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INFORMÁTICA

Metrópoles tecnológicas

O crescimento urbano traz desafios imensos para manter a qualidade de vida da população. Mas as chamadas cidades inteligentes apresentam caminhos inovadores para superar esses obstáculos

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postado em 26/03/2014 14:00

 (Maurenilson Freire/CB/D.A Press) 

As aglomerações estão cada vez maiores. Para se ter ideia, a população urbana mundial aumentou em cinco vezes de 1950 a 2011, segundo o Programa das Nações Unidas para Assentamentos Humanos (UNU-Habitat). Em 2007, pela primeira vez na história, o número de pessoas no planeta que vivem nas metrópoles superou a quantidade de indivíduos no meio rural. E a perspectiva da mesma instituição é que 75% da população global esteja no meio urbano em 2050.

Para que a população desses locais tenha condições de viver é preciso algumas condições básicas: água, luz, transporte, segurança. Mas a crescente demanda acaba por muitas vezes sobrecarregar os sistemas responsáveis por essas áreas, resultando em serviços insuficientes ou incapazes de atender a população de forma adequada. É aí que entra o conceito de cidades inteligentes.

Desde meados da década de 1990, o termo é debatido e seu conceito, aprimorado. Um dos programas precursores no estudo dessa área é o Smart Communities, criado em 1997 pelo então diretor executivo do Centro de Comunicações da Universidade Estadual de San Diego, John M Eger.

Segundo o grupo, smart communities, ou comunidades inteligentes em tradução livre, são ambientes feitos com um esforço consciente para usar a tecnologia da comunicação de forma a transformar a vida e o trabalho de uma região. Assim, o objetivo está além de apenas implementar novidades tecnológicas. É o uso dela para que as sociedades possam enfrentar desafios e obstáculos.

Outra instituição que desenvolve estudos sobre a área é a IBM. A empresa, que desenvolve soluções tecnológicas para diversos setores, conta com uma divisão especializada em projetos para cidades inteligentes. Na visão da companhia, os centros urbanos se apoiam em três pilares essenciais: infraestrutura, planejamento e gerenciamento e, claro, humano.

Na infraestrutura, são considerados os serviços de água, luz, transporte e ligados também ao meio ambiente. A área de gerenciamento engloba a segurança pública, os órgãos governamentais e o planejamento urbano. E, por último, o pilar humano é formado pela educação, saúde e programas sociais.

Nesse modelo, a tecnologia estaria diretamente relacionada a todos os pilares, de forma a auxiliar o desenvolvimento de cada um ao mesmo tempo em que os conecta. Assim, as inovações serviriam para que líderes tenham ferramentas para analisar melhor dados e assim tomar decisões mais acertadas e rápidas para os problemas que surgirem.

Alguns locais já estão colocando em prática esse conceito. É o caso de Amsterdã, na Holanda. A cidade conta com o programa chamado Amsterdam Smart City, que reúne atualmente 43 projetos que visam o desenvolvimento sustentável por meio de inovações tecnológicas.

Tempo real
Um exemplo é o Flexible Street Lighting, que promove o controle setorizado da iluminação pública. Dessa maneira, as lâmpadas de postes só são acesas de acordo com a necessidade de uso — reduzindo assim, os gastos energéticos. Além disso, a prefeitura da cidade pretende fazer com que todos os prédios governamentais sejam, até 2015, neutros em consumo elétrico —em suma, produziam toda a energia que virem a consumir. Para isso, foi criado um sistema digital que mede o gasto de cada edifício e coloca os dados em tempo real em um site para que a população possa fiscalizar os valores.

Em demais regiões, planos ainda mais ambiciosos são feitos. A cidade de Songdo, na Coreia do Sul, por exemplo, foi construída do zero como espaço experimental para a implementação de tecnologias avançadas em prol da sociedade.

Com investimento aproximado de R$ 80 bilhões e previsão de 80 mil residências construídas até 2015, Songdo conta com sistemas surpreendentes. As ruas têm sensores no asfalto, que mostram em tempo real os deslocamentos, aumentam o tempo dos sinais em caso de congestionamentos e até diminuem a iluminação das vias quando ninguém está passando para economizar energia. Isso se for preciso usar carro, pois o projeto prevê que praticamente todos os habitantes consigam ir a pé para o trabalho.

No Brasil, as coisas andam em ritmo bem mais lento, mas já existem algumas ideias, de projetos de mobilidade a apps de smartphones, para ajudar cidades que sofrem com o inchaço populacional. Nesta edição, o Informática mostra o uso da tecnologia em diversos setores urbanos ao redor do globo e que podem servir de exemplo para as metrópoles brasileiras se tornarem mais inteligentes.
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