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Correio Braziliense

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Responsabilidade canina

De acordo com estudo americano, jovens que têm a obrigação de cuidar de bichos de estimação desenvolvem características valiosas para a vida adulta, como comprometimento, liderança e preocupação com o próximo

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postado em 11/03/2014 10:27 / atualizado em 11/03/2014 10:36

Paula Rafiza
Ter um bicho de estimação, por si só, é motivo de felicidade para a maioria dos donos. Os benefícios do convívio, no entanto, não param por aí. Segundo um estudo da Universidade de Tufts, nos Estados Unidos, quanto mais os jovens participam dos cuidados dos animais que têm em casa mais eles desenvolvem características essenciais para os convívios pessoais e profissionais, como liderança, confiança, responsabilidade e empatia. “Os jovens adultos que têm forte apego aos animais de estimação afirmaram se sentir mais conectados com as comunidades onde vivem e com os relacionamentos interpessoais”, explica Megan Mueller, autora do estudo publicado no Applied Developmental Science.

Foram observados os comportamentos de 500 pessoas com idade entre 18 e 26 anos. A maioria tinha cachorros e gatos. Esse animais, segundo a psicóloga Cleuza Barbieri, são os mais indicados para esse fase da vida por serem dóceis, interagirem mais e manifestarem emoções. “O vínculo que é estabelecido com os bichos por si só traz alegria e reverbera nas relações com outras pessoas”, complementa.

Mais aberto ao outro, o jovem tende, inclusive, a se envolver mais em trabalhos sociais. O estudante Luiz Alexandre Wendel, 19 anos, é escoteiro há mais de cinco anos e afirma que a relação com os cães o ajudou a dar importância ao serviço para a comunidade. No fim do ano passado, foi ao Rio Grande do Sul com escoteiros para construir praças em comunidades carentes.

 Desde os 8 anos, Luiz cuida dos animais, da alimentação às brincadeiras no jardim. No momento, há três em casa. “Nós pegamos a Fofa em uma feira de adoção. Tiramos o Bisonho de um canil e a Lindinha simplesmente seguiu meus pais até a porta de casa e a acolhemos” conta o jovem, que reconhece que os fiéis companheiros também o ajudam a amenizar a timidez.

A psicóloga Fabiana Cassimiro reforça que o contato com os animais de estimação é especialmente bom para pessoas tímidas: “Elas tendem a expor seus sentimentos com os animais, pois sabem que, com eles, não serão julgadas nem criticadas”, explica. A ideia é compartilhada pela também psicóloga Cleuza Barbieri. Segundo ela, o contato constante com os bichinhos faz com que pessoas que têm dificuldade de se relacionar consigam lidar melhor com as próprias emoções, “além de canalizar energias negativas do dia a dia em algo positivo”.

Em família

A presença de animais em casa também pode ser uma oportunidade de melhorar o convívio entre pais e filhos e fortalecer o compartilhamento de responsabilidades entre eles, segundo a psicóloga Graziela Mistura. “Todos devem ser responsáveis pelo bicho de estimação, e é fundamental compartilhar as tarefas e definir os papéis de cada pessoa”, defende.

A funcionária pública Marlini Oliveira, 51 anos, confessa que fechou a cara com a chegada de Suzy há pouco mais de um ano. “Ela pulou em cima da minha cama e mandei que a tirassem da minha casa”, lembra. O filho Paulo Malheiros, 24, decidiu desobedecer para o bem dele e para a alegria da mãe. “Ele passou a ser muito mais comunicativo e a ficar mais alegre em casa”, conta Marlini, cujo conceito melhorou muito em relação a animais de estimação. Hoje, consegue fazer carinho em Suzy e levá-la para passear.

A cadela é tomada por Paulo quase como uma filha: “Ela é uma criança eterna, sempre tenho que me preocupar. Já tive dois outros cachorros, mas nunca me apeguei tanto”, conta. O jovem diz que os cuidados que tem com Suzy se refletem no convívio com as outras pessoas. “Ajudam-me a ser mais responsável e a me preocupar mais (com o outro)”, justifica. Além de Paulo, os pais e o irmão dele e os funcionários da casa se revezam nos cuidados com a cachorrinha.

