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A batalha de Lucas pela vida

Adolescente que sofre de bronquite obliterante precisa de respirador artificial. O aparelho será levado à sala de aula do estudante, em Planaltina, onde ele volta a estudar hoje. Garoto necessita de ajuda financeira para fazer transplante

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postado em 17/02/2014 16:00


Na escola de Arapoanga, o menino de 16 anos conta com a ajuda do diretor, Jordenes Ferreira (centro), que lutou na Justiça para o aluno conseguir estudar (Iano Andrade/CB/D.A Press) 
Na escola de Arapoanga, o menino de 16 anos conta com a ajuda do diretor, Jordenes Ferreira (centro), que lutou na Justiçapara o aluno conseguir estudar

 

Lucas e o balão de oxigênio: o garoto não perde o bom humor e a felicidade, apesar das dificuldades  (Iano Andrade/CB/D.A Press) 
Lucas e o balão de oxigênio: o garoto não perde o bom humor e a felicidade, apesar das dificuldades


Eram 11h da última sexta-feira quando um adolescente magro e com sondas no nariz entrou no Centro de Ensino Fundamental do Arapoanga, bairro pobre de Planaltina. Ao lado, a mãe, Irani Neres Santana, 37 anos, carregava um balão de oxigênio e uma mochila. Poucos passos dados, e o menino ficou ofegante. Apertou as mãos do porteiro, do segurança e seguiu pelo pátio da escola, recebendo beijos e abraços dos colegas, dos professores e das merendeiras. Lucas Neres Pereira, 16 anos, era só sorrisos. Sentiu-se amado e distribuiu afeto.

Mas o sorriso de Lucas, desta vez, tinha um motivo especial: o retorno ao colégio após seis meses sem estudar devido a uma doença grave conhecida como bronquite obliterante. Quando bebê, ele teve de retirar o pulmão esquerdo. O direito funciona com apenas 25% da capacidade. Para respirar, o jovem precisa usar um balão de oxigênio 24 horas por dia. Segundo os médicos, sem o aparelho, ele corre o risco de ter morte súbita.

O estudante do 9º ano do ensino fundamental caminhou pelo corredor até chegar à sala onde, hoje, às 7h, ele retomará as atividades escolares. Foi recebido com aplausos pelos colegas. O retorno só será possível graças à força de vontade do diretor do colégio, Jordenes Ferreira da Silva, que decidiu entrar na Justiça para garantir a instalação de um respirador em sala de aula. Ele assinou toda a papelada para garantir a manutenção do equipamento no local. Esta é a primeira vez que se tem notícia de uma medida como essa, pelo menos no Distrito Federal. “O convívio com os professores e alunos é uma terapia. Muitas vezes, o sorriso de um coleguinha trata mais que uma química ou um remédio”, acredita Jordenes, que chama Lucas de filho.

O jovem de 42kg sentou-se ao fundo. Ouviu as palavras do diretor na frente dos colegas. “Lucas não só estará conosco, como tenho certeza de que fará a formatura ao fim do ano e passará pelo tapete vermelho”, disse Jordenes aos alunos. Dona Irani não conteve as lágrimas. Pediu o apoio dos meninos e das meninas na conservação do aparelho e na acolhida do filho. O retorno de Lucas à escola na última sexta-feira foi simbólica, mas amanhã ele enfrentará a rotina de estudante, com aulas e intervalos programados. Apesar de ter direito a um ônibus escolar, o serviço não é garantido a ele e demais alunos especiais da região. O menino terá de ir caminhando com a mãe, um esforço que poderia ser evitado caso houvesse opções de transporte.

Lucas chegou a pesar 32 kg em setembro do ano passado, quando teve uma crise da doença. Graças ao empenho dos médicos, da determinação da mãe e das doações, ele resistiu. Apesar da fragilidade, o garoto esbanja alegria de viver. Lucas brinca, faz piada de si mesmo e tem o carinho de centenas de pessoas. “Ele fala que o corpo está doente, mas o espírito, não”, revela Irani. E Lucas vive intensamente. Adora postar fotos em uma rede social e recebe inúmeras curtidas. Sonha em fazer faculdade e ser policial. Mas, antes de tudo, o maior desejo do garoto é fazer um transplante de pulmão em Toronto, no Canadá. “Com a graça de Deus, eu tenho fé que vou conseguir”, disse Lucas, durante entrevista ao Correio.

Procedimento

No Brasil, os médicos divergem quanto a esse procedimento, que acabou negado duas vezes em Porto Alegre e São Paulo, em razão de o menino ter feito duas cirurgias para retirada do pulmão. Por causa da bronquite obliterante, o adolescente também desenvolveu hipertensão pulmonar, desnutrição e problemas cardíacos, que o levaram a fazer um cateterismo. A viagem ao Canadá é a última tentativa de recuperação do adolescente. “Tenho acompanhado a caminhada do Lucas e vejo como muito promissora a realização desse procedimento. Trata-se de família comprometida com o tratamento, com excelente adesão”, disse a pediatra Cristina Reis Moreira, que o atende desde criança.

Segundo a médica, os custos do transplante giram em torno de US$ 300 mil ou aproximadamente R$ 750 mil. No país, um profissional brasileiro, especialista em tratar a doença, é uma esperança para trazer de volta a qualidade de vida de Lucas. “Fizemos contato por e-mail, falamos via skype e mandamos as radiografias do Lucas. Ele já tinha feito um transplante de uma paciente nas mesmas condições e que foi um sucesso”, contou Cristina. “O Lucas teve uma infecção viral nos primeiros meses de vida, que lesionou o pulmão. É uma doença que vai progredindo e está em um estágio avançado. Quando um paciente depende de oxigênio 24 horas por dia, qualquer pneumonia é um fator grave, de risco. A falta de ar é muito intensa”, explica a especialista.

Para arrecadar a quantia, a expectativa é contar com a ajuda vinda de todo o Brasil. A Mancha Verde, torcida organizada do Palmeiras, está entre os que têm ajudado o adolescente. Em duas semanas, está previsto um jogo de basquete em São Paulo, na qual o dinheiro da entrada deverá ser revertido para o tratamento de Lucas no exterior. Mas segundo Irani, o valor deve girar em torno de R$ 8 mil.

Devota de Nossa Senhora Aparecida, Irani tem fé de que o filho vai superar as dificuldades. “Confio em Deus. É um transplante difícil, mas acredito que ele vai conseguir. Deus vai abrindo as portas. Se deixar do jeito que está, ele pode falecer a qualquer momento. A gente precisa tentar”, avalia. E declara o amor incondicional pelo filho. “O Lucas é tudo para mim. Eu parei minha vida para viver a dele e não me arrependo nenhum minuto”, desabafou dona Irani.

Infecção

É uma inflamação e obstrução das vias aéreas após um quadro infeccioso. A bronquiolite obliterante ocorre preferencialmente em pessoas do sexo masculino. A doença decorre principalmente de vírus. Entre eles, principal é o adenovírus e o segundo o Haemofilus influenza.

Faça sua doação
Caixa Econômica Federal
Irani Neres Santana
Agência 0973
Operação 013
Conta-poupança – 766405-5
Quem quiser entrar em contato com Lucas ou com a mãe dele
pode ainda mandar um e-mail: lucas.irani@hotmail.com
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