodas da Paz. Ele é amigo do pai de Lucas, Phillip Fiuza, e sugeriu que os dois levassem os garotos para uma ação solidária. “Queremos que eles exerçam a cidadania cada vez mais cedo. Eles veem essa situação de carros que invadem espaços públicos como calçadas e ciclovias. A tentativa é de sensibilizar os motoristas com esse recado de que somos nós, os cidadãos, que podemos fazer algo”, explica Uirá. As duas famílias optaram por usar bicicletas para se locomover pela cidade, e os garotos geralmente pedalam as próprias magrelas ou vão de carona com os pais.

Uirá conta que os filhos mal conseguiram dormir na noite de quarta para quinta-feira, tamanha a ansiedade pela ação de ontem. “Eles ficam doidos, não falam em outra coisa. Como eles mesmos vivenciam essas situações com os carros, têm a consciência de que o que estão fazendo é uma boa ação”, comenta. Com o interesse dos meninos pela atividade e a simpatia que eles conquistaram na internet, os pais planejam fazer uma ação por mês, em diferentes pontos da cidade.

Para que a ideia se concretize por completo, falta apenas que os meninos consigam contornar a timidez. “Quando estivemos na Asa Sul, vimos algumas pessoas chegando e estacionando em lugar proibido. Percebemos que alguns motoristas ficaram um pouco constrangidos, mas os meninos ainda não tiveram coragem de abordá-los”, lembra Uirá.

Conscientização

Crianças são, reconhecidamente, grandes fiscais dos adultos no trânsito. Não à toa o Departamento de Trânsito (Detran) sempre faz ações em escolas para a conscientização. Os pais dos garotos, no entanto, quiseram dar essa lição na rua. “Saímos da escola e partimos para a ação em campo. A atenção de uma criança é mínima, ela não consegue se interessar o tempo todo e absorver adequadamente uma peça de teatro educativa, por exemplo. Se eles participarem da mudança, sentem melhor a situação”, define Phillip, pai de Lucas.

Existe ainda uma questão cultural em Brasília que, segundo Uirá, deve ser mudada. “É preciso ter a opção de caminhar, pedalar ou usar um transporte público de qualidade, com conforto e pontualidade. Criar mais vagas na cidade apenas gera mais carros, porque quem antes preferia deixar (o veículo) em casa pensa que vai ter espaço e passa a dirigir”, explica.

Tipos

As infrações dos motoristas são anotadas em multas cidadãs, que Uirá Lourenço providenciou para os meninos. No papel, as infrações simbólicas entram nas categorias: estacionar em vaga reservada para pessoa com deficiência ou mobilidade reduzida, estacionar em frente a uma rampa de acesso, estacionar sobre a calçada e “outros”, que ontem os garotos marcaram como “estacionar em frente à ciclovia”.

Fenômeno

A ação passou a ser um viral. Trata-se de um fenômeno que tem grande poder de replicação na internet.
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