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Áreas nobres lideram uso de cocaína

Pesquisa elaborada pela UnB a partir da análise do esgoto do DF revela que as regiões da Asa Norte, do Lago Norte e do Varjão consomem mais o entorpecente. Pico é no fim de semana

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postado em 06/03/2014 16:00

Adriana Bernardes

Os dados disponíveis sobre o consumo demoram meses, até anos para ficarem prontos. Nesse tempo, a dinâmica do tráfico mudou e até mesmo o tipo de droga é outro. Com esse método, conseguimos resultados em três dias%u201D   Fernando Sodré,  integrante do grupo de pesquisa e professor do Instituto de Química da UnB (Carlos Moura/CB/D.A Press - 22/1/14) 
Os dados disponíveis sobre o consumo demoram meses, até anos para ficarem prontos. Nesse tempo, a dinâmica do tráfico mudou e até mesmo o tipo de droga é outro. Com esse método, conseguimos resultados em três dias%u201D Fernando Sodré, integrante do grupo de pesquisa e professor do Instituto de Química da UnB

Em um ano, o Distrito Federal consumiu pelo menos 1,5 tonelada de cocaína. São cerca de oito doses diárias para cada grupo de mil habitantes. A Asa Norte, o Varjão e o Lago Norte lideram o ranking do uso com 12,2 porções, quantidade 52,5% maior do que a média da capital federal. Esse é o mais recente mapa de consumo do entorpecente elaborado pelo Grupo de Automação, Quimiometria e Química Ambiental (AQQUA) da Universidade de Brasília (UnB), em parceria com o Instituto Nacional de Criminalística da Polícia Federal, com a Companhia de Saneamento Ambiental do DF (Caesb) e com a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Para chegar a esse resultado, os pesquisadores analisaram em 2012 amostras em oito estações de tratamento do DF, que canalizam o esgoto de 73% da população brasiliense. São elas: Melchior, Brasília Sul, Samambaia, Planaltina, Brasília Norte, Gama, Paranoá e Riacho Fundo. Como algumas recebem dejetos de mais de uma região administrativa, ao fazer o cálculo do consumo da droga foi levado em consideração o número de habitantes das cidades atendidas pelas unidades de tratamento.

Dessa forma, os pesquisadores detectaram componentes da cocaína metabolizadas pelo organismo. Planaltina e Riacho Fundo empataram na última posição, com 4,4 doses. A média delas é 45% menor que a do DF, de oito por dia. A região que compreende a Asa Sul, o Lago Sul, o Cruzeiro, o Sudoeste, entre outras, aparece em quinto lugar no ranking do consumo, empatada com o Paranoá e Itapoã.

O levantamento identificou que, nos fins de semana, o consumo dobra. “Isso surpreendeu. Esperávamos um aumento, mas não tão grande”, explica Gustavo Brandão Souza, estudante de mestrado do Instituto de Química da UnB, um dos responsáveis pela pesquisa. O estudo detalha que o uso aumenta a partir de quinta-feira, com pico no sábado. Acredita-se que isso acontece porque grande parte do consumo do entorpecente é feito durante festas e outras atividades de recreação. As pesquisas com o pó branco são realizadas desde 2010.

Os pesquisadores aperfeiçoaram o método de análise e, a partir de 2014, farão os primeiros mapas de uso do crack — subproduto da cocaína —, da maconha e do ecstasy. “A expectativa é de que os órgãos governamentais, após observarem esses dados, possam desenvolver estratégias de combate ao tráfico, assim como desenvolver políticas de saúde e de educação para ajudar as pessoas”, defende Gustavo.

Investimento
Mas, antes de seguir com o estudo, os pesquisadores precisam contornar a falta de financiamento. “Para custear o trabalho, precisamos de R$ 100 mil em três anos. Agora, temos o projeto para montar um laboratório e tornar a pesquisa permanente e ampliar para o resto do país. Nesse caso, precisaríamos comprar equipamentos e, aí, precisaríamos de R$ 1 milhão”, estima Fernando Sodré, integrante do grupo e professor do Instituto de Química.

Segundo ele, esse estudo é o mais preciso na América do Sul. “Os dados disponíveis sobre o consumo demoram meses, até anos para ficarem prontos. Nesse tempo, a dinâmica do tráfico mudou e até mesmo o tipo de droga é outro. Com esse método, conseguimos resultados em três dias”, conta.

Debate

Segundo o Observatório Europeu da Droga e da Toxicodependência (EMCDDA), uma dose padrão de cocaína equivale a 100mm. A entidade foi criada em 1993 para fornecer à União Europeia e aos seus estados-membros informações objetivas dos problemas relacionados com droga, além de uma base científica para sustentar o debate sobre o assunto.

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