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A solidez do metal

Em catálogo virtual e exposição, obra gravada de Milan Dusek ganha mostra retrospectiva e homenagem no Beijódromo da UnB

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postado em 11/03/2014 14:00 / atualizado em 11/03/2014 12:44

Milan Dusek: temas constantes e interesse permanente em incorporar novos materiais ao trabalho (Paula Rafiza/Esp. CB/D.A Press) 
Milan Dusek: temas constantes e interesse permanente em incorporar novos materiais ao trabalho


Milan Dusek é um soldado da prensa. Um soldado fiel. Aos 89 anos, ele mantém no ateliê, num quarto da casa em que mora, no Lago Norte, uma enorme prensa para imprimir suas gravuras em metal e faz questão de conduzir os visitantes ao local antes de começar a falar de arte. É que, nos tempos atuais, ele explica, ninguém mais sabe o que é uma gravura. É preciso enxergar o processo de produção para se ter uma ideia do quanto o domínio do traço, da força e da destreza são necessários para construir o emaranhado de linhas que dão forma aos babuínos, às bicicletas, aos pipoqueiros, às medalhas e às paisagens que o artista consegue registrar.

Foi no Rio de Janeiro que Dusek deu os primeiros passos na arte. Nascido em Praga na época em que era capital da Tchecoslováquia, ele emigrou para o Brasil em 1939. Em Brasília, fincou o pé para produzir uma obra que ajudou a construir a história da gravura no Brasil. Por isso, o sentido da exposição Milan Dusek — obra gravada, em cartaz a partir de hoje no Beijódromo da Universidade de Brasília (UnB), não é apenas o de uma retrospectiva (e poucas já foram feitas sobre a obra de Dusek), mas uma oportunidade de verificar todas as facetas de um artista que trouxe a cidade para sua obra sem deixar de fora reflexões universais sobre a arte e o homem.

 (Daniel Ferreira/CB/D.A Press/Reprodução) 


As paisagens de Brasília se tornaram um dos temas preferidos   (Daniel Ferreira/CB/D.A Press/Reprodução) 
As paisagens de Brasília se tornaram um dos temas preferidos


Para Oto Reifschneider, curador da exposição, a obra de Milan deveria figurar nos capítulos da história da gravura brasileira, mas ficou de fora por razões que combinam a própria personalidade do artista e sua localização geográfica. “Ao ver a obra de Milan, me perguntei a razão de ele não estar citado em qualquer um dos livros e mesmo artigos acadêmicos que tratam do assunto (gravura). As explicações são várias: é uma questão geográfica (Milan estava fora dos centros), uma questão de independência e desapego, uma questão de timidez e isolamento. Milan nunca procurou divulgar ativamente sua obra”, explica. A exposição celebra o lançamento do catálogo virtual raisonné (http://issuu.com/milandusek.obragravada/docs/milan_dusek_obra_gravada), no qual estão disponíveis imagens de toda a produção do artista dividida em temáticas trabalhadas ao longo de décadas. “O aspecto mais interessante em sua obra é o embate entre domínio da técnica e experimentação. Mesmo com suas temáticas mais ou menos constantes, Milan sempre se sentiu atraído por novos materiais, novas formas de gravar”, repara Reifschneider. “É um de nossos bons gravadores cuja obra não foi cooptada por modismos passageiros”.

Força e destreza para construir um emaranhado de linhas das figuras  (André Dusek/Divulgação) 
Força e destreza para construir um emaranhado de linhas das figuras


Artista incansável
Milan Dusek chegou a Brasília em 1972, após desmontar seu próprio atelier no Rio de Janeiro — cidade que o acolheu quando chegou da Tchecoslováquia e onde conheceu a arte. Na capital federal, abriu espaço para que outros artistas desenvolvessem a gravura . Metódico, faz questão de explicar peça por peça que retira da pasta cinza sobre a mesa da casa onde mora sozinho, em Brasília. São imagens que identificam o imaginário, as percepções e o traço de um artista incansável.

A história de Dusek se mistura à de muitos artistas europeus que fugiram da Segunda Guerra, em 1940.  Um deles, o escultor polonês August Zamoyski, tornou-se mestre de Dusek em um velho casarão em Botafogo, que se transformou em atelier de escultura.


200
chapas de gravura em metal compõem o acervo do artista


"Pego alguns elementos de Brasília e dou novos arranjos, como se fosse coisa abstrata. Dou novos formatos”
Milan Dusek, artista plástico
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