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As terras de sabastião salgado

A história de um dos fotojornalistas mais famosos do mundo se confunde com a descoberta da fotografia

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postado em 10/03/2014 16:00 / atualizado em 10/03/2014 12:56

Sebastião Salgado: da infância vivida no Vale do Rio Doce aos mais distantes locais do planeta 
Sebastião Salgado: da infância vivida no Vale do Rio Doce aos mais distantes locais do planeta


José Saramago, com a esposa, Pilar Del Río, escreveu para o livro Terra 
José Saramago, com a esposa, Pilar Del Río, escreveu para o livro Terra


“Quem não gosta de esperar não pode ser fotógrafo”, diz Sebastião Salgado, que se tornou um dos ícones dessa arte pelo mundo. Em cada trabalho, o brasileiro exemplifica a frase e a parceria com o tempo. Ele ultrapassou fronteiras, extremos climáticos e diferenças culturais em busca das melhores imagens. A espera se fez necessária para capturar a luz ou a ausência dela, as formas bem delineadas em preto e branco — uma das principais característica do trabalho de Sebastião Salgado.

 O trânsito pelos quatro cantos da Terra a partir das experiências da infância, no Vale do Rio Doce, em Minas Gerais, é o amálgama da autobiografia Da minha terra à Terra, como o próprio nome sugere. Em fase de lançamento pela editora Paralela, o livro é o primeiro registro de Sebastião Salgado — considerado o maior fotojornalista do mundo — sobre a própria história. São detalhes sobre as aventuras de capturar o tempo nas imagens que correram galerias em todo o mundo e integram livros como Êxodo, África, Terra, Trabalhadores e Gênesis.

Família
A história da vida de Sebastião Salgado se confunde com a descoberta da fotografia. Ainda criança, observando as sobras, ele entendia com nitidez as formas e os movimentos que elas sugeriam. Percebeu a importância da luz, assim como da ausência dela, no contexto da composição fotográfica. Esposa Lélia Wanick e filhos, Rodrigo e Juliano, assumiram, posteriormente, participação fundamental ao trabalho de Sebastião Salgado. “Quando o avião não chegava cedo demais, (Lélia) levava Juliano e Rodrigo. Eu me emocionava ao ver os três… Ou ela se organizava para alguém ficar com eles e, quando eu desembarcava, estava à minha espera. Lélia é a grande companheira de minha vida, minha grande sócia. Em tudo. Nas ideias, nos projetos, na família, no trabalho, nas soluções ambientais”, conta em um dos trechos da autobiografia.

Quando conheceu Lélia, Sebastião mal tinha completado 20 anos e ela tinha 17. Desde então, a parceria se fez constante, inclusive no que diz respeito aos trabalhos. Foi dela a ideia de replantar árvores em uma área devastada que ele havia recebido dos pais. O que parecia uma louca aventura, transformou no Instituto Terra, organização ambiental dedicada ao desenvolvimento sustentável do Vale do Rio Doce. “Agora temos nosso próprio viveiro e somos nós que fornecemos mudas aos programas ecológicos dos estados de Minas Gerais e Espírito Santo”, destaca ele.

Revolução digital
Foi durante o projeto Genesis que Sebastião Salgado passou da fotografia analógica para a digital, o que ele considera uma revolução. Além do feito inédito de fotografar animais e paisagens, Sebastião aderia a uma nova tecnologia e mudava também o formato do filme. Outro motivo para a transição foi o preço da matéria-prima para a produção das fotografias e a composição dos filmes. A cotação da prata, usada na emulsão para a revelar as imagens, subira, o que fez diminuir a qualidade.

Sebastião conta, ainda, que andar com os filmes era desconfortável, principalmente depois da instalação de portas nos aeroportos após o incidente de 11 de setembro de 2001. “À medida que eu avançava em minhas reportagens, os aeroportos reforçavam seus sistemas de controle. (…) Eu sempre viajava com uma maleta de 600 filmes, ou seja, 28kg de bagagem de mão, que levava comigo toda vez. Em cada uma delas, precisava enfrentar os fiscais dos aeroportos. (…) No fim, tornou-se um drama tão grande que estive prestes a abandonar a fotografia que tanto amo. Nesse meio tempo, o digital havia feito progressos fenomenais. Então comecei a considerá-lo.”


Trechos

“Para alguns, sou um fotojornalista. Não é verdade. Para outros, sou militante. Tampouco. A única verdade é que a fotografia é minha vida.”

“Um dia, meu pai me disse: ‘Sebastião, você é um fotógrafo reconhecido, mora em Paris. Mas você já se perguntou o que teria acontecido se eu tivesse vendido a fazenda quando você ainda era menino, na época da grande inflação, quando tantos outros se deixaram levar? Você seria hoje o motorista de um trator numa fazenda vizinha ou então viveria numa favela da grande cidade’. Ele tinha razão. Tive muita sorte de poder viver o que vivi, de poder visitar mais de 120 países.”



 

Da minha terra à Terra
De Sebastião Salgado, com Isabelle Francq. Tradução: Julia da Rosa Simões. Paralela, 152 páginas. R$ 24,90.
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