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"Sou legal, bonito e solteiro"

Com apenas 25% de capacidade de respiração, o estudante conta com a solidariedade brasiliense a fim de reunir R$ 750 mil para o transplante

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postado em 18/02/2014 10:45 / atualizado em 18/02/2014 10:47

O primeiro dia de aula, o autorretrato e a alegria de estar vivo e estudando (Iano Andrade/CB/D.A Press) 
O primeiro dia de aula, o autorretrato e a alegria de estar vivo e estudando
O jovem palmeirense pode voltar à escola graças a um concentrador de oxigênio instalado em sala de aula (Iano Andrade/CB/D.A Press) 
O jovem palmeirense pode voltar à escola graças a um concentrador de oxigênio instalado em sala de aula

Lá estava ele, vestido de moletom verde em homenagem ao time de coração, o Palmeiras. Lucas Neres Pereira, 16 anos, chegou às 6h55 no Centro de Ensino Fundamental Arapoanga, em Planaltina. Seguiu para a fila e acompanhou os colegas nas orações de chegada. No primeiro dia de aula, aprendeu lições de português, matemática e artes. Copiou textos, somou, subtraiu e fez um autorretrato com lápis. Às 12h, os alunos foram liberados. E ele queria ficar. Jogou totó com os amigos, até que a mãe o alertou: “Vamos embora, Lucas. Você vai perder a carona e tem que tomar seu remédio”. Mas teve de esperar até ele fazer um gol. Despediu-se dos amigos e foi para casa.


O dia na escola passou voando para Lucas, que cursa o 9º período do ensino fundamental. Também pudera. O rapaz matou a saudade dos coleguinhas. Havia mais de seis meses, estava sem estudar devido a uma doença pulmonar grave chamada bronquiolite obliterante. No ano passado, o rapaz teve de abandonar a escola em razão de o quadro ter se agravado. Chegou a pesar 32kg e mal podia caminhar por causa da falta de oxigênio. Hoje, pesa 42kg. Com apenas 25% do pulmão funcionando (o outro foi retirado), os médicos recomendaram que ele usasse um balão de oxigênio 24 horas por dia. Mas a quantidade no cilindro não seria suficiente para ser usada durante cinco horas seguidas — período de estudo —, sem abastecimento.

Gesto de coragem

O retorno ao colégio só foi possível graças à instalação de um concentrador de oxigênio em sala de aula. Para isso, o diretor Jordenes Ferreira da Silva precisou entrar na Justiça. Para tanto, assinou os documentos necessários para garantir o aparelho ao aluno. Se alguém quebrar ou estragar o equipamento, Jordenes terá de pagar do próprio bolso. “Conheço o Lucas desde sempre. Ele ingressou aqui na 1ª série e é um exemplo de luta e humanidade. É como se fosse um filho para mim”, justifica o educador. Com o equipamento, o rapaz pode acompanhar as explicações dos professores sem se preocupar se o oxigênio vai faltar ou não.


Os alunos da turma ficaram felizes com o retorno do colega . Lucas é um exemplo. “Ele está de parabéns porque batalha muito”, elogia Luana Késia Ventura, 13 anos. “Estudo com o Lucas há um ano, e é uma vitória ele conseguir esse aparelho para respirar. O sonho dele é estudar e passa para a gente uma lição de sempre buscarmos o melhor”, destaca Gabriel Parente Oliveira, 13 anos.


Com sorriso largo e desenvolto, o garoto magro de olhos de biloca encanta mesmo pelo bom humor e pela inteligência. “No terceiro semestre, o Lucas já está aprovado”, revelou Jordenes. Mas engana-se quem acha que o adolescente tem alguma regalia. Ele faz os mesmos deveres de casa que os outros alunos e se prepara da mesma forma para a semana de provas.

Já foi pior

A luta de Lucas agora é para fazer um transplante de pulmão. Para isso, terá de ir a Toronto, no Canadá. Isso porque o procedimento foi negado duas vezes no Brasil em razão de o adolescente ter feito uma cirurgia quando criança para retirar o pulmão esquerdo e outra para retirar parte de uma infecção no direito. Com isso, Lucas vive com 25% da capacidade do pulmão. Circunstâncias que não recomendavam, segundo a avaliação dos médicos brasileiros, o transplante. O procedimento custa em torno de R$ 750 mil e seria feito por um especialista brasileiro no exterior. A médica que o acompanha, Cristina Reis, já enviou uma série de exames para o profissional. Ele avaliou que Lucas tem todas as condições de obter sucesso no transplante.


Apesar do risco, a mãe do rapaz, Irani Neres Santana, 37 anos, não teme pela vida do filho. Lucas apresentou a doença logo no primeiro mês de nascido. “Os primeiros anos foram mais difíceis. Nem todos os bebês conseguem sobreviver, mas ele conseguiu. Era uma crise em cima da outra. Deram dois anos de vida para ele, mas meu filho já tem 16 anos. Tem médico que o vê hoje e não acredita. A gente vai levando, confiando em Deus”, conta Irani, devota de Nossa Senhora Aparecida. Em Deus, em Nossa Senhora Aparecida e na solidariedade de quem se dispuser a ajudar a reunir a quantia necessária para o transplante.


A Mancha Verde, torcida organizada do Palmeiras, também prometeu ajudar o rapaz promovendo jogos com arrecadação revertida ao menino, segundo conta Irani. O adolescente também ganhou o apoio de uma emissora de televisão que, esta semana, deve divulgar um site para colaboração. “Será nos mesmos moldes do que fizeram para o José Genoíno (ex-presidente do PT condenado no escândalo do Mensalão) e conseguiram cerca de R$ 1 milhão”, conta Irani.


Lucas não tem medo do futuro. Ao contrário. Sonha com ele. Quer ser policial e não vê a hora de poder jogar bola. “Agora eu quero ir para o Canadá. Tenho que aprender um pouco do inglês, né?”, brincou. “Faço minhas tarefas, sou um bom aluno, um bom filho, tenho uma grande mãe, um bom diretor e estudo na melhor escola. Sou legal, simpático, bonito e solteiro. Tô procurando uma namorada”. Só falta um novo pulmão.

 

Faça sua doação

Caixa Econômica Federal
Irani Neres Santana
Agência 0973
Operação 013
Conta-poupança – 766405-5
E-mail: lucas.irani@hotmail.com

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