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Correio Braziliense

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Um aventureiro candango

Leonardo César pretende repetir o feito que alcançou no ano passado, quando atingiu os quatro pontos extremos do Brasil. Mas, agora, quer fazer a maior parte a pé, de bicicleta e de caiaque. O objetivo é colocar o nome no Livro dos Recordes

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postado em 26/03/2014 16:00 / atualizado em 26/03/2014 11:02

Luiz Calcagno

A vontade de viajar, o amor pelo país e a sede de chegar o mais longe possível transformaram o administrador de imóveis Leonardo César Osório Meirelles, 47 anos, em explorador. Ele é o primeiro homem a alcançar os quatro pontos mais extremos do Brasil por terra, de carro e caminhando entre janeiro de 2012 e março de 2013. Agora, Leonardo planeja um novo feito: cruzará o país — de ponta a ponta — a pé, de caiaque e de bicicleta. Até o fim do mês, sairá em viagem e refará as trilhas anteriores em duas etapas. A primeira — Brasília/Roraima/Rio Grande do Sul — durará cerca de cinco meses. Em 2015, ainda sem data marcada, ele percorrerá o trecho Brasília/Acre/João Pessoa.

O explorador fará a primeira parte da viagem de carro, por conta das chuvas. Irá de Brasília ao povoado de Água Fria, em Roraima, em uma caminhonete 4x4 adaptada para carregar barracas, sacos de dormir, bujões de gás, comida, além da bicicleta e de um caiaque. Em seguida, segue de bike por 70 quilômetros até a aldeia Manalai. Lá, com um grupo de seis índios, caminhará 40 quilômetros selva amazônica adentro até o Marco 11A, ponto mais distante ao Norte do Brasil. Eu considero que a expedição começa a partir daí. Após alcançar o ponto mais ao norte, o caminho de volta até o Marco do Grupo Adejo, em Santa Vitória do Palmar (RS), será percorrido de bicicleta, com a caminhonete como apoio”, explica o aventureiro.

Do Marco 11A até a fronteira com o Uruguai, ele percorrerá 40km a pé, 20km de caiaque e outros 6.300km sobre duas rodas. A motivação, segundo ele, vem de um misto de nacionalismo e idealismo. “Vou realizar isso em meu nome, em nome dos brasileiros e em nome do Brasil. Só conhecemos o nosso país quando andamos por ele e conversamos com o nosso povo. Acredito que estou defendendo a honra da minha terra. O mundo precisa saber que somos competentes, determinados”, afirma.

Entre as dificuldades, Meirelles precisou de autorização da administração do Parque Nacional Monte Roraima (RR) e de caciques das tribos Ingarikó e Waimiris-Atroaris para percorrer os territórios indígenas de bicicleta. A ideia original era fazer o trajeto todo caminhando — mas aí faltou a autorização da “patroa”. “Minha mulher me apoiou agora, assim como na expedição anterior, mas não aceitou que eu fizesse a travessia a pé, pois demoraria 11 meses. Então, decidi fazer o trajeto, na maior parte, de bicicleta”, conta. A esposa de Leonardo, a professora de inglês da Universidade de Brasília (UnB) Virgínia Meirelles, 43, vai encontrá-lo em algumas cidades durante o caminho.

Leonardo prepara-se fisicamente andando quase 60 quilômetros de bicicleta diariamente e faz fisioterapia para acelerar a recuperação de uma torção que teve no tornozelo. Mas o planejamento também inclui prever dificuldades. No caminho de ida, por exemplo, um dos afluentes do Rio Madeira subiu mais de 1,5 metros e derrubou 125 pontes. O percurso, então, será coberto de balsa. “Por telefone, conversei com um fazendeiro da região. Ele disse que mora lá há mais de 22 anos e nunca viu uma situação tão crítica. Na volta, de bicicleta, em maio, as chuvas devem ter acabado. Espero que a situação esteja melhor.”

Risco largo
Com mapas, rotas e caminhos traçados, a segunda viagem de Leonardo aos pontos mais extremos do Brasil traz novos riscos. Ele conta que entre os maiores medos estão o de ser assaltado, atropelado e sofrer com o frio. “Vamos dormir acampados e isso é arriscado. Além disso, minha preocupação são os motoristas imprudentes que vão me ultrapassar quando eu estiver de bicicleta nas rodovias”, admite. Os outros perigos, ele já conhece. Da última vez, contraiu leishmaniose, topou com cobras peçonhentas, jacarés e animais selvagens e cruzou terrenos irregulares, pedregosos e escorregadios.

Os pontos mais difíceis de encontrar, segundo ele, estão no norte e no oeste. A localização desses trechos, inclusive, serve para o próprio país. Em sua primeira aventura, Leonardo disponibilizou coordenadas, mapas, trilhas e fotografias ao governo federal. Agora, ele pretende entrar para o Livro dos recordes. Para comprovar o feito, vai colher depoimentos, fará aproximadamente 9 mil fotos e 12 horas de filmagem. “Eu passei as especificações, inclusive, de onde está o marco do marechal Rondon. O Ministério das Relações Exteriores me prometeu uma medalha de honra ao mérito pelo feito. Agora, quero meu nome no Guinness Book”, conclui, sorrindo.

A Inspiração

Grandes exploradores brasileiros que guiam a vida de Leonardo:

Rondon

» O marechal Cândido Mariano da Silva Rondon nasceu no Mato Grosso em 5 de maio de 1865. Em sua primeira missão desbravadora, que durou até 1898, quando era chefe do Distrito Telegráfico de Mato Grosso, Rondon foi responsável pela construção de uma linha telegráfica ligando todo o estado ao Goiás. Também construiu linhas até a fronteira com o Paraguai e com a Bolívia. À medida que adentrava o Brasil e o mapeava, fazia contatos pacíficos com os índios e erguia mais linhas telegráficas. Foi homenageado ganhando o nome do meridiano 52. Na década de 1930, concluiu a terceira e última inspeção a fronteiras nacionais. Chegou a ser indicado ao Prêmio Nobel da Paz. O marechal morreu no Rio de Janeiro, aos 92 anos, em janeiro de 1958.


Irmãos Villas Boas


» Assim como Rondon, Orlando, Cláudio e Leonardo Villas Boas foram sertanistas brasileiros importantes na história do desbravamento e mapeamento do país. O trio nasceu em Santa Cruz do Rio Pardo, no interior de São Paulo. Eles integraram a Marcha para o Oeste, decretada pelo presidente Getúlio Vargas em 1º de janeiro de 1938. Eles fizeram parte da Expedição Roncador-Xingu, de 1943, e se tornaram chefes da empreitada. Inspirados em Rondon, os irmãos procuraram preservar e proteger as tribos indígenas que encontravam no caminho. Os irmãos Orlando e Cláudio também foram encarregados de demarcar o centro geográfico do Brasil, que fica no município de Palmas, no Tocantins, na ala norte da Praça dos Girassóis.

 

 


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