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Correio Braziliense

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Cientistas pela vida

Duas equipes formadas por estudantes de Brasília disputam neste fim de semana as finais de competição internacional que estimula a criação de projetos científicos. Elas desenvolveram mecanismos para prevenir desastres naturais

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postado em 21/02/2014 14:00 / atualizado em 21/02/2014 10:47

Ariadne Sakkis

Janine Moraes
Só neste século, os desastres naturais vinculados às mudanças climáticas custaram ao mundo US$ 2,5 trilhões. Pior: em 40 anos, os desarranjos da natureza causaram a morte de mais de 3,3 milhões de pessoas, segundo estimativas da Organização das Nações Unidas. Construir mecanismos de prevenção e alerta desses fenômenos tem sido um dos maiores desafios da ciência e dos governos. Parece coisa séria demais para incluir jovens na discussão. Mas há quem ouse discordar.

O Torneio de Robótica First Lego League é uma competição internacional que estimula crianças e adolescentes entre 9 e 16 anos a pensar, criar e exercer a ciência. Neste ano, o desafio das equipes é desenvolver robôs e projetos de pesquisa propondo soluções ao tema Fúrias da Natureza. A final nacional do torneio será neste fim de semana, no Sesi de Taguatinga, e inclui duas equipes do Distrito Federal na elite das 60 mais bem classificadas. Ambas foram formadas no Sesi do Gama e levaram os títulos na etapa Centro-Oeste.

Os jurados somam três avaliações para considerar um time vencedor. A primeira consiste no desempenho dos robôs desenvolvidos pelos estudantes com peças de Lego nas missões estipuladas pela competição. Em uma mesa padrão contendo situações diferentes, cada participante tem dois minutos e meio para executar o máximo de tarefas com o equipamento. Seja resgatar pessoas em locais de risco, levantar escombros, seja salvar animais ou mover um helicóptero de resgate. Além de desenhar e montar a máquina, os estudantes aprendem a fazer programação eletrônica. Cada movimento deve ser automatizado, pois é proibido tocar o robô durante a prova.

A segunda parte da competição consiste na apresentação de um projeto de pesquisa científica. Aqui, as equipes escolhem um assunto dentro do tema Fúrias da Natureza para desenvolver ideias de equipamentos e sistemas capazes de minimizar mortes, feridos e estragos durante uma catástrofe natural como terremotos e tsunamis. Por fim, a comissão julgadora avalia o entrosamento e o espírito de trabalho conjunto dos times. “Todo o processo tem um impacto grande no desempenho dos alunos. Contribui muito para a aprendizagem porque eles estão colocando em prática conceitos que aprendem em sala de aula”, explica Mayra Rezende, professora de matemática e técnica do Lego of Olympus.

A equipe supervisionada por ela ganhou o 1º lugar geral da etapa regional. Os seis estudantes criaram um sistema de alerta e medição de atividades de vulcões. Matheus Queiroz, 12 anos, é o dono da palavra na hora de explicar como o equipamento foi desenvolvido por eles. “O sensor fica na base no vulcão e é feito de um material resistente ao calor da lava. Como no Brasil não tem vulcão, pensamos em um equipamento que também pode ser usado para monitorar tempestades”, explica o garoto, com uma segurança notável.

Gabrielle Moreira, 14 anos, também integra o Olympus. Ela conta que participar da competição ajudou nos estudos. “A gente tem que pesquisar muito, estudar coisas que antes nem sabíamos que existia. Quando você coloca em prática, aprende mais rápido”, afirma. Mais detalhes sobre o projeto deles devem ficar em sigilo, claro, para não facilitar a vida dos adversários.
 
Deslizamento

A Lego Field é formada por cinco estudantes dos ensinos fundamental e médio. Em nível regional, conquistou o Troféu Inspiração, pela originalidade da proposta. Orientados pelo professor de matemática Bruno Macedo, os alunos vão à competição apresentar um projeto de alerta e monitoramento de deslizamentos de terra.

