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MERCADO DE TRABALHO »

Por um emprego perto de casa

Os gastos com transporte, os atrasos dos ônibus e o tempo que se perde em deslocamentos motivam brasilienses a buscarem serviços mais próximos de onde moram, embora a concentração de postos ainda seja grande no Plano Piloto

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postado em 21/02/2014 10:39 / atualizado em 21/02/2014 10:42

Mariana Laboissière , Roberta Pinheiro

Carlos Vieira
Um fenômeno lento, mas crescente, vem mudando o mercado de trabalho no Distrito Federal. De acordo com a Companhia de Planejamento (Codeplan), em 11 regiões administrativas, o número médio de pessoas que trabalham na própria cidade aumentou 5,11%, passando de 32,65% para 34,32%.

Os motivos que estimulam a procura por serviço mais perto de casa são vários. Entre eles, os problemas enfrentados com atrasos de ônibus, tempo de deslocamento, gastos financeiros e greves. Quando um shopping foi inaugurado em Ceilândia, em novembro passado, uma das principais preocupações dos moradores da região era quanto ao surgimento de oportunidades de emprego. Atualmente, o setor administrativo do centro comercial emprega mais de 50% de mão-de-obra local.

Um dos funcionários é a assistente da Superintendência do shopping, Aline Ludmila Borges, 28 anos, que trocou o trabalho de dois anos e meio no Núcleo Bandeirante por uma oportunidade a poucos quilômetros de casa. Como não tem carro, Aline relembra que o deslocamento para o trabalho era uma dor de cabeça. “Era muito complicado, porque eu dependia do transporte público, então, às vezes, chegava atrasada no serviço”, relata. As facilidades de trabalhar perto de casa também já possibilitam a Aline, formada em Administração de Empresas, fazer planos. “Eu quero aproveitar que tenho mais tempo agora para fazer uma pós-graduação”, conta.

De acordo com a última Pesquisa Distrital por Amostra de Domicílios (PDAD), um dos locais com a maior ocupação das oportunidades de emprego pelos próprios moradores foi o Sol Nascente, em Ceilândia, com crescimento de 32,73% entre 2011 e 2013. A empresária Mislene Martins Alvarenga, 30 anos, colocou as contas na ponta do lápis e percebeu que era vantajoso sair do trabalho, em Santa Maria, para economizar o gasto com combustível e abrir um mercado próximo de onde mora. “Optei por uma melhor qualidade de vida. Precisava acordar muito cedo e chegava sempre cansada ao serviço. Aqui, eu trabalho mais, mas posso almoçar e descansar em casa, e vivo menos estressada”, comenta.

Convívio com os filhos
A vantagem de trabalhar perto de casa é percebida e valorizada principalmente pelas mães. Como perdem menos tempo com outros afazeres, elas ganham horas preciosas para estar com os filhos. É o caso de Geane Lopes dos Santos, 38 anos, dona de um salão de beleza. Da porta do estabelecimento, ela consegue ver o filho entrar em casa. Apesar das dificuldades em manter o negócio, ela diz que os benefícios fazem valer a pena. “No começo, pensei em desistir várias vezes, mas quando penso nos meus filhos e na dificuldade em ter alguém para ficar com eles ou em conseguir uma vaga em uma creche, prefiro esperar e seguir com o negócio”, avalia. Quando trabalhava fora do Sol Nascente, passava uma semana sem ver os filhos. “Minha prioridade agora são eles. Com o salão, hoje estou presente em todos os passos deles”, diz.

“Eu vivia mal-humorada e quase acabo com meu casamento por conta do estresse”, desabafa a coordenadora dos serviços gerais de um shopping em Ceilândia, Neucilene Santos, 38, também moradora do Sol Nascente. Quando ela soube da oportunidade de emprego ba cidade onde reside, não pensou duas vezes em deixar o trabalho no Plano Piloto. O novo emprego fica a 30 minutos de casa. “Meus filhos brincam que meu humor melhorou mil por cento”, conta aos risos. Hoje, ela tem mais tempo para cuidar de si, dos filhos, da casa e do marido. “Agora, eu posso sair com minha família e até ir ao cinema. Antes, eu só queria saber de dormir”, afirma.
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