Horas vagas

Marcada pelo excesso de cobranças, a juventude também pode ser um período em que o contato com animais pode render mais sofrimento que benefícios. Ter uma responsabilidade que a pessoa considera desnecessária ou que não conta com a ajuda dos pais pode desgastar e ser estressante, além de provocar o sentimento de revolta. “Pode faltar tempo. Essa é uma fase em que o jovem está na faculdade, começa a trabalhar, a fazer a pós-graduação. Os que já namoram sério começam a pensar na possibilidade de novas conquistas amorosas, como o casamento”, relata a psicóloga Fabiana Cassimiro.

Para esses casos e outros que dificultam ter um bicho de estimação em casa — como falta de espaço e de dinheiro —, vai uma dica: o voluntariado. O envolvimento em projetos como feira de adoção e de combate aos maus-tratos ajuda tanto a pessoa quanto os lares de animais abandonados. De acordo com a psicóloga Graziela Mistura, se a pessoa estiver disposta e tiver tempo, o retorno emocional é muito grande e traz satisfação. “Ainda se pratica o mesmo exercício de olhar para o outro na fase em que o foco está em si.”


Cuidados básicos

» Alimentação
Água fresca e limpa deve estar sempre acessível ao animal, que também precisa ser alimentado com ração em doses e horários certos. Exageros na alimentação podem resultar em problemas que comprometem a saúde dos bichos, como excesso de sal e gordura.

» Ambiente
É melhor que o bicho fique dentro de casa, mas, caso contrário, atente-se para que ele não consiga ir à rua sozinho e posicione a casinha em um local sombreado, limpo, longe de parasitas e de resto de fezes. Em apartamento, a tela serve para proteger o animal, mesmo que ele seja hábil.

» Identificação
Coloque nome e telefone para
contato na coleira ou na gaiola.

» Banho
Para cães, de 15 em 15 dias. Gatos precisam de banho com menos frequência, principalmente os de pelos menores. Animais que vivem em gaiola ou aquário devem ter o recipiente limpo, no mínimo, semanalmente.

» Veterinário
Mantenha as vacinas em dia, assim como remédios contra vermes e pulgas. Limpe as orelhas e apare as unhas do bicho de estimação. Qualquer anormalidade deve ser consultada com o profissional de confiança.

» Passeio
Independentemente de onde vivam, os cães precisam passear (não se esqueça da sacolinha de fezes). A necessidade de passeio de outros animais deve ser consultada com o veterinário.

Sem exageros

Apesar de ser muito bom ter um animal de estimação e se apegar a ele, a psicóloga Graziela Mistura reforça que é importante haver equilíbrio na relação. Caso o cuidado com o animal e o tempo gasto com ele comecem a atrapalhar os outros campos da vida, é melhor fazer um quadro com horários para que a relação permaneça saudável e positiva.

Frágil e proveitosa companhia

Filipe Marque toma cuidados especiais quando viaja e deixa os dois gatos sozinhos  (Ana Rayssa/CB/D.A Press - 7/2/14) 
Filipe Marque toma cuidados especiais quando viaja e deixa os dois gatos sozinhos


Também comum na juventude, a decisão de morar sozinho ganha ainda mais vantagens quando, com a mudança, vem um animal de estimação. Segundo a psicóloga Cleuza Barbieri, a nova companhia demanda cuidados — alimentação, saúde, higiene — que forçam o dono da casa a se comportar como tal.

O estudante Filipe Marque, 22 anos, mora sozinho desde os 20. Antes disso, teve hamster e esquilo, mas diz que os gatos Bichento e Róger têm muito mais personalidade e são carinhosos. “Eu odiava gatos. As pessoas nem acreditam, mas, hoje, conheço tão bem os meus que eu sei qual dos dois foi (o responsável) quando aparece alguma coisa quebrada”, conta. Ele ganhou o primeiro, o Bichento, de uma amiga. Róger veio de uma feira de adoção.

Apesar de amar os bichanos, Filipe revela que existem duas principais dificuldades no cuidado com eles: dinheiro e viagens. “Parte dos meus gastos é reservada a eles. Eu tenho que assumir caso eles quebrem alguma coisa ou fiquem doentes. Além disso, viajar é sempre um problema. Mesmo eles sendo independentes, não são tanto assim. Eu sempre preciso que alguém fique com eles ou venha diariamente trocar a água e colocar a comida”, conta.

Animais como os cachorros precisam muito de atenção e interação. Quando estão sozinhos por muito tempo, se sentem mal, ficam irritados e nervosos. A psicóloga Fabiana Cassimiro explica que pássaros, hamsters e gatos, por outro lado, até passam bem o dia sozinhos, mas somente se deixados com comida e água suficientes.

 

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