Ana Luísa de Brito, 13 anos, fará a defesa do projeto aos jurados. “Comecei a pensar nos problemas das pessoas e em como ajudá-las. Quando aparecia enchente, deslizamento de terra na televisão, eu desligava. Aquilo não era problema meu. Mas então pensei que também é nossa responsabilidade pensar em maneiras de fazer do mundo um lugar melhor e salvar vidas”, conta a estudante.

Atentos à realidade brasileira de ocupação de encostas, os alunos pensaram em monitorar a movimentação do solo dos declives por meio da instalação de postes equipados com sensores. “Além disso, precisávamos de algo que fosse visível ao olho nu. Quando você instala o poste, ele fica reto. Se ele entorta ao longo do tempo, algo está acontecendo”, detalha Ana Luísa. Pela observação das informações, será possível alertar a população antes de um desastre acontecer.

A Lego Field buscou ainda a ajuda de professores da Universidade de Brasília para aprofundar os conhecimentos no assunto. A proposta ganhou o interesse do governo do Espírito Santo, estado brasileiro que convive anualmente com o drama de milhares de pessoas desabrigadas em razão de deslizamentos. “Ganhar não é o mais importante. Importante é a gente participar das decisões e ser ouvido”, deseja Ana Luísa.

Este será o primeiro ano em que escolas do DF participarão do torneio. A competição entre as escolas acontece a partir de sábado, no Sesi de Taguatinga. O Sesi é o operador nacional do torneio lançado pela empresa dinamarquesa Lego e a First, organização não governamental americana, criada em 1989, que desenvolve programas inovadores com ênfase em matemática, ciência e tecnologia para jovens. A competição ocorre em 56 países.

As três leis da robótica

1.      Um robô não pode ferir um ser humano ou, por inação, permitir
que um ser humano sofra algum mal.

2.      Um robô deve obedecer às ordens que lhe são dadas por seres humanos,
exceto quando essas ordens entrarem em conflito com a primeira lei.

3.      Um robô deve proteger sua própria existência desde que tal proteção
não entre em conflito com a primeira ou a segunda Leis.

Breve história de máquinas e homens

» 1495
Leonardo da Vinci, ao estudar exaustivamente a anatomia humana, criou exemplares de bonecos que moviam os braços e as pernas e que conseguiam escrever ou tocar instrumentos.

» Anos 1700
Um pato mecânico desenvolvido por Jacques de Vaucanson torcia o pescoço, batia asas e engolia alimentos.

» 1913

Henry Ford cria a primeira linha de montagem do mundo, baseada em esteiras industriais, na fábrica de automóveis. O modelo T era montado em apenas 93 minutos

» 1920
O escritor tcheco Karel Capek cria a palavra “robô” para descrever máquinas semelhantes a seres humanos no jogo Rossums Universal Robots, em que os robôs escravizaram a sociedade humana que os criou.
» 1942
O escritor de ficção científica Isaac Asimov escreve o conto Mentiroso,
no qual estabelece as Três leis da robótica, que mais tarde inspiraram os contos que compõem o livro Eu, robô, publicado em 1950. A obra virou filme hollywoodiano em 2004.

» 1950

George Devol e Joe Engleberger
projetam o primeiro robô programável. Em 1962, ele se tornaria o primeiro
robô industrial, o Unimate, usado
na linha de montagem da General Motors.
» 1957
A União Soviética lança Sputnik, o primeiro satélite artificial em
órbita. O feito marca o início
da corrida espacial.
» 1964
O IBM 360 torna-se o primeiro computador a ser produzido em escala industrial.

» 1969

Os EUA usam com sucesso a mais recente tecnologia de computação, a robótica espacial, para levar Neil Armstrong à Lua.

» 1986
O computador da IBM conhecido como Deep Blue vence o campeão mundial de xadrez Garry Kasparov.

» 2004
Pesquisadores da Universidade de Cornell constroem o primeiro robô que se autorreplicava. Cada robô era constituído por uma pequena torre de cubos computadorizados, que se ligavam entre si por meio de circuitos magnéticos.

» 2008
Diversas empresas iniciam estudos para a fabricação de exoesqueletos que podem ser integrados ao corpo humano a fim de ajudar pessoas com paralisia.

» 2011
A Universidade de Pittsburgh desenvolve um braço mecânico que pode ser controlado pelo pensamento.
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